Mercadoglobal UPE Caruaru

Junho 25, 2008

O que é empreendedorismo? Parte 1

Artigo de Emanoel Leite, Administrador e Doutor em Empreendedorismo. Professor, pesquisador, autor e consultor.

O número de indivíduos que deseja criar o seu próprio negócio cresce dia-a-dia. O fenômeno do empreendedorismo vem se alastrar pelos quatro cantos do mundo, em ritmo cada vez mais alucinante. O candidato a empreendedor tem que vencer uma verdadeira corrida de obstáculos para poder concretizar o sonho de ser dono de seu próprio negócio.

Podemos perceber claramente a presença dos “5Ps” do empreendedorismo – paixão, perseverança, paciência, prudência e prática no comportamento dos empreendedores de sucesso.

Esperamos que a leitura deste artigo, ao mesmo tempo em que discorre sobre empreendedorismo, desperte no leitor a força do espírito empreendedor como opção de vida. O empreendedorismo – que é igual a espírito empreendedor + liberdade de ação + oportunidade – será a alternativa profissional para muitos indivíduos no século XXI. Vivemos a Era do poder da informação, dos negócios on-line, da força das idéias audaciosas… e da sorte. As idéias são “a nova moeda” do mundo empresarial.

Quem tem uma idéia, um sonho, depara-se com duas opções: ou faz o que é necessário para colocá-lo em prática ou arranja muitas desculpas para não o fazer. A segunda opção é a única alternativa que pode fazer a pessoa se arrepender para o resto da vida. O empreendedor, criador de empresas, sabe que “tentar e falhar é, no mínimo, aprender. Não chegar a tentar é sofrer a perda incalculável do que poderia ter conseguido”.

Discorrer sobre o empreendedorismo no Brasil solicita uma visita por toda a história política, econômica e social do País. Fazer uma ponte com as revoluções econômicas e sociais do mundo também é necessário. Mas, principalmente, é preciso olhar atentamente para o homem e para a mulher, o empreendedor e a empreendedora. Para as mudanças, a emancipação, o desenvolvimento e as transformações porque eles (as) passam.

Falar de empreendedorismo é falar do ser humano e, por conseguinte, da capacidade nata que ele tem de se moldar, suplantar e transcender aos limites impostos a ele. É encontrar uma saída, e, diga-se de passagem, uma boa saída, para os momentos de crise. É falar de conhecimento, inovação, sabedoria, visão, ousadia, coragem. É falar de ética, de novas possibilidades e caminhos por desvendar. Criação e experiência de novos saberes, desejos. É, acima de tudo, falar de futuro. É falar de escolhas, da possibilidade de se escolher que futuro se quer e que começa a ser planejado no hoje, no agora.

Não me deixa pessimista, mas cansado, ver como os homens públicos abusam de nossa paciência em ver mediocridades, em ouvir mentiras, em ver repetições. Só num país em que o marketing chegou ao cúmulo do abuso se consegue entregar ambulâncias velhas – Primeiro Emprego – para empregar 250 mil pessoas e empregam-se 500. Vivemos num país em que os processos não valem mais, valem apenas os eventos, o que parece ser. Em vez de criar um Programa Primeiro Emprego, por que não valorizar o empreendedorismo que já está aí? É isso que peço as autoridades: por favor, não inventem nada de novo. Dêem força ao que está aí. Primeiro Emprego? Não. Primeira Empresa!

Este texto é uma reflexão acerca do empreendedor(a) do século XXI, seu surgimento, a relação emprego x trabalho e, finalmente, a materialização de uma visão, e por que não do sonho, em uma oportunidade de negócio.

Junho 24, 2008

clandestinos:indesejados ,mas necessários

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:01 pm

O Parlamento da União Européia acabou de aprovar uma lei para tratar a questão da imigração ilegal para essa parte do globo. Trata-se de uma lei muito mais dura que as atuais e já virou alvos das organizações de direitos humanos que a acusa de violar esses direitos. Por essa nova legislação um migrante clandestino pode ser mantido preso por um período de até 18 meses e mesmo crianças pode vir a serem detidas. Além disso, o migrante expulso não poderá entrar de novo no país que o expulsou por um período de 5 anos.

 

Segundo informações divulgadas pele imprensa haveria na Europa algo como 8 milhões de migrantes ilegais dos quais 400 mil seriam de brasileiros e a cada ano 2 milhões de novos migrantes entram nos países da união européia. Trata-se de um numero bastante elevada e fundamentam a preocupação dos governos da união Européia sobra o assunto.

 

A medida ,no entanto, parece um contra senso posto que um das maiores ameaças que paira sobre o velho continente é justamente o encolhimento da sua população com todas as conseqüências negativas daí decorrentes. Os demógrafos calculam que uma população atinge um equilíbrio – estado estacionário onde a população apenas se repõe – quando se tem 2,1 filhos por mulher na idade ativa. Na larga maioria dos países componentes da União Européia esse número já está bem abaixo daquele que garante o equilíbrio. Na Espanha caiu abaixo de 1,8,o mesmo acontecendo com a Itália. A situação dos outros países europeus não é muito diferente disso, com populações mostrando tendências declinantes. O mesmo fenômeno vem sendo sentido nos países do leste europeu, sendo particularmente grave na Rússia.

O declínio da população de um país ou região tem como conseqüência sobremodo grave a redução do crescimento potencial do seu produto interno bruto. O crescimento potencia do produto interno bruto é uma medida usada pelos economistas para calcular o quanto uma economia pode crescer sem pressões inflacionárias e essa medida depende do estoque de capital e do tamanho sua força de trabalho – população economicamente ativa – e, evidentemente, da produtividade desses fatores.

 

Ora, se a força de trabalho é declinante seria necessária uma elevação muito grande na produtividade do fator trabalho para compensar esse encolhimento. Ao que parece,no entanto, a produtividade do trabalho não está sendo suficiente para compensar o declínio no estoque de trabalhadores e,desse modo, só restaria como saída importar mão-de-obra.

 

Essa é a solução que vem sendo adotada pelo Canadá e pela Austrália e também pelos Estados Unidos. A importação de mão-de-obra tem compensado o declino da população ao mesmo tempo em que supre força de trabalho para atender ao incremento da demanda provocada pelo crescimento da economia.

 

A Austrália, que cresce aceleradamente há 17 anos, está sofrendo carência de todos os tipos de profissionais, desde motoristas de caminhão, cujo salário anual é de US$ 97,000, até engenheiros.E assim vem adotando uma política explicita de atrair migrantes e 300.000 deles entram nesse país em 2007.O Canadá vem também incentivado a absorção de migrantes criando inclusive facilidades para que o migrante possa, depois de certo tempo, trazer sua família [pais].

 

A Europa,no entanto, parece ter dificuldades de adotar uma tal política ,ainda que dela precise desesperadamente. Isso parece ser um traço predominante do velho continente posto que se sempre se caracterizou por expulsão de população,inclusive a sua própria expelidas que foram para America e Austrália e até mesmo para a África.

 

Parece que o velho continente tem dificuldade em tratar com a diversidade cultural diferentemente das Américas que por ser terra de emigração desde cedo apreendeu a absorver, sem maiores tensões, povos e culturas os mais diversos. Não se podem esquecer as explosões de nacionalismo que vicejou nesse continente entre fins do século XIX e até meados do século XX e a sua mais recente manifestação nos anos 90 que despedaçou a ex- Iugoslávia

 

Assim eles [os europeus] precisam dos migrantes, mas não os aceita, daí a situação paradoxal. Considere-se ademais que os migrantes clandestinos, os 8 milhões que se informa existirem na Europa, estão, ainda que clandestinos, trabalhando, e, portanto produzindo riquezas nos países onde habitam. Se fossem, por hipótese, todos expulsos de uma só vez com certeza as economias européias sofreriam grandes impactos.

 

Os europeus parecem temer perder a sua identidade com o afluxo de populações forâneas.Americanos ,australianos e sul africano por não terem uma identidade própria [desde cedo foram constituídos de muitos povos] não teriam o que perder e assim seria muito mais receptivo a acolher a diversidade que naturalmente se segue dentro de um processo de influxo migratório.

 

O que vai acontecer na Europa e difícil de prever. Todavia as perspectivas não são das mais animadoras. Gilles Merrité no seu artigo “Pressão Demográfica Ameaça Descaracterizar a Europa” [Estado de São Paulo 15/06/2008] diz que hoje a preocupação dos países é “Hoje a visão política em muitos países da EU está concentrada no desemprego, considerado principal doença a ser curada, enquanto a real ameaça é a escassez cada vez maior de pessoas para preencher as vagas de trabalho”.

 

Nesse mesmo artigo e citando a Comissão Européia para Assuntos Financeiros e Econômicos, a população européia economicamente ativa vem encolhendo tanto que a partir de 2010, o crescimento econômico anual máximo da Europa Ocidental deve cair de 2.3%,registrados nos últimos anos para 1,8% ao ano e para somente 1,3% ao ano a partir de 2030.As conseqüências desses fatos são dramáticas pois isso significa redução de impostos, de contribuições previdências com impactos danosos sobre o bem estar geral das populações

 

Sem migração não será possível aos países dos EUA e da EU manter os seus padrões de vida. Todavia o problema na EU se afigura de maior gravidade na medida em que elas não conseguem lidar, como fazem os americanos, com assuntos delicados que se colocam na esteira da diversidade cultural e religiosa.

 

Eduardo A. Paiva de Almeida

20/junho/2008

 

 

 

Maio 22, 2008

Modos & Moda

Arquivado em: Arranjo Produtivo Confecção, Moda — mercadoglobal @ 11:28 pm
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Artigo de Izabelle Barros *

A moda pode parecer, para muitos, absurda e arbitrária, coisa simples e surpeficial, mas na verdade, não é bem assim. Segundo o filósofo francês Gilles Lipovetsky “… a moda não existiu em todas as épocas nem em todas as sociedades…”. Foi a partir do Renascimento, no final do século XIV e começo do século XV, com o aburguesamento do estilo de vida e aceleração da vida urbana que começou a se estabelecer uma competição e uma busca do novo enquanto ideal.

 

Mas, se antes não existia moda, o que existia? Havia modos de vestir que caracterizavam certos povos em determinados períodos históricos. Essas indumentárias não se alteravam com a mesma velocidade das mudanças que passaram a ocorrer a partir do fim da Idade Média.

 

Na seqüência, a moda começou a aparecer como um sistema, tornando-se complexa e devendo ser compreendida como um fenômeno sócial:a moda é um reflexo de fatores ideológicos, políticos, religiosos, culturais, sexuais e artísticos de uma época.

Desde o século XIX, que a moda começa a ser objeto de estudo de sociólogos e outros estudiosos, só nos anos 60, adquiriu caráter científico e espaço dentro das universidades. Hoje, estuda-se moda em um contexto abrangente, enfocando-se não só a estética, mas também como uma forma de conhecer a sociedade contemporânea.

 

Para o sociólogo George Simmel, a moda pode ser explicada através de um olhar social e antagônico: a “ imitação ”, onde o indivíduo quer se igualar, na tentativa de obter pertencimento a um grupo social e a “diferenciação”, na qual se pretende destaque, inovação, tendo atitudes novas e criando novos estilos. Essas vertentes apesar de serem contrárias, se complementam e tornam a moda cíclica. O que é diferente hoje pode se tornar amanhã uma referência de estilo.

 

Neste mesmo contexto a moda aparece como um artifício, uma “segunda pele” usada para renovar a aparência, revelando aspectos dos quais pode-se não estar consciente, manifestando vaidade, erotismo, modernidade ou até  mesmo discrição.

 

Outro aspecto interessante que vale ser ressaltado é a diferença entre moda e “modas”. A primeira refere-se à constante variação das formas de vestir. A segunda está relacionada aos comportamentos adotados temporariamente por uma sociedade. Hoje está na moda navegar na internet, ouvir música eletrônica, comer sushi e assistir aos domingos um filme nacional. A essência deste fenômeno social é a mesma que impera na moda do vestir: trata-se da constante mutação do velho para o novo, do que está ultrapassado para o que está na última moda.

 

Depois desta pequena reflexão percebemos mais claramente que a indústria da moda, filha dileta do capitalismo, é sistemática, efêmera e autofágica, alimentando-se sempre de si mesma.

 

È esse movimento constante, de curto ciclo de vida que permite  a evolução. Por isso, se a moda pode ser resumida em uma única palavra  esta seria MUDANÇA!

*Bacharel em Estilismo e Moda pela Universidade Federal do Ceará e Especialista em Ensino da História das Artes e das Religiões pela Universidade Federal Rural de Pernambuco 

Professora do Curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda da Universidade de Pernambuco e do Curso de Design de Moda da Faculdade SENAC PE

Maio 20, 2008

O MARKETING DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS:

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Economia, Moda — mercadoglobal @ 3:04 am

O MARKETING DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS: UM ESTUDO COM DEZ EMPRESAS DA INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO DE CARUARU

 

Degles Henrique Gonçalves de Siqueira

UPE-FCAP

Caio Anderson de Arruda Siqueira

 

RESUMO

Este trabalho apresenta as práticas de marketing comumente adotadas por dez empreendimentos de Caruaru que fazem parte do Arranjo Produtivo Local Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano (PCA). Nele, objetivou-se explorar, de forma quantitativa e qualitativa, quais as práticas de marketing que as pequenas empresas dessa indústria utilizam na definição de suas estratégias de produto, suas políticas de preço e as atividades de comunicação e venda de seus produtos. Através da metodologia aplicada, questionários elaborados e observação do mercado e das atividades das empresas, constatou-se que há distanciamento entre o discurso assumido pelos gestores e a prática diária, fazendo-se necessário a estruturação de departamento ou a existência de recurso humano que possa tratar da administração de marketing nessas empresas.

 

Palavras-chave: Marketing dos vestuários; marketing da indústria de confecção; marketing de pequenas empresas; administração de marketing.

 

INTRODUÇÃO

O Pólo de Confecção do Agreste (PCA) é um dos pólos de desenvolvimento da economia do estado de Pernambuco estruturado como um Arranjo Produtivo Local (APL) devido às características específicas dos municípios que os compõem: Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Ambos, geograficamente, são muito próximos; seus produtos são semelhantes, a confecção de vestuários. Contudo, cada município possui uma especialização no segmento de vestuários. Toritama se apresenta como uma das maiores produtoras de jeans do Brasil, competindo, em segundo lugar, com o Brás em São Paulo.

Santa Cruz do Capibaribe, que no final da década de 50 tinha como base econômica a pecuária, a cultura do algodão, pequenas manufaturas de confecções e venda de calçados, atualmente, é marcadamente o município da malha para moda surfwear, streetwear, moda íntima e moda praia.

Caruaru tem como principal fonte de sua renda a indústria, com destaque para a indústria de confecção e do turismo. É um município muito diversificado na produção de confecção geral e arte figurativa.

Como metrópole do Agreste de Pernambuco atraiu nos últimos anos grandes investimentos para a formalização do APL-PCA, como: universidades públicas de iniciativa federal e estadual, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que mantém cinco cursos no município sendo um deles Design com ênfase em moda; a Universidade de Pernambuco (UPE), com dois cursos, um deles objetiva a formação e profissionalização da gestão das empresas no município, Administração com ênfase em Marketing e Moda. Além de outras entidades que atuam no ensino técnico profissionalizante, SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica.

A pesquisa objetivou explorar quais as práticas de marketing utilizadas por dez empresas para definir suas estratégias de produto, as suas políticas de preço e as atividades de comunicação e venda de seus produtos, dentro de uma observação da dinâmica dos conceitos apreendidos na academia e utilizados no dia-a-dia pelos gestores.

Para Kotler (1995) o marketing é característico das empresas vencedoras. As empresas bem-sucedidas definem seu mercado-alvo e trabalham para responder às necessidades desse mercado da forma possível, estão decididamente orientadas para os clientes. Drucker (1973) considera o marketing tão básico na constituição de uma empresa que não pode vê-lo como um departamento, uma unidade distante ou isolada, mas como o empreendimento como um todo do ponto de vista de seu resultado final. Esse resultado não é determinado pelo produto, mas sim pelo cliente, isto é, o direcionamento da empresa deve ser para o consumidor final. Marketing, portanto, é uma forma de se fazer a Administração.

As relações de consumo dos produtos de confecção e moda estão impregnadas de relações simbólicas que perpetuam a experiência com as empresas. Produto aqui são as peças para vestuários confeccionadas pelas dez empresas pesquisadas, não considerando os componentes acessórios da moda.

Quando se trata de pequenos negócios, é muito comum verificar que os gestores acabam protelando o plano o marketing ou interpretando o marketing um departamento à parte, ou menos ainda, como ações pontuais de comunicação usando-se da propaganda em outdoors, cartazes, spots, comerciais, dentre outros. Deixando de encarar o marketing como um fator decisivo para o êxito do pequeno empresário (…) porque tudo nasce do mercado e tudo se dirige para ele (GRACIOSO, 1995).

A grande quantidade de pequenos negócios em Caruaru no segmento de confecção, como também, as empresas de confecção que vem de outras regiões do Brasil, solicita aos empresários um marketing mais agressivo para a sobrevivência de suas empresas (SARQUIS apud CONRAD, 2003).

Rosa (1992) observa que as práticas mostram que realmente são poucas as empresas que utilizam o marketing de forma efetiva e a média dos proprietários das pequenas empresas de fabricação é fraca em organização de marketing (IKEDA, 1993).

Empresas voltadas para a produção ou somente para si mesmas sinalizam que o cliente não passa de um mal necessário. Adotam uma postura egocêntrica nos negócios o que poderia ser válida quando a empresa moderna era um fenômeno recente, no entanto, isso já é coisa do passado. Os clientes, hoje, não estão sempre disponíveis para comprar produtos. Procuram soluções. Procuram alimentar personalidade e expectativas (HAMMER, 2001).

 

METODOLOGIA

Algumas questões que figuram em um trabalho científico são em torno de sua metodologia e como foi conduzido pelos pesquisadores. A pesquisa fez uso do método indutivo não buscando generalizações, aprioristicamente, mas constatando-as a partir da observação de casos concretos (LUCENA apud GIL, 2004).

A metodologia da pesquisa constou de cinco etapas: revisão bibliográfica e caracterização econômica do Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano utilizando o relatório final da publicação de mesmo título apresentado ao SEBRAE-PE em 2003; definição de como iria ser alcançado o público-alvo da pesquisa; elaboração de um questionário para entrevistas; contato com os gestores para agendamento da entrevista, contando com a ajuda de uma empresária local; tabulação dos dados e análise final.

As empresas foram selecionadas a partir de critérios de conveniência, relativa proximidade geográfica e acesso aos gestores na disponibilização de seu tempo para resposta às questões de um questionário e condução dos pesquisadores pelo dia-a-dia da empresa, levando-os a visualizar como é feito na prática os pontos do questionário. Essas empresas foram escolhidas aleatoriamente de uma lista fornecida pela FIEPE – Caruaru. A amostragem, portanto, se deu não-probabilística já que intencionalmente escolheram-se as empresas que iriam participar do estudo.

O instrumento para coleta de dados foi um questionário adaptado da obra de SARQUIS (2003). Constou de 32 questionamentos alinhados em quatro pontos focais para o levantamento das práticas de marketing que as pequenas empresas utilizam. São os pontos: questionamentos relativos quanto às práticas de produto, com 9 questões; quanto às práticas de preço, contendo 7 questionamentos; quanto às práticas de comunicação e vendas, com 13 proposições e sobre a prática de planejamento de marketing, contendo 2 questionamentos. Finalizava-se o questionário com uma parte para considerações finais, onde se perguntava sobre a satisfação do desempenho mercadológico da empresa, 1 questão, e um espaço para comentários gerais. As questões foram fechadas e algumas com múltipla escolha. Após a entrevista o pesquisador era convidado a conhecer as instalações da empresa, o que prolongava a permanência por cerca de 2 horas. Anotações relevantes eram realizadas logo após essa apresentação da empresa na saída.

Não foi utilizado nenhum software específico para análise de dados, após a tabulação. Utilizou-se, exclusivamente, do software Microsoft Excel 2007 para a criação de tabelas dinâmicas e geração de gráficos.

 

APRESENTAÇÃO DOS DADOS

 

Quanto às práticas de produto

Em relação às práticas de produtos analisou-se a identificação da empresa e produto; sobre a estratégia de marca; a freqüência do controle da qualidade dos produtos; a utilização de embalagens como instrumento de marketing; os serviços de apoio ao produto; o desenvolvimento de produtos; a obtenção de idéias para produtos e como é feita a análise do desempenho dos produtos.

Em relação à identificação da empresa todas elas possuem marca registrada, 20% trabalham com marcas de terceiros, 100% possuem logotipo para suas marcas próprias ou para as de terceiros e 20% utilizam slogans. A estratégia de marca utilizada pelas empresas é a marca de produto, 70%, que, na prática, se confunde com a empresa, não havendo uma distinção entre marca institucional e de produto. 40% das pesquisadas utilizam marca da empresa como estratégia.

A qualidade dos produtos é um item de extrema importância para as empresas. A totalidade das empresas possui controle da qualidade em diferentes formas: controle da matéria prima, antes da fabricação do produto, 100%; controle da qualidade durante o processo de fabricação, 100%; testes de controle de qualidade (testes de gramatura, encolhimento da peça, fixação do tingimento, etc.), 90% e a realização de inspeção final da peça antes da distribuição, 100%.

A embalagem é pouco usada como instrumento de marketing. Os gestores entendem que a embalagem não é um item que pesa na hora da compra de seus produtos, uma vez que, as lojas expõem os produtos fora de suas embalagens originais. Basicamente, as embalagens são instrumentos de proteção e conservação do produto, 90%, para as empresas; facilitadoras do manuseio do produto, 70%; 40% das empresas levaram em consideração elementos de comunicação da embalagem, transmitir informação sobre o produto/empresa.

O apoio aos produtos é um fator controverso na pesquisa. 60% das empresas dizem manter atendimento ao consumidor final. Na prática não pode ser percebido esse canal. Falta estrutura na empresa. Ao contrário do atendimento aos consumidores intermediários, 50%, que é vigoroso, através dos representantes comerciais e relação entre os gestores e os seus clientes intermediários, por telefonemas, e-mails, visitas, entre outros.

Outros serviços de relevância: entrega de mercadorias, 50% das empresas cuidam da entrega; troca e devolução dos produtos com problemas, 40%; informação do mercado aos intermediários, 40%; e acompanhamento pós-venda pela empresa é um fator crítico, 20% das empresas fazem regularmente.

Ainda relativo à prática de produto, o item sobre desenvolvimento de produto revelou as atividades mais comuns adotadas pelas empresas, algumas até controversas. As empresas, 90%, consideram o desenvolvimento de peças para novas coleções como produtos realmente inéditos. No entanto, consideram-se produtos realmente inéditos aqueles que se desenvolvem dentro da estrutura de criação da empresa através de pesquisa e construção de conceitos próprios e não a livre adaptação de peças que já estejam em circulação no mercado, seja nacional ou internacional. Na verdade, os produtos considerados “realmente inéditos” são melhores compreendidos como novos produtos lançados pela empresa ou inéditos para os gestores e não para o mercado. Dessa forma entendido, o nível de empresas que lançam produtos inéditos é muito baixo. No entanto, as empresas são ousadas quando atuam no desenvolvimento de produtos que são novos para elas; 90% das empresas conseguem desenvolver produtos que são novos para seus métodos de produção, mostrando a capacidade de adaptação ao mercado. 80% estão efetuando modificação em produtos existentes na empresa. Com freqüência as peças mais básicas que sempre compõe as coleções. Ainda, existe a parceria de desenvolvimento de produtos com os clientes intermediários, 80%.

No quesito insucesso com os produtos, 30% das empresas afirmaram ter problemas com produtos em lançamentos de coleção. Alguma peça que não foi bem aceita como esperado. 90% das pesquisadas realizam teste em seus produtos. O que serve para justificar o índice de insucesso em uma coleção.

Os caminhos para a obtenção das idéias, sugestões para o desenvolvimento de suas coleções, por ordem de importância são: os clientes intermediários, uma totalidade das empresas considera suas recomendações; a equipe de venda, 90%; consumidores finais e fornecedores, 80%; os fornecedores possuem um canal muito estreito com essas empresas. São eventos semestrais para demonstração das tendências em modelagem, tecidos, cores, estampas em seus showrooms que acaba influenciando o planejamento da coleção. Os menores índices, contudo não desprezíveis, são: intuições próprias, amigos e familiares, funcionários, com uma participação no desenvolvimento de um projeto de coleção em 60%. Estudar os passos do concorrente não é relevante para as empresas pesquisadas: 30% das empresas fazem com freqüência a análise do desenvolvimento do concorrente, 40% às vezes, 30% nunca fazem.

A avaliação dos produtos é um hábito, no entanto, não sistematizado. Os itens mais relevantes para uma avaliação foram: a taxa de crescimento das vendas, 80% e a participação percentual no faturamento da empresa, 60%.

 

Quanto às práticas de preço

No geral a política de definição de preço é um trabalho sistêmico e prática comum entre as empresas focadas no mercado, que consideram o valor percebido de seus produtos na elaboração do preço. Os itens mais assinalados pelas empresas, quanto aos objetivos norteadores de uma política de preço foram: maximizar o lucro em longo prazo, 50%; manter lealdade e apoio aos intermediários, 30%; maximizar o lucro em curto prazo, 30%.

Os métodos utilizados para elaborar o cálculo do preço de venda são: margem de contribuição, 80%; valor da concorrência, 10% e fixação do retorno sobre o investimento (ROI), 10%. Nenhuma empresa define seu preço considerando o valor percebido pelo mercado.

Os fatores que influenciam com maior freqüência a definição do preço de venda nas empresas são os custos, 80%, a sensibilidade do produto ao preço, 40% e objetivos e imagem desejada pela empresa, 40%. 10% dizem considerar o preço do concorrente, mas todas as empresas mantêm-se na média de preço do mercado, quando vão estruturas suas estratégias de preço.

O fator custo como o que mais influencia a definição do preço de venda sinaliza a utilização de sistemas de controle de custo pelas empresas. 80% das empresas utilizam a apuração do custo por processo e a contabilização do custo fixo pelo custeio direto ou variável (80%).

No que se refere aos seus recebimentos e aos créditos cedidos pelas empresas aos clientes intermediários, todas adotam como medidas de proteção à manutenção constante de seu cadastro de clientes intermediários, analisam a situação creditícia deles antes da emissão da nota de fatura, a consulta permanente às entidades protetoras do crédito e a cobrança devida das pendências.

 

Quanto às práticas de comunicação e venda

Não é suficiente fazer um bom produto. Tem de fazê-lo conhecido pelo mercado. Em relação às práticas de comunicação e venda explorou-se os seguintes itens: a freqüência com que a empresas utiliza de propaganda para promover seus produtos e quais as mídias escolhidas; o método para determinar o montante de investimentos em propaganda; o método para avaliar o resultado da propaganda; a utilização da promoção para incrementar a venda; a existência da prática de merchandising no ponto-de-venda (PDV); quais as atividades de administração de venda adotada pelas empresas e os problemas mais comuns com essa administração; a sistemática para a remuneração da equipe de venda e o controle da equipe; a utilização do marketing direto e quais os destinatários freqüentes das ações de marketing.

A comunicação é entendida como o conjunto de sinais que são emitidos pelas empresas em direção aos seus clientes e a todos os alvos (LENDREVIE, e.o. 1996). Esses sinais, ou mensagens devem ser administrados pelos gestores, como também, os canais por onde as mensagens caminham. Desta forma, a empresa trabalha na construção de suas marcas no mercado, elaborando fichas simbólicas, ou legissignos.

Os legissignos ou fichas simbólicas (ECHEVERRIA, 2006), são compreendidos como a própria marca que a empresa constrói no mercado, capaz de representar sistemas peritos, sistemas de excelência técnica ou competência profissional que organizam grades áreas dos ambientes, material e social em que vivemos hoje (ECHEVERRIA apud GIDDENS, 2006). São os legissignos, as marcas, que facilitam a troca, sobretudo econômica, ao criar um denominador comum e reduzir as incertezas dos consumidores no ato da compra. Por isso, a gestão do marketing e comunicação faz-se importante. Com a existência ou não de um planejamento da comunicação, a comunicação dos produtos de uma empresa sempre vai acontecer, e mal. A empresa está sempre comunicando com suas ações no mercado e não pode ceder a outro o que é de sua responsabilidade.

As empresas utilizam com maior freqüência a divulgação boca-a-boca de seus produtos, 70%; outras mídias de destaque: adesivos, brindes e buttons, 40%. Optam por mídias mais simples de executar e com baixo custo envolvido.

TV rádio ou cinema, com maior destaque para Rádio e TV, foi usado por 20% das empresas. As embalagens ou sacolas plásticas são pouco utilizadas, 20%, os gestores não vêem que essa mídia agregue valor ao seu produto ou ajude comunica-los e não sabem como explorá-los no PDV. Em seguida, podem-se destacar também, panfletos ou prospectos, 30%; painéis, faixas e outdoors, 20%.

Determinam o montante de investimento em propaganda pela disponibilidade de recursos, 50%; utilizando o método objetivo-tarefa, 30% e o método da porcentagem sobre as vendas, 20%. Nenhuma das empresas considerou o método da paridade competitiva para determinar o investimento em propaganda.

Para avaliar o resultado da propaganda utilizam-se do cálculo do impacto sobre o volume de vendas, 60%. Outros métodos citados: taxa de conversão de novos clientes, 20%, e índice de procura por informações, 20%.

A promoção para incrementar a venda em curto prazo e apoiar os clientes intermediários foi outro item estudado na prática de marketing das empresas: 50% utilizam-se de feiras e exposições; 40%, prêmios de incentivo à compra em parceria com os clientes intermediários; 40% ainda utilizam de pacote de preços promocionais.

Utilizar displays ou outros elementos que dê destaque aos seus produtos no PDV foi uma alternativa pouco freqüente entre as empresas, 90% nunca fizeram uso desse recurso. A prática do merchandising de seus produtos no PDV é nula. E verificamos que muitas das marcas são comercializadas em lojas multimarcas. Somente 20% das pesquisadas afirmaram usar, às vezes, material de venda para destacar seus produtos. Outros itens da lista de análise foram selecionar o melhor local para o produto, 10% às vezes fazem; exposição promocional no PDV, 10% às vezes usa esse recurso. Uma das empresas revelou que em uma semana específica do mês visitavam as lojas revendedoras com modelo que visitam as peças, contudo, essa prática foi deixada de lado devido às responsabilidades com a produção, pesquisa, distribuição e muitas outras que a empresa demandava.

Em relação à administração de venda 40% motivam suas equipes ou revendedores; 40% definem os objetivos de venda e as metas de sua equipe; e, em 30% das empresas, o proprietário-gerente-empreendedor sente-se o vendedor nº. 1. Isso se dá, de certa forma, porque as empresas da pesquisa usam de representação comercial para a venda, objetivando a redução dos custos.

As pequenas empresas que apontaram problemas/dificuldades com a administração de venda os fizeram principalmente com relação aos seguintes aspectos: sistema de recrutamento e seleção, 10; funções e responsabilidades da equipe de vendas, 20% e problemas com técnicas de venda, 20. Não possuem problemas com o zoneamento territorial das vendas delimitando bem o espaço geográfico que pretendem atuar.

Esses números da administração de venda estão intimamente ligados com o método de venda adotado, a representação comercial da marca por terceiros especializados. As empresas não utilizam de outras empresas para fazer as vendas, nem de uma equipe própria de vendedores, mas de profissionais liberais que assumem a responsabilidade da venda de vários produtos representando as marcas e visitando os clientes intermediários. Uma representação concedida que nem sempre implica na exclusividade do representante, podendo, ele, comercializar até marcas concorrentes.

A remuneração adotada por 80%das empresas para a equipe de venda é uma participação comissionada, geralmente em 10%, sobre as vendas. 20% das pesquisadas adotam um sistema misto, salário fixo mais comissão. Nenhuma empresa assinalou o uso de salário como remuneração.

Os itens mais utilizados para o controle e desempenho de vendas são vendas globais da empresa (90% acompanham mensalmente). 30% das empresas acompanham mensalmente os métodos e técnicas de vendas utilizadas pelos vendedores.

Relativo à prática de marketing direto as empresas focam em uma única ferramenta o telefone que não se configura em um telemarketing profissional (50% sempre fazem); a mala-direta é outra ferramenta de destaque (40%). O uso dos catálogos não é uma constante entre as empresas, 60% às vezes optam por essa ferramenta.

Quando utilizado o marketing direto 90% das empresas tem como destinatário da ação o varejista e 80% o consumidor final. Para essa questão os empresários poderiam optar por mais de um dos itens. As ações são de marketing direto são planejadas a partir do bando de dados pessoal da empresa (100%), para varejistas. Em relação aos consumidores finais não se pode saber.

Questionadas sobre a existência do plano mercadológico, apenas 30% das pequenas empresas responderam que dispõem de um plano formalizado, com objetivos, ações, cronograma e orçamento definidos. As demais, 70% delas, responderam não. Basicamente possuem uma orientação “na cabeça” de certa idéia que pretendem realizar, mas nada documentado.

As que não possuem um plano foram questionadas sobre as razões: 50% alegam falta de tempo; 40% afirmam falta de habilidade ou conhecimento em planejamento; e 30% alegam falta de dados e informações.

Chama atenção na análise dessa questão que a metade das pequenas empresas alega falta de tempo para realizar o planejamento de marketing e um número muito grande alega a falta de conhecimento sobre planejamento. Sinalizam um conhecimento superficial do marketing para o planejamento. Com base nos contatos pessoais, a falta de prioridade para o marketing se justifica devido à deficiência no conhecimento efetivo do significado do marketing para pequenas empresas, a sua importância e o processo de planejamento.

Dessa forma, aponta-se que os resultados dessa pesquisa, no que tange à prática de planejamento de marketing, confirmam as pesquisas de IKEDA (apud SARQUIS, 2003) segunda a qual a maioria das pequenas empresas se revelou deficiente na prática de planejamento, especificamente no planejamento mercadológico/comercial. Eles estão agindo em desconformidade com as recomendações o que pode ser perigoso para os negócios da indústria de confecção em Caruaru.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise dos resultados apresentados, é possível tirar conclusões básicas a respeito da prática de marketing das empresas da indústria de confecção em Caruaru. Na conjuntura presente, as empresas não se preocupam com o marketing sistêmico. Estão voltadas para seus produtos e concretização das vendas. Tornam-se empresas voltadas para o mercado local com pouca expressão no mercado nacional.

Para identificar seus produtos usam marca própria que se vincula a empresa não existido distinção. A marca do produto confunde-se com a instituição e adotam logotipos; levam como estratégia de marca, a marca do produto.

O controle da qualidade de seus produtos é rigoroso por meio de inspeção ao longo do processo, desde a compra da matéria-prima, a produção, até a entrega do produto ao cliente intermediário. As embalagens são usadas para proteger e facilitar o manuseio do produto para os clientes intermediários e não vêem meios de as utilizarem como ferramenta de comunicação no ponto-de-venda.

Os serviços de apoio aos produtos oferecidos são mais especializados para os clientes intermediários como o atendimento, a entrega da mercadoria, a troca e devolução dos produtos e o acompanhamento pós-venda. Deixando o atendimento ao consumidor final muito a desejar.

Desenvolvem produtos novos para o mercado, mas não inéditos. Não desenvolvem produtos em parceria com clientes e adotam como fonte de idéia e sugestão: os clientes intermediários, consumidores, intuição própria, familiares, equipe de venda e fornecedores. Dispõem de certa diversificação de produtos, com uma de linha de produto com vários itens, geralmente, em média, composto por 46 itens.

Analisam o desempenho de seus produtos ou linhas dentro dos seguintes critérios: a taxa de crescimento das vendas, a participação percentual no faturamento da empresa e menos a perspectiva de competitividades.

A estratégia de preço amplamente utilizada é a paridade com o mercado. As pequenas empresas têm objetivos coerentes como orientadores da política de preços, tais como maximizar o lucro em curto e longo prazo, participação no mercado, manter lealdade e apoio dos intermediários e criar interesse e entusiasmo pelo produto. Utilizam como método para o cálculo do preço do produto a margem de contribuição e em segundo lugar, ROI e valor da concorrência e consideram os custos nessa fixação de preço, contudo, não levarem em consideração o valor percebido pelo mercado devido poucos investimentos em comunicação.

Divulgam e promovem os produtos via comunicação boca-a-boca, adesivos/brindes e panfletos ou prospectos. Determinam o investimento para propaganda através da disponibilidade de recursos e não se planejam para comunicar seus produtos. Quando comunicam por propaganda avaliam a comunicação pelo impacto sobre o volume de vendas.

As pequenas empresas usam para incrementarem as vendas as feiras e exposições, prêmios (brindes) de incentivo às compras, pacote de preços promocionais. Elas não praticam merchandising no ponto-de-venda de seus produtos.

As atividades de administração de vendas mais comuns são: motivação da equipe; definição de objetivos e metas; pacote de preços promocionais para os vendedores. Poucos proprietários agem como vendedores nº. 1 da empresa. O sistema de comissionamento para remunerar os vendedores é mais freqüente e o acompanhamento do desempenho de vendas é feito por meio da análise da venda global e de seus vendedores (representantes), mensalmente.

Como ferramenta de marketing direto, destaca-se: o telemarketing sem o envolvimento de intermediários especializados e a mala-direta que tem como suporte um banco de dados pessoal (de clientes intermediários) e tentam equilibrar-se entre varejistas e consumidores finais, no entanto, a ênfase é para ações com varejistas.

Falta planejamento mercadológico nas pequenas empresas, e questionado os motivos, os gestores alegaram: falta de tempo, dados e informações e conhecimento efetivo para planejarem o marketing das empresas.

Diante da deficiência em marketing, observadas em alguns pontos na pesquisa, convém recomendações importantes que posam melhorar a prática das empresas da indústria de confecção em Caruaru.

As empresas devem dispor de informações sobre seus clientes, consumidores, concorrentes e sobre dados internos com fidelidade e método. Para isso, necessita-se de uma sistematização na coleta e análise dos dados e informações de marketing; devem fazer uso de formas estruturadas de pesquisa, entrevista com grupo de clientes, abertura de canais e registros das percepções do produto que o cliente tem.

Na prática de produto devem-se utilizar melhor as embalagens e etiquetas como efetivos instrumentos de marketing adquirindo material diferenciado, com bom visual gráfico. Que o critério do desempenho do produto seja maior e melhor mensurável e bem formalizado: demonstrativo de vendas, curva ABC de produto, mapa de rentabilidade por produto e quadros de evolução das vendas. Que seja intensificada a identificação do produto e da empresa, logotipos e slogan para auxiliar no posicionamento.

Possam, em relação à política de preço, adotar métodos de determinação de preço mais compatíveis com o mercado como a margem de contribuição e o valor percebido pelo mercado. E que contem mais com os contabilistas na organização dos dados de custo e contabilidade em geral.

No que se refere à comunicação de marketing e vendas, sugere-se investir em propaganda via mídia alternativa e segmentada possibilitando a construção da marca; monitorar o boca-a-boca sobre a empresa e influenciar conscientemente esse processo; realizar ações de relações públicas como promoção de eventos, relação com a comunidade, contato com a imprensa regional através de envio de artigos para as áreas opinativas, apresentação em palestras, em faculdades ou órgãos de classe; adotarem publicação de informativos para os clientes intermediários e finais, que podem ser impressos ou utilizando os recursos da Web 2.0. Investir em merchandising para o ponto-de-venda via material para PDVs, exposição promocional, terceirização de serviços para consultorias.

Possibilitar que pelos representantes e vendedores o cliente final tenha acesso à empresa. Possibilitar o melhor recrutamento dos vendedores e tentar garantir exclusividade de serviço por parte dos representantes com muitas marcas que sejam concorrentes diretos das empresas. Aproximar-se dos vendedores das lojas que trabalham com multimarcas motivando-os a apresentarem seus produtos como principais.

A metodologia de planejamento, por fim, deve ser aprendida pelo proprietário-gerente seja por leitura de livros, participação de cursos rápidos, cursos pela internet, como através de graduação nas áreas da administração. Também procurem consultoria externa que colabore com o crescimento dos pequenos negócios formando parcerias. Monte anualmente o planejamento mercadológico com a equipe de administração e saiba delegar melhor as atividades dentro da empresa para que a gestão seja mais bem administrada no tempo. E não se esquecer de compartilhar as decisões do plano de marketing com os clientes internos e também comunicar-se bem dentro da empresa.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BLESSA, Regina. Merchandising no ponto-de-venda. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2003.

 

DE FELIPPE, Bernardo Jr. Pesquisa: o que é e para que serve? Brasília: SEBRAE, 1994.

 

DRUCKER, Peter. Management: Tasks, Responsibilities, Practices. New York: Harper & Row, 1973. Disponível em:

http://books.google.com.br/books?id=ewaGKuKklgMC&dq=management+tasks+responsibilities+practices&pg=PP1&ots=Ljwgx9I6PG&sig=tdRXfCHp40VfYVLgr91aeUYJYeE&prev=http://www.google.com.br/search%3Fhl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26oi%3Dspell%26resnum%3D0%26ct%3Dresult%26cd%3D1%26q%3DManagement%2BTasks,%2BResponsibilities,%2BPractices%2B%26spell%3D1&sa=X&oi=print&ct=title&cad=one-book-with-thumbnail#PPR6,M1>. Acessado em: 3 de novembro de 2007.

 

ECHEVERRIA, Deborah. Construção da marca: análise do modelo de sucesso da Ogilvy & Mather. São Paulo: Altana, 2006.

 

EL-CHECK,Roberto. Marketing básico para pequenos e médios empresários. Rio de Janeiro: Vozes, 1991.

 

GIDDENS, Anthony; PIERSON, Christopher. Conversas com Anthony Giddens: o sentido da modernidade. Rio de Janeiro: FGV, 2000.

 

GIDDENS, Anthony. Capitalismo e moderna teoria social. Lisboa: Presença, 1990.

 

________________. As conseqüências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991.

 

GRACIOSO, Francisco. Grandes sucessos da pequena empresa: histórias reais. Brasília: Sebrae, 1995.

 

HAMMER, Michael. A Agenda: O que as empresas devem fazer para dominar esta década. Rio de Janeiro: Campus, 2001.

 

IKEDA, Ana Akemi. O marketing em empresas de pequeno porte e o setor de serviço: um estudo em agências de viagem. Brasília: Ed. Sebrae, 1993.

 

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, Planejamento, Implementação e Controle. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.

 

_______________. Administração de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000.

 

LAMBIM, Jean-Jacques. Marketing Estratégico. 3ª ed. Madri: MC Graw Hill, 1997.

 

LENDREVIE, Jacques e.o. Novo Mercator: teoria e prática do marketing. 6ª ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996.

 

MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de Marketing: Uma Orientação Aplicada. 3ª ed. São Paulo: Bookman, 2001.

 

MATTAR, Fauze Najib. Pesquisa de Marketing. Vol.: 1. São Paulo: Atlas, 1996.

 

MEGIDO, José Luiz Tejon. Pequenas empresas grandes vendedores: você é o vendedor número 1 da sua empresa. Brasília: Sebrae, 1995.

 

NASCIMENTO, Lerisson Christiam. Profissionalismo: expertise e monopólio no mercado de trabalho. Revista eletrônica de Ciências Sociais Aplicadas, v.2, n.1, jan/jun de 2007. Disponível em:

<http://www.revista.grupointegrado.br/perspectivascontemporaneas/viewarticle.php?id=47>. Acesso em 11 de março de 2008.

 

PEREZ, Clotilde. Signos da marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

 

ROSA, José Antônio. Práticas de marketing para a pequena empresa. São Paulo: STS, 1992.

 

SARQUIS, Aléssio Bessa. Marketing para pequenas empresas: A indústria da confecção. São Paulo: Senac, 2003.

 

SIQUEIRA, C. A. A.; SIQUEIRA, D. H. G. e. o. Pólos de Desenvolvimento de Pernambuco: O Pólo de Confecção do Agreste. Relatório produzido como atividade avaliativa no Primeiro período do Curso de Administração para a disciplina, Introdução à Administração.

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Estudo de Caracterização Econômica do Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano. Relatório final apresentado ao SEBRAE, maio de 2003.

 

 

 

Abril 30, 2008

O Preços da Gasolina

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:46 pm

O Preço da Gasolina e a Formação de Preços de Venda

 

O assunto da mídia parece se deslocar do caso da menina Isabella para o reajuste dos combustíveis. Essa é um assunto que realmente interessa, pois tem um impacto direto no nosso bolso.

 

Mais interessante do que o reajuste em si são os argumentos que se esgrimem para justificá-los. O principal deles é que os preços dos combustíveis  cobrado no Brasil estão defasados em relação aos preços prevalecentes no mercado internacional e assim se faria  necessário reajustá-los.

 

Confesso que, sinceramente, não entendi o argumento, pois se assim fosse o preço seria o mesmo em qualquer lugar do mundo, na Venezuela e na Arábia Saudita, que são grandes produtores de petróleo como na Suíça que não produz uma única gota sequer.

 

Num mercado onde prevalece a competição e que, portanto, não existe  nenhuma empresa dominante o preço será fixado pelas forças de oferta e demanda e,afora alguma particularidades quando as empresas procuram um diferencial para os seus produtos e assim cobrar um valor mais alto do que os seus concorrentes,nenhuma teria condições de fixar o seu preço.Usa-se dizer que nesse caso a empresa é uma price take e não um price make.

 

Essa condição, no entanto, não existe no mercado de petróleo do Brasil que é praticamente dominado pela PETROBRAS. Essa empresa é, de fato, monopolista e age como tal daí porque  tem o poder de fixar os seus preços. Essa ação e perfeitamente coerente como comportamento de uma empresa  que detém poder de mercado e busca maximizar os seus lucros.

 

Pode-se contra-argumentar que houve aumento de custos por conta da subida dos preços do óleo cru no mercado internacional. Esse fato é inegável, mas também não se pode negar que os preços pagos em dólar devem ter caídos por conta da apreciação do real nos dois últimos anos. Ao final das contas não se sabe com certeza se os preços, em dólar  que hoje se paga pela importação do óleo cru subiram e em quanto realmente subiram.

 

Há se se considerar ainda que uma parte do óleo cru que se usa no Brasil – pelo menos é isso que a PETROBRAS informa – é extraído internamente e, portanto se faria necessário saber  o quanto essa extração aumentou os seus custos – se aumentou –  em termos da moeda local. Aqui mais uma vez pode-se argumentar que sendo a PETROBRAS uma empresa internacional teria que cotar os seus preços em termos também internacionais. Afora explorações em países estrangeiros e em alguns países do quarto mundo como a Bolívia – do qual ela foi recentemente escorraçada – não me consta que a PETROBRAS venda seus produtos fora do Brasil. Não conheço refinaria da PETROBRAS na Inglaterra nem postos de gasolina dessa empresa nos Estados Unidos ou na Alemanha.

 

Podemos nos perguntar por que então devemos ter uma empresa brasileira de petróleo?. Se vamos pagar preços internacionais então deveríamos poder compra os produtos de quaisquer empresas e, logicamente iríamos comprar daqueles que nos oferecesse melhores preços. “Como dizia Alfred Marshall,célebre economista britânico do inicio do século XX,” não se pode ser patriota e popular ao mesmo tempo” .

 

Eduardo A. Paiva de Almeida

30/04/2008

O Preços da Gasolina e a Formação do Preçco de Venda

Arquivado em: Uncategorized — mercadoglobal @ 8:38 pm

O Preço da Gasolina e a Formação de Preços de Venda

 

O assunto da mídia parece se deslocar do caso da menina Isabella para o reajuste dos combustíveis. Essa é um assunto que realmente interessa, pois tem um impacto direto no nosso bolso.

 

Mais interessante do que o reajuste em si são os argumentos que se esgrimem para justificá-los. O principal deles é que os preços dos combustíveis  cobrado no Brasil estão defasados em relação aos preços prevalecentes no mercado internacional e assim se faria  necessário reajustá-los.

 

Confesso que, sinceramente, não entendi o argumento, pois se assim fosse o preço seria o mesmo em qualquer lugar do mundo, na Venezuela e na Arábia Saudita, que são grandes produtores de petróleo como na Suíça que não produz uma única gota sequer.

 

Num mercado onde prevalece a competição e que, portanto, não existe  nenhuma empresa dominante o preço será fixado pelas forças de oferta e demanda e,afora alguma particularidades quando as empresas procuram um diferencial para os seus produtos e assim cobrar um valor mais alto do que os seus concorrentes,nenhuma teria condições de fixar o seu preço.Usa-se dizer que nesse caso a empresa é uma price take e não um price make.

 

Essa condição, no entanto, não existe no mercado de petróleo do Brasil que é praticamente dominado pela PETROBRAS. Essa empresa é, de fato, monopolista e age como tal daí porque  tem o poder de fixar os seus preços. Essa ação e perfeitamente coerente como comportamento de uma empresa  que detém poder de mercado e busca maximizar os seus lucros.

 

Pode-se contra-argumentar que houve aumento de custos por conta da subida dos preços do óleo cru no mercado internacional. Esse fato é inegável, mas também não se pode negar que os preços pagos em dólar devem ter caídos por conta da apreciação do real nos dois últimos anos. Ao final das contas não se sabe com certeza se os preços, em dólar  que hoje se paga pela importação do óleo cru subiram e em quanto realmente subiram.

 

Há se se considerar ainda que uma parte do óleo cru que se usa no Brasil – pelo menos é isso que a PETROBRAS informa – é extraído internamente e, portanto se faria necessário saber  o quanto essa extração aumentou os seus custos – se aumentou –  em termos da moeda local. Aqui mais uma vez pode-se argumentar que sendo a PETROBRAS uma empresa internacional teria que cotar os seus preços em termos também internacionais. Afora explorações em países estrangeiros e em alguns países do quarto mundo como a Bolívia – do qual ela foi recentemente escorraçada – não me consta que a PETROBRAS venda seus produtos fora do Brasil. Não conheço refinaria da PETROBRAS na Inglaterra nem postos de gasolina dessa empresa nos Estados Unidos ou na Alemanha.

 

Podemos nos perguntar por que então devemos ter uma empresa brasileira de petróleo?. Se vamos pagar preços internacionais então deveríamos poder compra os produtos de quaisquer empresas e, logicamente iríamos comprar daqueles que nos oferecesse melhores preços. “Como dizia Alfred Marshall,célebre economista britânico do inicio do século XX,” não se pode ser patriota e popular ao mesmo tempo” .

 

Eduardo A. Paiva de Almeida

30/04/2008

Abril 26, 2008

Assalto na BR 423 : Seria cômico se não fosse trágico

Arquivado em: Administração, Uncategorized — mercadoglobal @ 3:37 am

São 5:30 da manhã do domingo, 13 de abril de 2008. No estacionamento da Faculdade de Filosofia do Recife – FAFIRE, 32 professores, homens e mulheres, todos mestres e doutores, embarcam em ônibus fretado com destino a Garanhuns para compor as bancas examinadoras da última etapa do concurso para professores promovido pela AESGA – Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns.

Apesar de ser madrugada de um domingo, é contagiante o entusiasmo de todos. Estávamos “fazendo história”, ajudando a AESGA a regularizar-se no tocante a contratação de professores de maneira a evitar prejuízo aos seus cursos e, consequentemente, aos alunos que lá estudam. Um esforço fantástico, envolvendo dezenas de professores titulados, que se mobilizaram para esse objetivo por fatores tão conhecidos quanto esquecidos da gestão de pessoas: a amizade e o respeito ao Prof. Gildo Galindo, coordenador da empreitada e o carinho e atenção que sempre receberam da Profa. Eliane Simões, Presidente da Autarquia e de sua dedicada equipe.

Para aqueles que não são professores, é difícil entender a alegria do grupo. Afinal, a programação daquele domingo previa uma viagem de mais de três horas ate Garanhuns, a participação em sucessivas bancas de avaliação de candidatos até o final da tarde e, finalmente, o retorno ao Recife já no meio da noite.

Qual o mistério de tanto entusiasmo sabendo-se que, para muitos daqueles professores, o domingo é o único dia de descanso. O esperado dia de ficar com a família, de recuperar as energias aplicadas na preparação e realização de aulas, na correção de trabalhos ou de provas durante a semana? E justo esclarecer que para aqueles que são, verdadeiramente, professores, é gratificante e entusiasmante toda a oportunidade de exercer suas competências em ambiente em que se sintam acolhidos e prestigiados e com claros, éticos e justificados objetivos.

A longa viagem ate Garanhuns transformou-se em agradável passeio graças a qualidade da estrada, o conforto oferecido pelo ônibus e das animadas conversas. Na chegada à Garanhuns, após cordial recepção e substancial café da manhã, foram iniciadas as bancas examinadoras, um trabalho estafante, que exige atenção a cada detalhe das apresentações dos candidatos e que somente foi concluído no início da noite, encerrando com êxito o processo de seleção dos novos professores da AESGA.

Cansados, mas muito alegres pela sensação do dever cumprido, os professores despedem-se do pessoal da AESGA e retornam ao ônibus. A noite começa a escurecer a paisagem e convida a um cochilo reparador. Aqueles que não dormem formam pequenos grupos e conversam em voz baixa enquanto, suave e silenciosamente, o ônibus devora os quilômetros da BR 423 que nos leva à Caruaru. A estrada deserta e o escuro da noite nos dão um sentimento de paz e tranqüilidade até que, em algum lugar após o município de Lagedo, o ônibus é assaltado. Começa aqui a história da nossa aventura na BR 423, uma história que seria cômica se não fosse trágica:

17:45h. Um Golf vermelho ultrapassa o ônibus e a porta do porta-malas é levantada rapidamente revelando dois assaltantes armados com espingardas 12 apontadas para o motorista. Sentado na primeira fileira dos bancos percebo antes dos colegas o que esta acontecendo. Paro imediatamente a proveitosa conversa que mantinha com o Prof. Emanuel Leite e corro abaixado para o fundo do ônibus anunciando o assalto e pedindo calma aos companheiros.

O motorista do ônibus, sempre na mira das armas, estaciona sensatamente o veículo na margem da estrada deserta. O escuro da noite que nos envolve contribui para aumentar a sensação de medo e insegurança. A surpresa inicial se transformou em angustia e ela se reflete no rosto de cada um de nos. O sangue esfria e um sentimento de impotência nos acomete. A violência, uma constante das nossas estradas, acaba de saltar das páginas dos jornais e entrar nas nossas vidas.

Dois dos assaltantes, armados e encarapuzados, sobem rapidamente no ônibus, ameaçando a todos. Nada é possível fazer senão tentar manter a calma e rezar para que acabe o pesadelo. Em meio aos gritos dos assaltantes um dos colegas reage de maneira absolutamente inesperada: saca sua identidade funcional e apresenta aos dois homens:

- sou professor!

Outro, mais surpreendentemente ainda, mostra um certificado e diz:

- Esse é o certificado da banca que participei em Garanhuns…

Perplexidade total entre os assaltantes…

- Não são sulanqueiros? Pergunta espantado um deles.

-Não, somos professores, respondemos.

-Professores, dia de domingo?

-Sim, estávamos participando de bancas de avaliação em Garanhuns….

-Pô, o cara que passou o serviço se enganou. Deu a descrição errada do ônibus…não sabíamos que eram professores. A informação que tivemos é que eram sulanqueiros…agora vocês têm que ENTENDER e desculpar o INCÔMODO (sic). Começou o assalto, tem que terminar…

E fizeram o ônibus seguir na estrada, à caminho de quem sabe para onde, a mercê dos assaltantes.

- Dinheiro, relógios e celulares, rápido…documentos podem ficar!

Cautelosamente começamos a nos mexer, retirando e passando aos assaltantes o que fora pedido. Sem dinheiro em espécie, apelei para o colega do assento ao lado:

-Tô liso companheiro, tem uma grana para me emprestar para eu entregar ao assaltante?

-Claro, tenho R$ 100,00…cada um entrega R$ 50,00 a ele.

Assalto a ônibus de professores parece mudança de pobre: deixar faz pena, levar faz vergonha…Um dos assaltantes começou a recolher, visivelmente constrangido, pequenas quantidades de cédulas de R$ 50,00, de R$ 20,00, uma pobreza em relação as expectativas dos bolsos fornidos dos sulanqueiros…fomos salvos de um ridículo maior por conta de um colega que, por azar, carregava R$ 750,00…dinheiro que logo foi fazer companhia aos nossos parcos tostões…

Ao receber a minha “contribuição” o assaltante ainda falou: – Tempo duro, né professor? Não respondi. Falar o que? Estava ocupado pedindo a minha falecida mãe que reunisse todos os santos e Nossa Senhora para nos tirar daquele aperto…

E o ônibus seguia para Deus sabe onde no meio da noite. Após o trevo da BR 232, a ordem temida:

- Entra nessa estrada de terra. Eita nós, e agora?

Minutos angustiantes na estradinha que mal cabia o ônibus, sempre seguidos pelo carro dos assaltantes. A cada minuto estávamos cada vez mais longe da rodovia, de possíveis passantes e de eventual socorro…

- Para aqui ordenou o “chefe” ao motorista.

Estávamos no meio do nada e perto de coisa nenhuma…se o medo nos dominava, agora o desespero vinha lhe fazer companhia…

-Desce todo mundo e vão para frente do ônibus, vamos dar uma varrida para ver se vocês não esqueceram algum dinheiro ou celular lá dentro…a gente nunca pode confiar.

Nesse momento lembrei da minha maleta, com o laptop e o palm que estava em cima do banco…

- Foi-se, lamentei com tristeza. Que se vão os anéis desde que me deixem os dedos…

Enquanto um dos assaltantes revirava as bolsas dos colegas espalhando o conteúdo no chão, outro começava a procurar nos bancos e no piso do ônibus objetos de valor ou dinheiro possivelmente escondidos. Temia que encontrando alguma coisa agredisse a mim ou a um colega e exigisse que voltássemos ao ônibus para buscar o que tínhamos escondido. O medo ficou ainda maior e a sensação de impotência, total.

Nesse exato momento, sem razão ou motivo, surge na estradinha o farol de uma motocicleta.

-Derruba o cara ou apaga ele, disse o chefe aos parceiros.

Percebendo o que acontecia, o motoqueiro reagiu de pronto. Parou a moto e voltou rápido, desaparecendo na curva da estrada.

-Sujou!

-Vamos embora que ele pode avisar “os homê”

E se foram, esquecendo até mesmo a chave do ônibus que tinham mandado o motorista buscar…

Ficamos, na calma da noite e no escuro do mato, são e salvos, nos olhando abestados, ainda tentando entender o que nos tinha acontecido. Voltamos ao ônibus, felizes por estarmos vivos e tristes, como cidadãos, por termos vivenciado o cotidiano da violência a que estamos submetidos. De volta a BR 423 passamos no posto da Polícia Rodoviária Federal localizado não muito longe do local do assalto, prestamos o registro protocolar e retomamos, finalmente, o caminho de volta ao Recife.

Choros?…Alguns. Orações coletivas de agradecimento? Certamente. Exaustão física pela tensão? Claro. Aos poucos voltamos ao domínio de nossas vidas. Conversamos, fizemos piadas com o ocorrido. Falamos da frustração dos ladrões, do azar de assaltar professores. De todo esse angustiante acontecimento nos ficou algumas recordações marcantes:

  1. O sermos professores impactou os assaltantes. Seja por reconhecer a pindaíba da classe ou sua importância social, era visível o constrangimento deles pelo erro de nos ter escolhido;

  1. Nos mais angustiantes momentos, sentíamo-nos confortáveis por estar entre colegas. Se algo pior nos acontecesse, aconteceria em meio a uma missão de nossa escolha na vida. Naquele ônibus não estavam economistas, advogados, administradores, sociólogos, psicólogos, executivos, empresários…estavam professores, colegas, realizados e felizes em educar;

  1. Deus existe e nos O encontramos (ou um seu enviado) pilotando uma moto numa estradinha perdida no meio do mato. Atendeu com presteza aos nossos apelos, o que comprova que orações não dependem de aparelhos sofisticados ou de bateria carregada e que Deus nunca esta “fora de área” ou com a linha ocupada. Foi esse motoqueiro que nos salvou de coisa pior. Onde que esteja, seja quem for, rezaremos sempre em agradecimento pela sua providencial aparição;

  1. O Estado, no Brasil, não mais existe. Temos arrecadação recorde de impostos, politicagem rasteira, corrupção, culpados sem punição. Temos a infra-estrutura de um país: estradas, aeroportos, lindos palácios, uma máquina governamental tão vasta quanto ineficiente e perdulária. Só não temos o essencial: saúde, educação e segurança. Mas isso não afeta aos nossos dirigentes. Eles podem pagar, com o nosso dinheiro, aqui ou em qualquer lugar do mundo, educação para si e para seus filhos. Eles podem pagar, com o nosso dinheiro, aqui ou em qualquer lugar do mundo, os melhores cuidados médicos para eles e para os seus filhos. Eles pagam, com o nosso dinheiro, carros blindados e segurança nos seus deslocamentos e, certamente, nenhum deles irá, de ônibus sem escolta, num domingo, a uma cidade do interior, contribuir com o melhor de si para melhorar a qualidade da educação em nosso país.

Eita nois!

Otto Benar Farias, MSc

Professor da UPE e um dos assaltados na BR 423 em 13.04.2008

Abril 24, 2008

Os Novos Nômades

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:21 pm

 

Os Novos Nomades

 

 

A revista inglesa The Economist na sua edição  de 12 – 18 de abri de 2008  trás uma matéria especial sobre a mobilidade nas comunicações. Na introdução dessa matéria intitulada Our Nomadic Future ela faz uma comparação entre os tradicionais nômades, aqueles que nos filmes aparecem cruzando o deserto com os seus camelos com os modernos “ nômades” que  com seus aparelhos wireless a fazendo usos dos avanços nas comunicações podem se comunicar e trabalhar estando em qualquer lugar do mundo.

 

Segundo a The Economist, o advento do automóvel não significou apenas a substituição da velha carroça. O veiculo automotor alterou todo um estilo de vida. Sua existência redesenhou as cidades  - agora era possível separar local de moradia de local de trabalho – criou novas estruturas comerciais como o Shopping Center e tornou decadentes aquelas áreas com restrições ao estacionamento e a circulação de veículos. Até mesmo algumas doenças decorrente de sedentarismo foram exacerbadas, pois se passou a caminhar cada vez menos.

 

Do mesmo modo que o carro redefiniu um estilo de vida, a mobilidade está provocando efeitos semelhantes. Nos países de economia mais desenvolvida se permite hoje trabalhar no subúrbio e morar no centro da cidade. O padrão de trafico vem mudando de forma expressiva. Ao invés do antigo movimento subúrbio – centro as 9h00 e centro – subúrbio  as 17h00 tem-se hoje um padrão radial com as pessoas indo e vindo entre  seus escritórios e residências.

 

A revista pergunta se isso significa uma vida melhor. E ela mesma responde que  sim em muitos aspectos. Ela libera os trabalhadores do setor de serviços dos seus “cubilos”, pois podem agora trabalhar em qualquer local. Não é mais obrigatória  a presença desse tipo de trabalhador num local especifico. Ele pode estar na Inglaterra e prestar serviços para uma empresa no Japão, e discutir e traçar estratégias on line tendo como restrição apenas os fusos horários. O trabalho em home Office já é uma realidade mesmo aqui no Brasil.

 

Mas como tudo na vida essa liberdade  pode ter um lado negativo, pois pode ser acompanha da por uma nova tirania uma vez que  o trabalhador estará sempre conectado não se distinguindo, dessa forma., os horários de trabalho daqueles de lazer e descanso.É sempre bom lembrar que quando uma empresa fornece um note book a algum empregado isso sempre significa mais trabalho pois ele sempre poderá fazer mais trabalho em casa nos seu horários  que seriam dedicados ao  repouso.A tirania do local pode ser substituída pela  tirania do horário

 

A mobilidade irá tornar essas pessoas com as características de nômades. Elas estarão sempre próximas aos familiares e amigos enquanto deambulam pelo mundo mas ,também de forma igual aos tradicionais nômades , terão dificuldades em estabelecer ligações com aqueles que são de fora desse circulo.Há entre os sociólogos uma preocupação como a tendência  - paradoxal – a um isolamento onde os e-mail substituem os contactos pessoais [recomendo sobre isso o filme “Denise está Chamando”  - procurem nas boas locadoras].

 

Esse nomadismo, segundo a The Economist , baseado nas facilidades de fone e câmera ,pode tornar o mundo melhor. Ele pode tornar qualquer pessoa em ativista político pronto para “divulgar a brutalidade da ação policial”. Mas do mesmo modo pode também tornar qualquer um num paparazzo e isso representa o lado negro dessas novas possibilidades.A vida das pessoas pode ser completamente devassada e a privacidade está pode estar seriamente ameaçada.

 

Na cidade como no deserto, o “ nomadismo promete o céu das novas liberdades mas também ameaça com o inferno da  fiscalização por parte das tribos.

 

Eduardo A Paiva de Almeida

24 de abril de 2008

 

 

Abril 22, 2008

Empresários da moda vão às faculdades atrás de talentos

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Moda — mercadoglobal @ 1:57 am

Fonte: O Diário do Norte do Paraná

A dedicação nos estudos pode render um ótimo futuro profissional e fazer com que o emprego possa, sim, bater na sua porta. É o que está acontecendo com alunos dos cursos de Moda, ofertados em Maringá e Cianorte (a 85 quilômetros de Maringá). Empresários do setor do vestuário têm ido às universidades buscar referências de acadêmicos que ainda nem terminaram a faculdade.

Para ter uma oportunidade dessas, no entanto, é necessário estudar muito. É o que acredita o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindvest) de Maringá, Carlos Roberto Pechek. “Os empresários procuram os coordenadores dos cursos para saber quem se destacou. E quem realmente está fazendo o curso para trabalhar na área – e não somente para ter um diploma na mão ou conhecimento sobre o mundo da moda – tem mais chances de conseguir emprego.”

A excelente fase que o setor atravessa é responsável pela ida do empresário, que necessita de mão-de-obra, às faculdades de Moda, que despejam anualmente cerca de 90 recém-formados no mercado. O presidente do Sindvest apóia a iniciativa. “Inclusive, eu até faço disso uma sugestão: que os empresários façam o contato com os coordenadores dos cursos e procurem essa mão-de-obra jovem nas faculdades.”

O coordenador do curso de Moda do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), José Mário Martinez Ruiz, conta que já recebeu empresários na universidade, em busca de pessoal recém-formado na área. César Eduardo Mendonça foi um deles. A conversa com Ruiz resultou em dois recém-formados interessados na vaga de estilista.

Há cerca de 20 dias, Mendonça fez o anúncio da vaga de trabalho no site da faculdade. “Fiz as entrevistas de emprego com duas candidatas e, nesta semana, uma delas começou o período de três meses de experiência na fábrica.” A indústria de Mendonça situa-se em Mandaguaçu (a 32 quilômetros de Maringá), produz três mil peças por mês de moda feminina e fitness e conta com 32 funcionários.

Nos cinco anos de existência da fábrica, somente este ano o empresário decidiu investir pesado na criação das roupas. “Procuramos estilistas porque queremos lançar as nossas coleções em sintonia com o lançamento das grandes marcas.”

Situação semelhante acontece no curso de Moda da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no câmpus de Cianorte. O coordenador do curso, Ronaldo Salvador Vasques, diz que recebe cerca de 60 empresários do setor de vestuário, por ano, à procura de mão-de-obra. “É algo excelente. Ontem (quinta-feira), inclusive, recebi ligações de dois empresários”, cita.

O aquecimento do mercado é tão visível, segundo Vasques, que as cerca de 500 confecções existentes em Cianorte absorvem todos os alunos formados no curso de Moda da instituição. Todos os 22 alunos que se formaram recentemente na universidade já estão trabalhando na área.

Negócio de família

A exigência dos consumidores, frente ao produto final, colocam na corda bamba as empresas familiares que não investem em mão-de-obra capacitada. Segundo o presidente do Sindvest de Maringá, até pouco tempo, a pessoa montava uma fábrica e era o próprio empresário ou alguém da família que cuidava da criação das coleções.

No entanto, com a exigência dos consumidores, é necessário que as indústrias apresentem um produto mais diferenciado. “Quem quiser se dar bem no mercado precisa da técnica de quem realmente estudou Moda”, afirma Carlos Pechek.

Ronaldo Vasques conta que as empresas familiares precisam partir para a mão-de-obra proveniente dos cursos de Moda. “Mesmo que a pessoa já tenha conhecimento do ramo, é importante buscar informações fora”, diz o coordenador de Moda da UEM. Informações essas trazidas por quem esteve quatro anos no banco de uma universidade.

Segundo Vasques, a moda está muito informatizada. Se não fizer curso, a marca não deslancha e nem se mantém no mercado.

Abril 3, 2008

Por Um Sentido na Vida: Marcas de Moda e a Relação Pessoa-Objeto

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Moda — mercadoglobal @ 2:18 am
 
 
 
Por Um Sentido na Vida: Marcas de Moda e a Relação Pessoa-Objeto[1]


 

Resumo do Trabalho

 A marca de moda é o campo do estudo e o objetivo contribuir com o entendimento da relação pessoa-objeto mediante o consumo. Foram feitas entrevistas em profundidade, após análise de conteúdo de 24 entrevistas identificaram-se 38 atributos, estes foram analisados e agrupados em três aspectos: sociais, comunicacionais e motivacionais. Na seqüência, foi aplicado questionário construído a partir destes resultados para 324 consumidoras. Para os aspectos sociais foram encontrados cinco fatores: Jogo de Poder, de Personalidade, de boneca, da adequação e de (re)conhecimento; para os aspectos comunicacionais: Samantha – a poderosa, Carrie – a “antenada”, Charlotte – a autêntica, Miranda – a formal; para os aspectos motivacionais: Avaliação do produto em si; Avaliação do julgamento social; Avaliação do aspecto psicológico; Avaliação do aspecto econômico.  Palavras-chave: Marca, moda, consumo. A capacidade de comunicação simbólica é passível de ser encontrada em todos os tipos de produtos, mas o vestuário é um dos mais eloqüentes e poderosos produtos que as pessoas usam para se comunicar; é uma mídia expressiva, o objeto e seu signo de maneira altamente visual, conectado intimamente com a pessoa (usuário), é conduzido por ela em toda dimensão social de sua rotina diária. O vestir e adornar-se, nas diversas sociedades e em todas as épocas da evolução humana, denota maior complexidade do que a resposta inicial ao requisito puramente prático de abrigo confortável. O presente estudo visa contribuir com esta área de estudo emergente nas ciências sociais e que se dedica com crescente clareza e profundidade ao estudo das relações pessoa-objeto. Nesta abordagem visualiza-se o estudo do comportamento de consumo simbólico pois o consumidor não é orientado apenas pelo aspecto funcional. O seu comportamento é significativamente afetado pelos símbolos encontrados na identificação dos produtos. As pessoas compram produtos pelos significados pessoais e sociais adicionados aos funcionais. Consumo simbólico O significado de um objeto é derivado daqueles atributos e características de desempenho que os indivíduos acreditam que o objeto possua não sendo, porém, totalmente inerente ao objeto por si mesmo, mas sim formado através da interação entre o indivíduo, o objeto e o contexto (KLEINE at. al. , 1991).Quando os produtos são utilizados como símbolos eles servem às pessoas através de sua transformação em ferramentas úteis para que estas provoquem reações desejadas nas outras pessoas ao seu redor, pois sempre que uma pessoa utiliza produtos ela está tentando comunicar a seus grupos de referência certas coisas sobre si mesma (GRUBB e GRATHWOHL, 1967).O consumo de simbolismo compensatório ocorre quando os indivíduos não conhecem muito bem o papel que “devem” representar e assim o simbolismo do produto acaba exercendo uma primeira influência sobre o comportamento. Isso ocorre quando produtos são usados para representar uma classe social ou um estilo de vida, por exemplo. Desta forma as pessoas empregam produtos para influenciar a aparência (representação do papel) que transmitem para outros indivíduos em dada situação (SOLOMON, 1983).Segundo Schouten (1991) uma das características que distingue os seres humanos das outras criaturas vivas é a sua habilidade de identificar suas carências para procurar suprir as suas necessidades de auto-aperfeiçoamento e as pessoas consomem produtos e serviços neste processo.Festinger (1957) em sua teoria da comparação social afirma que a comparação social acontece geralmente a partir da realidade física, mas, quando esta opção não é disponível, esta é feita em cima de uma comparação de suas próprias opiniões em relação às opiniões de outros para fornecer a informação de estar em conformidade ou não.  Consumo de Moda Em relação ao consumo de moda, uma das mais frutíferas teorias para entender este fenômeno é o interacionismo simbólico. Mead (1934) trata da reação do outro e do reflexo do indivíduo e seus sentimentos em relação a essas reações. Esta teoria fala basicamente que as pessoas vivem em ambiente simbólico e que seu comportamento é estimulado por símbolos, estes são apreendidos mediante interação com outras pessoas. Portanto, a moda ao possuir, entre outras, duas facetas singulares: a busca pela individualidade e a necessidade de integração social; amolda-se perfeitamente ao estudo do consumo como forma de comunicação e interação entre as tribos da sociedade moderna. Estilo de vestir é assinatura, reação contra a sociedade de massa, onde a individualidade é expressa amplamente pela forma como se veste (DICHTER, 1985). Bollon (1993) define estilo como “modo específico de funcionamento da aparência, repousando sobre a elaboração de imagens e de símbolos – vindos do registro geral da representação – sempre aparece como um modo de expressão infinitamente mais sensível e sutil, maleável porque permanentemente contraditório e para sempre inacabado, por isso poético e profético, do que a linguagem habitual, dominada pela lógica e seu sacrossanto princípio de não-contradição” (pág. 164).As pressões sociais para a conformidade podem influenciar dramaticamente a escolha de estilos. Esta pressão ocorre principalmente pela aprovação social do grupo no qual o indivíduo quer ser aceito. Neste momento entra o conceito de conformidade que se refere à mudança nas crenças ou ações como reação à pressão real ou imaginária do grupo (SOLOMON, 1996; 2004). São essas normas que regem o uso apropriado de roupas entre outros itens pessoais. Atualmente, o vestuário de moda é considerado como a expressão de valores individuais e sociais predominantes em período de tempo determinado. É visto como forma de expressão da personalidade, extensão visível e tangível da identidade e dos sentimentos individuais. É forma de comunicação não verbalizada, estabelecida por meio das impressões causadas pela aparência pessoal de cada um.Como símbolos não-verbais, os objetos de moda freqüentemente significam mais do que apenas a capacidade de estar na moda ou sua fashionability, ou seja, a capacidade de apreender as mudanças e, consequentemente, a habilidade de estar na moda. (SPROLES, 1994). A moda é a imitação de modelo estabelecido que satisfaça a demanda por adaptação social, diferenciação e desejo de mudar, sendo baseada pela adoção por grupo social. (SIMMEL, 1904).A moda se impõe, “[...] é a pressão, sobre esses gostos pessoais, de um consenso coletivo” (FREYRE, 1987, p. 18). Existe a possibilidade de consenso entre o gosto individual e a pressão do coletivo, mas as divergências existem e funcionam como propulsor da mudança na moda. Esta imposição do geral sobre o particular fica como base para que a moda se estabeleça. A pressão se realiza pelo indivíduo acreditar que “estar fora de moda é condenação social à sua posição na sociedade ou na cultura de que participe.” (IBID., p. 19). Em MIRANDA et al (2001a; 2001b; 1999), vemos que o consumo de moda sobrevive da busca de referências e citações, ou seja, da transferência de significados do mundo para a moda. Esses cenários simbólicos, que SEMPRINI (1995) denomina “mundos possíveis”, são construções fundamentadas em marcas sobre as quais são investidos valores por parte do consumidor. O consumidor projeta-se nesses valores e descobre-se diferente daquele eu no qual sua rotina o havia convertido, promovendo troca de significações e acelerando o processo comunicativo.  Gerenciamento de aparências mediante o consumo de marcas de moda Encontramos na cultura de consumo, um novo conceito do eu, onde o desenvolvimento do eu tem lugar na ênfase na aparência, exposição e gerência de impressões (ELLIOT, 2004).Segundo Kaiser (1998), a psicologia social do vestuário se concentra em entender as várias maneiras que as pessoas usam para modificar a aparência de seus corpos, como também as forças sociais e psicológicas que interferem no processo de gerenciamento da aparência pessoal. Este gerenciamento inclui todo o processo de pensamento sobre e as atividades exercidas para este fim. Gerenciamento da aparência é o que nós fazemos visualmente com nossos corpos, como nós planejamos e organizamos estes atos, como tomamos decisões sobre o que comprar e usar e quais são as implicações sociais destas decisões. Este é um conceito universal. Todos os indivíduos são engajados, de certa forma, no gerenciamento de sua aparência diária. Esta preocupação com o gerenciamento da aparência acontece porque existe a percepção da aparência que é o processo de observar e fazer avaliações baseado em como a pessoa se apresenta.   Freud (apud Marcuse, 1978) descreveu a mudança do homem animal para o ser humano quando este transforma o princípio de prazer em princípio de realidade. Esta teoria é baseada na interpretação do “aparelho mental” de acordo com esses dois princípios. O inconsciente governado pelo princípio de prazer luta unicamente por obter prazer, mas o princípio de prazer irrestrito entra em conflito com o meio natural e humano, o indivíduo compreende que uma plena e indolor gratificação de suas necessidades é impossível. Após este desapontamento, o princípio de realidade supera o princípio de prazer: o homem aprende a renunciar ao prazer momentâneo, incerto e destrutivo, substituindo-o pelo prazer adiado, restringido, mas “garantido”. Sob o principio da realidade o ser humano desenvolve a função da razão: aprende a “examinar” a realidade, a distinguir entre bom e mau, verdadeiro e falso, útil e prejudicial. O homem adquire as faculdades de atenção, memória e discernimento. Apenas um modo de atividade mental é “separado” da nova organização do aparelho mental e conserva-se livre do domínio do princípio de realidade: é a fantasia, que está “protegida das alterações culturais” e mantém-se vinculada ao princípio de prazer. Concluindo que a individualidade só ocorre na conquista do “não eu”. Segundo Sartre (1997), o desejo é falta de ser e é diretamente sustentado no ser do qual é falta, sendo assim o homem é o que não é e não é o que é. Sendo a realidade humana o empenho em ser e o desejo exprime este empenho. O desejo leva a busca do objeto que mediante a sua posse, ou seja, se desejo me arrumar, ter um objeto de adorno, fazer compras, significa que desejo ser de boa aparência, definindo assim a relação: fazer, ter, ser.    A teoria da autocongruência de Sirgy (1982) contribui afirmando que consumidores preferem produtos e marcas com significado que são consistentes com seus autoconceitos, assim sendo, motivados por autoconsistência consumidores comparam seus autoconceitos com a imagem dos produtos e preferem produtos cujas imagens são congruentes com suas auto-imagens.  Método de pesquisa A pesquisa trabalhou com as classes sociais A1, A2, B1, B2 e C conforme o Critério de Classificação Econômica Brasil. A população foi composta por consumidoras de moda, mulheres com idades entre 16 e 55 anos residentes em São Paulo. Foi realizada amostra intencional e foram entrevistadas tantas consumidoras quantas necessárias para obter homogeneidade de discurso, ou concluir que existem estratos de percepção quanto ao fenômeno. Não foram identificados estratos de percepção no discurso das consumidoras após 24 entrevistas.As consumidoras deram seus depoimentos; estes foram gravados, transcritos e analisados. O tratamento dos dados desta fase foi feito mediante análise de conteúdo das entrevistas semidiretivas.Em relação à distribuição da amostra entre as classes sociais e os grupos de idade foram definidas quotas de 27 questionários aplicados por segmento de classe social e de grupo de idade conforme o que está apresentado, totalizando 324 questionários.      Resultados identificados Após análise de conteúdo das entrevistas, identificou-se três categorias de análise. O paradigma pós-moderno da perseguição simbólica está comprovado e está presente em três dimensões:Quadro 1 – Aspectos sociais do consumo 

 ITEM   CATEGORIA
1.        Qualidade Funcionalidade
2.        Status Distinção social
3.        Reconhecimento do meu poder aquisitivo Distinção social
4.        Aceitação Aceitação
5.        Conforto Funcionalidade
6.        Tendência Imitação
7.        Beleza Vaidade
8.        Exclusividade Distinção social
9.        O novo Modernidade
10.     O diferente Modernidade
11.     Design Diferenciação
12.     Criatividade Modernidade
13.     Estilo Personalidade
14.     Elegância Vaidade
15.     Sucesso Competitividade
16.     Algo que reflita meu eu Auto-afirmação
17.     Preço compatível com a qualidade Conformidade
18.     Chamar atenção Vaidade
19.     A identidade da marca Integração
20.     Estar na moda Imitação

 Durante muito tempo a questão da moda viu-se atrelada à idéia de distinção de classes sociais. Verificamos nestes resultados da fase qualitativa desta pesquisa que o consumo de marcas de moda tanto pode assumir essa função distintiva como também para distinguir os comportamentos de grupo, independente de seu status econômico. Verifica-se aqui a idéia de “fetichismo de mercadorias” de Adorno (1991) onde as mercadorias ganham “vida própria” quando o trabalhador perde o controle sobre a natureza e o produto de seu trabalho. Esta é a dimensão do social-simbolismo.        Quadro 2 – Aspectos comunicacionais do consumo 

 ITEM   CATEGORIA
1. Sei o que está acontecendo no mundo. Atualidade
2. Sou interessada em moda Atualidade
3. Tenho estilo próprio Disassociação
4. Não me preocupo com o que os outros pensam Auto-afirmação
5. Estou de bem com a vida, sou feliz. Realização afetiva
6. Tenho bom gosto. Vaidade
7. Sou uma pessoa alternativa. Disassociação
8. Sou moderna Modernidade
9. Tenho poder aquisitivo Distinção social
10. Sou sexy Sedução
11. Sou formal Auto-afirmação
12. Tenho determinadas características de personalidade Comunicação

 O consumo é visto aqui como permeado do conjunto de crenças e desejo existentes na sociedade de consumo que se refere aos aspectos comunicacionais, da importância das práticas de consumo nas relações comunicacionais, na busca por parte das consumidoras de mediante o uso do campo simbólico unificado das marcas pelo discurso publicitário, usar das mesmas para dar referências sobre sua personalidade e sua forma de se ver e de como quer ser vista no ambiente social. Verifica-se aqui a idéia de Canclini (1999) de que o consumo não deve ser visto como a posse de objetos isolados, mas como processo de “apropriação coletiva” servindo para enviar e receber mensagens. Esta é a dimensão do auto-simbolismo. Quadro 3 – Aspectos motivacionais do consumo 

 ITEM   CATEGORIA
1. Bem estar Auto-afirmação
2. Conforto Funcionalidade
3. Durabilidade Funcionalidade
4. Não sair de moda Clássico
5. Qualidade Funcionalidade
6. Ficar bonita. Vaidade
7. Que seja exclusiva. Distinção social
8. Espantar tristezas Realização afetiva
   9. Originalidade Atualidade
   10. Melhorar minha auto-estima Realização afetiva
   11. Vista bem, tenha um bom caimento Vaidade
   12. Não gastar muito Conformidade
   13. Ficar atraente Feminilidade
   14. Ficar diferente sem exageros. Segurança

 O consumo de moda é conhecido como descartável e efêmero, sendo assim altamente relacionado com consumo de supérfluos e consequentemente pertencente ao universo da futilidade. Verificam-se aqui a idéia de Marx (1867) que as relações estabelecidas entre os bens e os sujeitos são os verdadeiros indicadores de valor onde “o caráter místico da mercadoria não provinha, portanto de seu valor de uso mas de sua importância simbólica” (p. 70). Esta e a dimensão das necessidades simbólicas e funcionais.A segunda fase desta pesquisa foi quantitativa, onde foram aplicados questionários elaborados a partir da fase qualitativa e da revisão de literatura. Para a identificação das estruturas de fatores subjacentes aos atributos para o consumo de marcas de moda utilizou-se o procedimento estatístico denominado análise fatorial. Aspectos sociais do consumo de marcas de moda Na compra de marcas de moda, os aspectos sociais das consumidoras são equacionados por 5 fatores:Tabela  1 – Aspectos sociais do consumo 

  Jogo de poder Jogo de personalidade Jogo de boneca Jogo de adequação Jogo de (re)conhecimento
4.1.3.reconhecimento do meu poder aquisitivo 0,735 0,163   -0,285  
4.1.2.status 0,680   0,147 -0,371 0,142
4.1.4.aceitação 0,677       0,210
4.1.15.sucesso 0,637 0,215 0,239 0,197  
4.1.18.uma forma de chamar atenção 0,629 0,194      
4.1.19.a identidade da marca 0,455 0,449   0,104 0,147
4.1.10.o diferente 0,141 0,787 0,189 0,109  
4.1.8.exclusividade 0,197 0,720 0,127   0,292
4.1.9.o novo 0,203 0,710 0,130 0,145 0,346
4.1.14.elegância 0,192   0,756 0,172 0,165
4.1.13.estilo 0,112 0,267 0,695 0,139  
4.1.12.criatividade   0,478 0,643    
4.1.11.design   0,581 0,585    
4.1.7.beleza 0,194   0,552 0,203 0,380
4.1.1.qualidade -0,325 0,143 0,397   0,196
4.1.17.preço compatível com a qualidade -0,128     0,739  
4.1.5.conforto       0,687 0,150
4.1.16.algo que reflita meu eu   0,270 0,384 0,518 -0,162
4.1.20.estar na moda 0,214 0,237     0,779
4.1.6.tendência 0,176 0,191 0,284   0,712

 Jogo de PoderOs atributos classificados como reconhecimento do meu poder aquisitivo, status, aceitação, sucesso e uma forma de chamar atenção são utilizados no jogo de mostrar que pode quem tem, quem chegou lá e não tem nenhuma timidez de mostrar isso, a aceitação faz parte do jogo, cada tribo vai ter seu próprio esquema de poder, de mostrar poder, para uns é dinheiro, para outros é conhecimento, mas a essência que não muda, que está sempre presente, é o poder.   Jogo de PersonalidadeOs atributos classificados como identidade da marca, o diferente, exclusividade e o novo são utilizados no jogo do “quem sou eu?”. Neste jogo a consumidora diz quem é, quem gostaria de ser, tem uma fantasia por uma noite, atende as expectativas da futura sogra no primeiro jantar com os pais do namorado, ou seja, é um jogo de construção e desconstrução do eu, por isso o que é diferente, exclusivo e novo é importante aqui, pois a diferenciação da marca vai contribuir com a diferenciação do indivíduo.    Jogo de bonecaOs atributos classificados como elegância, estilo, criatividade, design, beleza e qualidade são aspectos puramente estéticos e servem para o jogo de “brincar de boneca” mas no caso a boneca é a própria consumidora que agora aplica em si o que na infância fazia com seus brinquedos, escolher um estilo, usar de criatividade na composição de looks, saber reconhecer  design e qualidade em prol de um resultado de beleza e elegância. Pois não se passa a vida inteira brincando de Barbie em vão…  . Jogo da adequaçãoOs atributos classificados como preço compatível com a qualidade, conforto e algo que reflita meu eu mostra a vontade do individuo de expressar seu eu, mas de forma adequada ao seu estilo de vida e sua classe sócio-cultural. Não há nada mais postiço do que um hippie vestindo um terno Hugo Boss, certo? Jogo de (re) conhecimentoOs atributos classificados como estar na moda e tendência traduz a questão de estar up to date, ou seja, estar sintonizado com o que está acontecendo, este é um valor importante da nossa sociedade atual que explica muito da valorização do aspecto moda não só atribuído ao vestuário, mas também a outros produtos como carros e instituições financeiras, o que está na moda é ágil, rápido, veloz, acompanha as mudanças. O valor de que está se falando aqui é informação, estar informado, estar por dentro do que está acontecendo, em tempo real como se ininterruptamente conectado à Internet, pois a relação tempo e espaço mudou.  Aspectos comunicacionais do consumo de marcas de moda Na compra de marcas de moda, os aspectos comunicacionais das consumidoras são equacionados por 4 fatores. Tabela 2 – Aspectos comunicacionais do consumo 

  Samantha Jones Carrie Bradshaw Charlotte York Miranda Hobbes
4.2.8. sou moderna  0,762 0,290   -0,151
4.2.10. sou sexy  0,683     0,188
4.2.7. sou uma pessoa alternativa  0,609   0,346  
4.2.9. tenho poder aquisitivo  0,574 0,221 -0,191 0,468
4.2.6. tenho bom gosto  0,446 0,335 0,210  
4.2.2. sou interessado em moda  0,291 0,782    
4.2.1. sei o que está acontecendo no mundo   0,778   0,162
4.2.3. tenho estilo próprio  0,282 0,432 0,426 -0,369
4.2.4. não me preocupo com o que os outros pensam 0,144 -0,184 0,708  
4.2.5. estou de bem com a vida, sou feliz 0,124   0,680  
4.2.12. tenho determinadas características de personalidade   0,472 0,528  
4.2.11. sou formal    0,129  0,132  0,865 

 Obs: O livro “Sex and the City” (Ed. Record, 2003) foi lançado nos EUA em 1996 a partir da coluna (de mesmo nome) que Candace Bushnell escrevia no jornal The New Yorker Observer e depois adaptado para a televisão.   Figura 1 – Personagens de sex and the city FONTE: SITE HBO Samantha    Os atributos classificados como sou moderna, sou sexy, sou uma pessoal alternativa, tenho poder aquisitivo e tenho bom gosto são a combinação da mulher que quer parecer ser  poderosa, ela é moderna, é autoconfiante ao ponto de ser alternativa porque ela confia no seu bom gosto. A escolha de Samantha da Série Sex and the City para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem todos esses atributos.  CarrieOs atributos classificados como sou interessada em moda e sei o que está acontecendo no mundo são a combinação da mulher que quer parecer ser  antenada, ela é informada, é envolvida com moda pois gostar de moda reflete sua personalidade dinâmica. A escolha de Carrie da Série Sex and the City para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem todos esses atributos.      Charlotte Os atributos classificados como tenho estilo próprio, não me preocupo com que os outros pensam, estou de bem com a vida, sou feliz e tenho determinadas características de personalidade são a combinação da mulher que quer parecer ser autêntica, ao ser feliz em ser  ela mesma assumindo seus sonhos e desejos, valores e ideais de vida esta mulher não vive conforme os valores dos outros, mesmo que seja julgada como errada pelas melhores amigas. A escolha de Charlotte da Série Sex and the City para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem todos esses atributos. MirandaO atributo classificado como Sou formal indica a mulher sóbria, este atributo tão necessário para as mulheres de carreira, pois estas precisam assumir a formalidade para o ambiente de trabalho, sendo também um recurso de se sentir segura pois o formal remete ao clássico evitando uma tentativa de inovação que leva a possibilidade da escolha errada e, por conseguinte, a estar fora de moda. A escolha de Miranda para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem esse atributo de forma particularmente característico.  Aspectos motivacionais do consumo de marcas de modaNa compra de marcas de moda, os aspectos motivacionais das consumidoras são equacionados por 4 fatores:             Tabela 3 – Aspectos motivacionais do consumo 

  Avaliação do Produto Avaliação do julgamento social Avaliação do aspecto psicológico Avaliação do aspecto econômico
4.3.3. durabilidade 0,711   -0,123  
4.3.2. conforto 0,701 0,112 0,158 -0,263
4.3.1. bem estar 0,664   0,324  
4.3.5. qualidade 0,560 0,163 -0,173 0,391
4.3.11. vista bem, tenha um bom caimento 0,328 0,294   0,151
4.3.6. ficar bonita.   0,762    
4.3.13. ficar atraente   0,757 0,173  
4.3.14. ficar diferente sem exageros 0,193 0,573 0,269  
4.3.10. melhorar minha auto-estima   0,117 0,776 0,173
4.3.8. espantar tristezas   0,111 0,752  
4.3.9. originalidade 0,322 0,388 0,458 0,392
4.3.7. que seja exclusiva.   0,167 0,286 0,718
4.3.12. não gastar muito 0,201 0,219   -0,605
4.3.4. não sair de moda   0,211 0,168 0,604

 Avaliação do produto (Qualidade / Conforto)Os atributos classificados como durabilidade, conforto e qualidade indicam que a consumidora leva em consideração a funcionalidade do produto e que este está associado ao seu bem estar. Ela vai se sentir bem se o produto cumprir com suas “promessas de campanha”.  Avaliação do julgamento social (Beleza / Elegância)Os atributos classificados como vista bem, tenha um bom caimento, ficar bonita, ficar atraente, ficar diferente sem exageros, refletem o desejo da consumidora de ser avaliada de uma forma positiva pelo olhar do outro (quer seja este outro, um individuo ou um grupo social como seu ambiente de trabalho ou familiar) tanto que a ausência de exageros significa que deseja ficar diferente ao ponto de chamar a atenção mas não ao ponto de ficar estranha.  Avaliação do aspecto psicológico (Levantar o astral)Os atributos classificados como melhorar minha auto-estima e espantar tristeza refletem a ilusão de bem estar deste tipo de consumo, onde o estar feliz e se sentir bem são conseqüências de ato de consumo, a busca pela compensação na posse da marca de moda, a terapia de consumo. Avaliação do aspecto econômico (preço da originalidade)Os atributos classificados como originalidade, que seja exclusiva, não gastar muito e não sair de moda faz uma relação interessante entre o que é original e exclusivo com o que é clássico, ou seja, vale a pena gastar muito dinheiro se for algo que não sofre os reveses do ciclo de vida da moda, que é um estilo, ou seja, não segue tendências, não é massificado, sobrevivendo aos lançamentos das novas coleções sem perdas de valor social para a sua possuidora. Importante aqui ressaltar que o atributo não gastar muito foi o único a apresentar carga negativa em todas as análises fatoriais. Esse fato deriva da seguinte relação entre os atributos: quanto maior é o grau de concordância com aspectos motivacionais associados à busca de originalidade, exclusividade e não sair da moda, menor é o grau de concordância com não gastar muito (e vice-versa); ou seja, se estes três atributos são importantes para a consumidora; dinheiro não é problema, se a consumidora não se importa com estes aspectos, economizar dinheiro é mais importante. É a “conformidade social” (consumidores se tornam menos sensíveis a preço quando a pressão de conformidade está presente) de que nos fala Sproles (1985). Considerações finais A marca de moda é um espelho às avessas, reflete para o outro o jeito de ser, sentir e pensar dos indivíduos. O conflito entre o eu individual e o eu social busca o equilíbrio através desta forma de comunicação.O sentimento de pertencer ou estar com e para alguém numa sociedade de consumo implica no uso de símbolos e sinais de aparência. A marca de moda é carteira de identidade, não só desta era pós-moderna, como em todo decorrer da história da humanidade. O indivíduo expressa sua essência através de aspectos simbólicos presentes na aparência adornada.A busca pela aquisição de identidade é à busca do “quem nós somos” e requere um grande investimento de eu, ou seja, na sociedade de consumo as pessoas têm uma ação dupla, a de desconstruir (ou no caso da moda de descosturar) o velho eu e reconstruir a partir destes pedaços um novo eu reestruturado. Foi identificado o convívio social como um jogo, portanto em relação aos aspectos sociais para o consumo de marcas de moda identificamos o uso da marca como mecanismos do jogo social. A perspectiva da personalidade está presente nos resultados referente aos aspectos comunicacionais, as estratégias de “personalização” das marcas devem acontecer para responder a esses “personagens” que é o que realmente as mulheres querem consumir nas marcas. É o canibalismo dos tempos modernos, não se devora o inimigo derrotado para assumir suas características de guerreiro, se paga pela ostentação de marcas que causam o mesmo efeito ritualístico para as tribos modernas como era para as primitivas. É a antropofagia do consumo.Em relação aos aspectos motivacionais fica claro que as questões simbólicas são importantes e os aspectos relativos a modernidade, exclusividade e originalidade têm um preço que a consumidora está disposta a pagar, mas se faz necessário garantir a qualidade e conforto, sendo este condição básica para que os aspectos simbólicos possam se estabelecer.As roupas fazem barulho e quem lhes dá voz mais afinada são as marcas. Ao usar uma “roupa de marca” as consumidoras esperam que a marca grite para todos quem ela é por onde quer que ela for. A vida é o palco e a marca de moda oferece os figurinos, sendo assim possível participar de outros mundos e voltar para os anteriores sem ameaça de punição. Assim volta-se para a premissa de onde se partiu para o desenvolvimento deste estudo: a moda é essencialmente simbólica.É certo que o indivíduo não esquece os aspectos funcionais da roupa, muito pelo contrário, ele os exige mas são essas características intangíveis, repletas de significado, esta possibilidade de transformar naquela pessoa que não se é (ou se pensa que não se é?)Sem o significado social a peça de roupa perde o valor sendo o argumento publicitário da personalização fundamental pois ao personalizar os objetos, a sociedade se comunica e, assim, se integra. A relação da consumidora não é com o objeto, mas com o mundo mediante o uso do objeto, de forma que a marca é apenas instrumento desta relação.Como seres humanos nós somos “máquinas de significação”, pois as pessoas atribuem significado a tudo. Nós vivemos para significar, para fazer sentido. Quando a vida não tem mais sentido, queremos morrer.

REFERÊNCIA

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[1] Este artigo foi publico nos anais do Encontro Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração – ENANPAD em 2007 realizado no Rio de Janeiro

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