Mercadoglobal UPE Caruaru

Setembro 27, 2008

Semana Universitária da UPE em Caruaru terá palestras e mini cursos

Com apoio da ACIC – Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, da FACEP – Federação das Associações Comerciais de Pernambuco, do Pólo Comercial de Caruaru e da FIEPE – Federação das Indústrias de Pernambuco, a UPE – Universidade de Pernambuco, Campus Caruaru promove no período de 6 a 10 de outubro próximo a SUPER – Semana Universitária de Pernambuco durante a qual serão realizadas palestras, mesas redondas e mini cursos relacionados a moda, gestão de empresas e sistemas de informações.

Segundo seus promotores, é pensamento corrente que as empresas passarão a ter dificuldades cada vez maiores para atrair e manter talentos da próxima geração com potencial de liderança, pois eles têm valores e atitudes muito diferentes a respeito do trabalho, do mundo corporativo e da vida em geral. Portanto, a atração e a retenção de talentos passarão a ser a principal preocupação das empresas.

Aliado a essa tendência, visualiza-se a importância estratégica que a tecnologia da informação tem para a garantia de competitividade nas organizações. Desta forma, percebe-se a necessidade de conhecer as novas ferramentas e aplicações tecnológicas que possam levar ao alcance de melhor desempenho nas organizações.

O evento é uma realização da Coordenação de Extensão da UPE / Campus Caruaru com o apoio da UPE Consultoria Júnior e teve sua identidade visual produzida por Elton R. Vieira. 

Os interessados deverão se inscrever pela Internet acessando o site http://www.upeconsultoriajr.com/super/

PROGRAMAÇÃO

Palestras e Mesas Redondas

06 de Outubro

Mesa Redonda: A formação acadêmica em Moda como fator de desenvolvimento do APL de confecções do Agreste – Esp. Izabelle Barros (UPE)

16h – 18h

UPE e seu papel estratégico no desenvolvimento de PE – Me. Otto Benar (UPE)

16h – 17h

Abertura: Prof. Pedro Falcão – Diretor da FACETEG

19h – 20h

Momento Artístico Cultural: Fundação de Cultura, Turismo e Transportes de Caruaru.

19h – 20h

Lançamento de Livros: Prof. Me. Fernando Andrade (UPE)/Carolinny Torres (Discente – UPE)

19h – 20h

Sistema Tributário Nacional e orçamento público – Prof. Me. Fernando Andrade

20h – 21h

07 de Outubro

A UPE e o mercado de trabalho – Me. Severino Bezerra

8h – 10h

Cine Debate: Uma verdade inconveniente – Prof. Me. Adriana Cordeiro (UPE)

14h – 16h

Redes Neurais Artificiais e suas aplicações – Prof. Me. Paulemir Campos (UPE)

14h – 15h

Empreendedorismo Cultural – Paulo André (Produtor Cultural)

19h – 20h

Administrando a mudança: o novo desafio do lider. – Prof. Me. José Artur Muniz (UFPE)

19h – 20h

Marketing pós-moderno e sua aplicação nas organizações – Prof. Me. Ricardo Fonseca (UFPE)

19h – 20h

08 de Outubro

Software Livre – Prof. Me. Fernando Carvalho (UPE)

9h – 10h

Cine Debate: O diabo veste Prada – Prof. Esp. Izabelle Barros (UPE)

14h – 16h

Mesa Redonda: O Humano a partir de diversos olhares: Sociológico, Filosófico, Antropológico, Legal e Político. Coordenação: Prof. Me. Terezinha Lucas (UPE)

14h – 16h

Qualidade em Atendimento e Vendas – Carlos Daniel (ACIC)

14h – 15h

Super Simples: simplificando para crescer – Prof. Laudemiro Carvalho (CONSULTOR)

19h – 20h

Como construir um perfil profissional de sucesso – Prof. Me. Alberto Brandão (UPE)

19h – 20h

Medida Sinal Vital: Estratégia de Custos para as Empresas – Prof. Me. Gilberto Imbrósio

19h – 20h

Marketing de Moda para Web – Me. Taciana Viana (UFPE)

14h – 15h

09 de Outubro

Negociações internacionais – Prof. Esp. Carlos Pacheco (FAREC)

9h – 10h

Marketing Cultural como fator de desenvolvimento – Prof. Me. Paula Gonçalves (UPE)

9h – 10h

Solução de Problemas de Otimização utilizando Algoritmos Evolutivos – Prof. Me. Cícero Garozzi

9h – 10h

Avaliação da aprendizagem numa perspectiva construtivista. Prof. Me. Terezinha Lucas

9h – 10h

Computação e seus perfis acadêmico-profissionais – Prof. Jones Albuquerque (DEINFO-UFRPE/CESAR)

11h – 12h

Vivenciando uma experiência real em empresas Juniores e incubadora de empreasas – Prof. Me. Gilson Teixeira Filho

14h – 15h

Cine Debate: Tropa de Elite e o estilo brasileiro de administrar – Prof. Me. Alberto Brandão

14h – 16h

A participação na gestão democrática da escola – Prof. Me. Terezinha Lucas (UPE)

14h – 15h

O arranjo produtivo de confecções do Agreste e as influências das relações interorganizacionais. – Me. Isabella Lira (UFRN/ITEP)

16h – 17h

Escritório e Maturidade em Gerenciamento de Projetos – Prof. Me. Gilson Teixeira Filho (UPE)

16h – 17h

Uso de meios de comunicação como estratégia competitiva Marcelo Francisco (Grupo Jornal do Comércio)

19h – 20h

Sinergia e a Liderança Transformadora – Prof. Me. Alberto Brandão (UPE)

19h – 20h

10 de Outubro

Reuso de Software: uma visão geral – Jarley Nóbrega (Membro do RiSE)

9h – 10h

Utilização de gestão do conhecimento por meio de ferramentas de groupware e educação à distância – Prof. Me. Gilson Teixeira Filho (UPE)

10h – 11h

Software Livre no Cinema – Everton Mendonça (Discente – UPE)

15h – 16h

Software Livre nas Empresas – Elton Bezerra Torres (Discente – UPE).

16h -17h

O mercado de moda do Agreste – Waldyr Rocha (ACIC) Filho

16:30h – 17:30h

Sessão de Apresentação de Pósteres

19h – 20h

Criatividade: Estratégia competitiva para o mercado de Moda – Luis Clério (Faculdade Boa Viagem)

19h – 20h

Segurança da Informação voltada a realidade de Caruaru – Eduardo de Vasconcelos (Discente – UPE)

19h – 20h

Instalação: Visual Merchandising/Distribuição de Editorial de moda – Prof. Esp. Izabelle Barros (UPE)

20h – 21h

Cine Debate: A fome no Brasil – Prof. Me. Fernando Andrade (UPE)

20h – 22h

Mini cursos e oficinas

06 de Outubro

Configuração básica de roteadores CISCO – Jancleidson Soares (Discente – UPE)

8h – 16h

07 de Outubro

Implementando Segurança em Roteadores Cisco – Profª Me. Érika Medeiros (UPE)

8h – 16h

Oratória – Prof. Me. Marjony Camelo (UPE)

9h – 12h

MS Excel Avançado – Webert Moura (Discente – UPE)

9h – 12h

08 de Outubro

Relacionamento com clientes – Profª Me. Adriana Cordeiro (UPE)

8h – 16h

MS Visio Para Iniciantes – Profº Me. Alberto Brandão (UPE)

8h – 12h

Telemarketing: Satisfação ou Complicação – Karla Pinheiro (FIEPE)

9h – 12h

A arte de construir projetos e TCCs – Profº Pedro Falcão – Diretor da FACETEG

19h

Elaboração do plano de Marketing

19h – 22h

09 de Outubro

HP 12C – Prof. Me. Nildo Cassundé (UFPE)

9h – 12h

Métodos quantitativos utilizando o MS Excel – Prof. Me. Fernando Pontual (UPE)/Prof. Me. Cristóvão Brito (UPE)

9h – 12h

Criação de Publicações técnicas e científicas utilizando o LaTeX – Profº Me. Cícero Garozi (UPE)

14h

10 de Outubro

Planejamento e Desenvolvimento de coleção de moda – Faculdade SENAC

9h

UML – Profª Me. Roberta Andrade Fagundes (UPE)

8h – 12H

Oficina: Descubra seu estilo – Faculdade SENAC

14h

Oficina: Pesquisa de tendência de moda na Internet – Faculdade SENAC

14h

 

Setembro 11, 2008

Shopping Caruaru promove mais uma edição do Caruaru Moda Shopping

O Sebrae e o Shopping Caruaru promovem na próxima sexta-feira, 12 de Setembro de 2008, mais uma edição do Caruaru Moda Shopping. O evento será realizado em área especialmente montada no estacionamento daquele centro de compras e apresentará as tendências para as coleções Primavera-Verão.

 

Outro ponto de destaque do evento será a participação de modelos de renome nacional ou que acabaram de chegar de temporadas em passarelas internacionais. Dentre eles podemos destacar novas promessas do mercado, como a modelo Camila Hansen, da EP Models, considerada por muitos a nova Isabelli Fontana. Entre os modelos veteranos teremos o ator global Rafael Calomeni.

Presença importante no Caruaru Moda Shopping será o estilista Melk Zda, com Mostra de Estilo. O evento terá ainda exposição de editorial de Moda realizado pelo fotógrafo João Arraes, do Alto do Moura.

 

A produção do Caruaru Moda Shopping tem a assinatura de Nestor Mádenes.

Agosto 29, 2008

Rodada de Negócios da Moda em Pernambuco supera expectativas

Por Bento Albuquerque *

 

Mais uma vez, a Rodada de Negócios da Moda Pernambucana superou as expectativas da organização. Durante três dias mais de dois mil pedidos foram computados em cerca de mil e duzentas reuniões de negócios. Dessa forma, 81 empresas pernambucanas tiveram a chance de lançar os seus produtos para todas as regiões do Brasil, através de 230 compradores. A qualidade dos produtos aliada à visão empreendedora dos empresários gerou R$6,8 milhões de faturamento.

 

Para quem já participa da Rodada de Negócios desde a primeira edição, nenhuma surpresa. O profissionalismo encontrado nos arredores de Caruaru conquistou um mercado antes distante da realidade local. O jeans, sempre destaque em vendas, foi o campeão mais uma vez, seguido pela moda feminina e infantil. A região Norte comprou mais, mas o Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul também se fizeram presentes e, nesta ordem, conquistaram do segundo ao quarto lugar no número de pedidos fechados. A injeção de renda na economia local ainda é projetada para os próximos três meses, com previsão de atingir cerca de R$ 20 milhões.

 

Animado com os resultados, o coordenador da Câmara da Moda da Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (ACIC), Waldyr Rocha, se orgulha de ver que a crença em um mercado potencial no Pólo de Confecções deu certo. “Foi acima da mais otimista das expectativas. Isso mostra que estamos no caminho certo”, afirma o empresário. A trilha continuará sendo seguida pela maioria das empresas que já reservaram as vagas para a 7ª Rodada de Negócios, prevista para março de 2009.

 

* Bento Albuquerque é Administrador e Mestre em Administração. Professor e Consultor de Marketing, é responsável por várias iniciativas que estão contribuindo para a consolidação do Polo de Moda de Caruaru. 

Julho 16, 2008

Projeto de Santa Catarina mostra as vantagens da parceria entre empresas e instituições de ensino no setor confecções.

 

Post de Otto Benar Farias

 

Dudalina e Assevim. Hering e Furb. Marisol e Univali. Renaux View e Udesc. Tecnoblu, Oxford e Senai. A combinação entre grandes empresas catarinenses com as maiores instituições de ensino de design do Estado tem como resultado 14 coleções exclusivas que demonstram toda a capacidade do design em Santa Catarina. Malhas incendiadas e desfiadas, novas utilidades para camisetas, pratos que imitam conchas e sapatos que parecem grama são apenas exemplos do que a criatividade dos estudantes do Estado pode alcançar através de grandes parcerias. Empresários e entusiastas do evento falaram ao Noticenter sobre os resultados obtidos com os trabalhos em 2007 e as novidades programadas para 2008.

Os alunos de 11 instituições de ensino receberam mais uma vez o desafio de reinventar formas e utilidades para os produtos e matérias primas de 13 empresas catarinenses. “Nossa empresa trabalha basicamente com malha e foi preciso muita originalidade por parte dos alunos no desenvolvimento das peças. Incendiamos e desfiamos manualmente os tecidos, tudo para conseguir um resultado surpreendente”, explica o diretor da Maré Cheia, Jaison Bogo, estreante no evento.

“O objetivo não é o desenvolvimento de produtos comerciais, e sim, conceituais. Os acadêmicos trabalham com sua criatividade ao mesmo tempo em que descobrem na prática alguns limites naturais na hora da confecção das peças. Enquanto eles adquirem experiência, nós garimpamos talentos e descobrimos novas possibilidades de desenvolvimento”, afirma o empresário Alfonso Eggert Júnior, da Oceano.

O diretor administrativo da Hering, Carlos D´Amaral demonstrou ter ficado satisfeito com as coleções. “Demos as alunas liberdade para criar e elas deram conta do recado. No caso da Hering, as camisetas foram transformadas em outras peças de vestuário e acessórios, sem perder a identidade visual do produto”, comemora.

Para Carlos Ferreirinha, gestor do SCMC, e Rui de Souza (Dudalina), presidente, o resultado final foi um sucesso e este ano promete trazer ainda mais novidades. “Queremos dobrar o número de empresas e instituições de ensino participantes”, informa o presidente. “Representantes de novos segmentos estão ingressando no SCMC transformando o evento em um berço para o desenvolvimento do design como um todo. Nos próximos anos teremos mais grifes de calçados, além de fábricas de fios, aviamentos, embalagens, e também da linha branca. Estas empresas irão ingressar no SCMC e fortalecer ainda mais o projeto”, complementa Ferreirinha.

O vice-presidente do SCMC, Cristiano Buerger, da Tecnoblu, é um dos maiores entusiastas do projeto e comemora o crescimento do evento e o interesse de novas marcas. “Sempre percebi o potencial têxtil de Santa Catarina

, e perguntei por que o design não era desenvolvido nas empresas com tecnologia de ponta. Fico feliz ao ver que elas entenderam que a arte e o design são diferenciais”, celebra.

“Desde a primeira edição do evento, há três anos, os empresários passaram a perceber que o design e a criação de qualidade são mantenedores de emprego, e não frescura. Nossa intenção em nada tem a ver com o conceito fashion show das marcas, a preocupação é com o lado criativo de cada coleção”, argumenta o estilista Mário Queiroz, orientador do SCMC.

“O SCMC promove um intercambio entre nós empresários. Durante todo o ano participamos de eventos e reuniões para conversar sobre a nossa troca de experiências”, enfatiza Alfonso.

“Estou extremamente satisfeito com o resultado. Sem dúvida esse é o grande começo de um projeto que renderá muitos frutos. Fazer parte é muito prazeroso e enriquecedor”, conclui o diretor financeiro do SCMC, Giuliano Donini, da Marisol, que este ano participou com duas vertentes da marca.

Fonte:http://www.revistaportuaria.com.br/?home=noticias&n=zmUm&t=projeto-mostra-como-unio-estrategica-entre-universidades-grandes-empresas-pode-produzir-avancos-economia-sc

 

 

 

Maio 22, 2008

Modos & Moda

Arquivado em: Arranjo Produtivo Confecção, Moda — mercadoglobal @ 11:28 pm
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Artigo de Izabelle Barros *

A moda pode parecer, para muitos, absurda e arbitrária, coisa simples e surpeficial, mas na verdade, não é bem assim. Segundo o filósofo francês Gilles Lipovetsky “… a moda não existiu em todas as épocas nem em todas as sociedades…”. Foi a partir do Renascimento, no final do século XIV e começo do século XV, com o aburguesamento do estilo de vida e aceleração da vida urbana que começou a se estabelecer uma competição e uma busca do novo enquanto ideal.

 

Mas, se antes não existia moda, o que existia? Havia modos de vestir que caracterizavam certos povos em determinados períodos históricos. Essas indumentárias não se alteravam com a mesma velocidade das mudanças que passaram a ocorrer a partir do fim da Idade Média.

 

Na seqüência, a moda começou a aparecer como um sistema, tornando-se complexa e devendo ser compreendida como um fenômeno sócial:a moda é um reflexo de fatores ideológicos, políticos, religiosos, culturais, sexuais e artísticos de uma época.

Desde o século XIX, que a moda começa a ser objeto de estudo de sociólogos e outros estudiosos, só nos anos 60, adquiriu caráter científico e espaço dentro das universidades. Hoje, estuda-se moda em um contexto abrangente, enfocando-se não só a estética, mas também como uma forma de conhecer a sociedade contemporânea.

 

Para o sociólogo George Simmel, a moda pode ser explicada através de um olhar social e antagônico: a “ imitação ”, onde o indivíduo quer se igualar, na tentativa de obter pertencimento a um grupo social e a “diferenciação”, na qual se pretende destaque, inovação, tendo atitudes novas e criando novos estilos. Essas vertentes apesar de serem contrárias, se complementam e tornam a moda cíclica. O que é diferente hoje pode se tornar amanhã uma referência de estilo.

 

Neste mesmo contexto a moda aparece como um artifício, uma “segunda pele” usada para renovar a aparência, revelando aspectos dos quais pode-se não estar consciente, manifestando vaidade, erotismo, modernidade ou até  mesmo discrição.

 

Outro aspecto interessante que vale ser ressaltado é a diferença entre moda e “modas”. A primeira refere-se à constante variação das formas de vestir. A segunda está relacionada aos comportamentos adotados temporariamente por uma sociedade. Hoje está na moda navegar na internet, ouvir música eletrônica, comer sushi e assistir aos domingos um filme nacional. A essência deste fenômeno social é a mesma que impera na moda do vestir: trata-se da constante mutação do velho para o novo, do que está ultrapassado para o que está na última moda.

 

Depois desta pequena reflexão percebemos mais claramente que a indústria da moda, filha dileta do capitalismo, é sistemática, efêmera e autofágica, alimentando-se sempre de si mesma.

 

È esse movimento constante, de curto ciclo de vida que permite  a evolução. Por isso, se a moda pode ser resumida em uma única palavra  esta seria MUDANÇA!

*Bacharel em Estilismo e Moda pela Universidade Federal do Ceará e Especialista em Ensino da História das Artes e das Religiões pela Universidade Federal Rural de Pernambuco 

Professora do Curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda da Universidade de Pernambuco e do Curso de Design de Moda da Faculdade SENAC PE

Maio 20, 2008

O MARKETING DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS:

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Economia, Moda — mercadoglobal @ 3:04 am

O MARKETING DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS: UM ESTUDO COM DEZ EMPRESAS DA INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO DE CARUARU

 

Degles Henrique Gonçalves de Siqueira

UPE-FCAP

Caio Anderson de Arruda Siqueira

 

RESUMO

Este trabalho apresenta as práticas de marketing comumente adotadas por dez empreendimentos de Caruaru que fazem parte do Arranjo Produtivo Local Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano (PCA). Nele, objetivou-se explorar, de forma quantitativa e qualitativa, quais as práticas de marketing que as pequenas empresas dessa indústria utilizam na definição de suas estratégias de produto, suas políticas de preço e as atividades de comunicação e venda de seus produtos. Através da metodologia aplicada, questionários elaborados e observação do mercado e das atividades das empresas, constatou-se que há distanciamento entre o discurso assumido pelos gestores e a prática diária, fazendo-se necessário a estruturação de departamento ou a existência de recurso humano que possa tratar da administração de marketing nessas empresas.

 

Palavras-chave: Marketing dos vestuários; marketing da indústria de confecção; marketing de pequenas empresas; administração de marketing.

 

INTRODUÇÃO

O Pólo de Confecção do Agreste (PCA) é um dos pólos de desenvolvimento da economia do estado de Pernambuco estruturado como um Arranjo Produtivo Local (APL) devido às características específicas dos municípios que os compõem: Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Ambos, geograficamente, são muito próximos; seus produtos são semelhantes, a confecção de vestuários. Contudo, cada município possui uma especialização no segmento de vestuários. Toritama se apresenta como uma das maiores produtoras de jeans do Brasil, competindo, em segundo lugar, com o Brás em São Paulo.

Santa Cruz do Capibaribe, que no final da década de 50 tinha como base econômica a pecuária, a cultura do algodão, pequenas manufaturas de confecções e venda de calçados, atualmente, é marcadamente o município da malha para moda surfwear, streetwear, moda íntima e moda praia.

Caruaru tem como principal fonte de sua renda a indústria, com destaque para a indústria de confecção e do turismo. É um município muito diversificado na produção de confecção geral e arte figurativa.

Como metrópole do Agreste de Pernambuco atraiu nos últimos anos grandes investimentos para a formalização do APL-PCA, como: universidades públicas de iniciativa federal e estadual, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que mantém cinco cursos no município sendo um deles Design com ênfase em moda; a Universidade de Pernambuco (UPE), com dois cursos, um deles objetiva a formação e profissionalização da gestão das empresas no município, Administração com ênfase em Marketing e Moda. Além de outras entidades que atuam no ensino técnico profissionalizante, SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica.

A pesquisa objetivou explorar quais as práticas de marketing utilizadas por dez empresas para definir suas estratégias de produto, as suas políticas de preço e as atividades de comunicação e venda de seus produtos, dentro de uma observação da dinâmica dos conceitos apreendidos na academia e utilizados no dia-a-dia pelos gestores.

Para Kotler (1995) o marketing é característico das empresas vencedoras. As empresas bem-sucedidas definem seu mercado-alvo e trabalham para responder às necessidades desse mercado da forma possível, estão decididamente orientadas para os clientes. Drucker (1973) considera o marketing tão básico na constituição de uma empresa que não pode vê-lo como um departamento, uma unidade distante ou isolada, mas como o empreendimento como um todo do ponto de vista de seu resultado final. Esse resultado não é determinado pelo produto, mas sim pelo cliente, isto é, o direcionamento da empresa deve ser para o consumidor final. Marketing, portanto, é uma forma de se fazer a Administração.

As relações de consumo dos produtos de confecção e moda estão impregnadas de relações simbólicas que perpetuam a experiência com as empresas. Produto aqui são as peças para vestuários confeccionadas pelas dez empresas pesquisadas, não considerando os componentes acessórios da moda.

Quando se trata de pequenos negócios, é muito comum verificar que os gestores acabam protelando o plano o marketing ou interpretando o marketing um departamento à parte, ou menos ainda, como ações pontuais de comunicação usando-se da propaganda em outdoors, cartazes, spots, comerciais, dentre outros. Deixando de encarar o marketing como um fator decisivo para o êxito do pequeno empresário (…) porque tudo nasce do mercado e tudo se dirige para ele (GRACIOSO, 1995).

A grande quantidade de pequenos negócios em Caruaru no segmento de confecção, como também, as empresas de confecção que vem de outras regiões do Brasil, solicita aos empresários um marketing mais agressivo para a sobrevivência de suas empresas (SARQUIS apud CONRAD, 2003).

Rosa (1992) observa que as práticas mostram que realmente são poucas as empresas que utilizam o marketing de forma efetiva e a média dos proprietários das pequenas empresas de fabricação é fraca em organização de marketing (IKEDA, 1993).

Empresas voltadas para a produção ou somente para si mesmas sinalizam que o cliente não passa de um mal necessário. Adotam uma postura egocêntrica nos negócios o que poderia ser válida quando a empresa moderna era um fenômeno recente, no entanto, isso já é coisa do passado. Os clientes, hoje, não estão sempre disponíveis para comprar produtos. Procuram soluções. Procuram alimentar personalidade e expectativas (HAMMER, 2001).

 

METODOLOGIA

Algumas questões que figuram em um trabalho científico são em torno de sua metodologia e como foi conduzido pelos pesquisadores. A pesquisa fez uso do método indutivo não buscando generalizações, aprioristicamente, mas constatando-as a partir da observação de casos concretos (LUCENA apud GIL, 2004).

A metodologia da pesquisa constou de cinco etapas: revisão bibliográfica e caracterização econômica do Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano utilizando o relatório final da publicação de mesmo título apresentado ao SEBRAE-PE em 2003; definição de como iria ser alcançado o público-alvo da pesquisa; elaboração de um questionário para entrevistas; contato com os gestores para agendamento da entrevista, contando com a ajuda de uma empresária local; tabulação dos dados e análise final.

As empresas foram selecionadas a partir de critérios de conveniência, relativa proximidade geográfica e acesso aos gestores na disponibilização de seu tempo para resposta às questões de um questionário e condução dos pesquisadores pelo dia-a-dia da empresa, levando-os a visualizar como é feito na prática os pontos do questionário. Essas empresas foram escolhidas aleatoriamente de uma lista fornecida pela FIEPE – Caruaru. A amostragem, portanto, se deu não-probabilística já que intencionalmente escolheram-se as empresas que iriam participar do estudo.

O instrumento para coleta de dados foi um questionário adaptado da obra de SARQUIS (2003). Constou de 32 questionamentos alinhados em quatro pontos focais para o levantamento das práticas de marketing que as pequenas empresas utilizam. São os pontos: questionamentos relativos quanto às práticas de produto, com 9 questões; quanto às práticas de preço, contendo 7 questionamentos; quanto às práticas de comunicação e vendas, com 13 proposições e sobre a prática de planejamento de marketing, contendo 2 questionamentos. Finalizava-se o questionário com uma parte para considerações finais, onde se perguntava sobre a satisfação do desempenho mercadológico da empresa, 1 questão, e um espaço para comentários gerais. As questões foram fechadas e algumas com múltipla escolha. Após a entrevista o pesquisador era convidado a conhecer as instalações da empresa, o que prolongava a permanência por cerca de 2 horas. Anotações relevantes eram realizadas logo após essa apresentação da empresa na saída.

Não foi utilizado nenhum software específico para análise de dados, após a tabulação. Utilizou-se, exclusivamente, do software Microsoft Excel 2007 para a criação de tabelas dinâmicas e geração de gráficos.

 

APRESENTAÇÃO DOS DADOS

 

Quanto às práticas de produto

Em relação às práticas de produtos analisou-se a identificação da empresa e produto; sobre a estratégia de marca; a freqüência do controle da qualidade dos produtos; a utilização de embalagens como instrumento de marketing; os serviços de apoio ao produto; o desenvolvimento de produtos; a obtenção de idéias para produtos e como é feita a análise do desempenho dos produtos.

Em relação à identificação da empresa todas elas possuem marca registrada, 20% trabalham com marcas de terceiros, 100% possuem logotipo para suas marcas próprias ou para as de terceiros e 20% utilizam slogans. A estratégia de marca utilizada pelas empresas é a marca de produto, 70%, que, na prática, se confunde com a empresa, não havendo uma distinção entre marca institucional e de produto. 40% das pesquisadas utilizam marca da empresa como estratégia.

A qualidade dos produtos é um item de extrema importância para as empresas. A totalidade das empresas possui controle da qualidade em diferentes formas: controle da matéria prima, antes da fabricação do produto, 100%; controle da qualidade durante o processo de fabricação, 100%; testes de controle de qualidade (testes de gramatura, encolhimento da peça, fixação do tingimento, etc.), 90% e a realização de inspeção final da peça antes da distribuição, 100%.

A embalagem é pouco usada como instrumento de marketing. Os gestores entendem que a embalagem não é um item que pesa na hora da compra de seus produtos, uma vez que, as lojas expõem os produtos fora de suas embalagens originais. Basicamente, as embalagens são instrumentos de proteção e conservação do produto, 90%, para as empresas; facilitadoras do manuseio do produto, 70%; 40% das empresas levaram em consideração elementos de comunicação da embalagem, transmitir informação sobre o produto/empresa.

O apoio aos produtos é um fator controverso na pesquisa. 60% das empresas dizem manter atendimento ao consumidor final. Na prática não pode ser percebido esse canal. Falta estrutura na empresa. Ao contrário do atendimento aos consumidores intermediários, 50%, que é vigoroso, através dos representantes comerciais e relação entre os gestores e os seus clientes intermediários, por telefonemas, e-mails, visitas, entre outros.

Outros serviços de relevância: entrega de mercadorias, 50% das empresas cuidam da entrega; troca e devolução dos produtos com problemas, 40%; informação do mercado aos intermediários, 40%; e acompanhamento pós-venda pela empresa é um fator crítico, 20% das empresas fazem regularmente.

Ainda relativo à prática de produto, o item sobre desenvolvimento de produto revelou as atividades mais comuns adotadas pelas empresas, algumas até controversas. As empresas, 90%, consideram o desenvolvimento de peças para novas coleções como produtos realmente inéditos. No entanto, consideram-se produtos realmente inéditos aqueles que se desenvolvem dentro da estrutura de criação da empresa através de pesquisa e construção de conceitos próprios e não a livre adaptação de peças que já estejam em circulação no mercado, seja nacional ou internacional. Na verdade, os produtos considerados “realmente inéditos” são melhores compreendidos como novos produtos lançados pela empresa ou inéditos para os gestores e não para o mercado. Dessa forma entendido, o nível de empresas que lançam produtos inéditos é muito baixo. No entanto, as empresas são ousadas quando atuam no desenvolvimento de produtos que são novos para elas; 90% das empresas conseguem desenvolver produtos que são novos para seus métodos de produção, mostrando a capacidade de adaptação ao mercado. 80% estão efetuando modificação em produtos existentes na empresa. Com freqüência as peças mais básicas que sempre compõe as coleções. Ainda, existe a parceria de desenvolvimento de produtos com os clientes intermediários, 80%.

No quesito insucesso com os produtos, 30% das empresas afirmaram ter problemas com produtos em lançamentos de coleção. Alguma peça que não foi bem aceita como esperado. 90% das pesquisadas realizam teste em seus produtos. O que serve para justificar o índice de insucesso em uma coleção.

Os caminhos para a obtenção das idéias, sugestões para o desenvolvimento de suas coleções, por ordem de importância são: os clientes intermediários, uma totalidade das empresas considera suas recomendações; a equipe de venda, 90%; consumidores finais e fornecedores, 80%; os fornecedores possuem um canal muito estreito com essas empresas. São eventos semestrais para demonstração das tendências em modelagem, tecidos, cores, estampas em seus showrooms que acaba influenciando o planejamento da coleção. Os menores índices, contudo não desprezíveis, são: intuições próprias, amigos e familiares, funcionários, com uma participação no desenvolvimento de um projeto de coleção em 60%. Estudar os passos do concorrente não é relevante para as empresas pesquisadas: 30% das empresas fazem com freqüência a análise do desenvolvimento do concorrente, 40% às vezes, 30% nunca fazem.

A avaliação dos produtos é um hábito, no entanto, não sistematizado. Os itens mais relevantes para uma avaliação foram: a taxa de crescimento das vendas, 80% e a participação percentual no faturamento da empresa, 60%.

 

Quanto às práticas de preço

No geral a política de definição de preço é um trabalho sistêmico e prática comum entre as empresas focadas no mercado, que consideram o valor percebido de seus produtos na elaboração do preço. Os itens mais assinalados pelas empresas, quanto aos objetivos norteadores de uma política de preço foram: maximizar o lucro em longo prazo, 50%; manter lealdade e apoio aos intermediários, 30%; maximizar o lucro em curto prazo, 30%.

Os métodos utilizados para elaborar o cálculo do preço de venda são: margem de contribuição, 80%; valor da concorrência, 10% e fixação do retorno sobre o investimento (ROI), 10%. Nenhuma empresa define seu preço considerando o valor percebido pelo mercado.

Os fatores que influenciam com maior freqüência a definição do preço de venda nas empresas são os custos, 80%, a sensibilidade do produto ao preço, 40% e objetivos e imagem desejada pela empresa, 40%. 10% dizem considerar o preço do concorrente, mas todas as empresas mantêm-se na média de preço do mercado, quando vão estruturas suas estratégias de preço.

O fator custo como o que mais influencia a definição do preço de venda sinaliza a utilização de sistemas de controle de custo pelas empresas. 80% das empresas utilizam a apuração do custo por processo e a contabilização do custo fixo pelo custeio direto ou variável (80%).

No que se refere aos seus recebimentos e aos créditos cedidos pelas empresas aos clientes intermediários, todas adotam como medidas de proteção à manutenção constante de seu cadastro de clientes intermediários, analisam a situação creditícia deles antes da emissão da nota de fatura, a consulta permanente às entidades protetoras do crédito e a cobrança devida das pendências.

 

Quanto às práticas de comunicação e venda

Não é suficiente fazer um bom produto. Tem de fazê-lo conhecido pelo mercado. Em relação às práticas de comunicação e venda explorou-se os seguintes itens: a freqüência com que a empresas utiliza de propaganda para promover seus produtos e quais as mídias escolhidas; o método para determinar o montante de investimentos em propaganda; o método para avaliar o resultado da propaganda; a utilização da promoção para incrementar a venda; a existência da prática de merchandising no ponto-de-venda (PDV); quais as atividades de administração de venda adotada pelas empresas e os problemas mais comuns com essa administração; a sistemática para a remuneração da equipe de venda e o controle da equipe; a utilização do marketing direto e quais os destinatários freqüentes das ações de marketing.

A comunicação é entendida como o conjunto de sinais que são emitidos pelas empresas em direção aos seus clientes e a todos os alvos (LENDREVIE, e.o. 1996). Esses sinais, ou mensagens devem ser administrados pelos gestores, como também, os canais por onde as mensagens caminham. Desta forma, a empresa trabalha na construção de suas marcas no mercado, elaborando fichas simbólicas, ou legissignos.

Os legissignos ou fichas simbólicas (ECHEVERRIA, 2006), são compreendidos como a própria marca que a empresa constrói no mercado, capaz de representar sistemas peritos, sistemas de excelência técnica ou competência profissional que organizam grades áreas dos ambientes, material e social em que vivemos hoje (ECHEVERRIA apud GIDDENS, 2006). São os legissignos, as marcas, que facilitam a troca, sobretudo econômica, ao criar um denominador comum e reduzir as incertezas dos consumidores no ato da compra. Por isso, a gestão do marketing e comunicação faz-se importante. Com a existência ou não de um planejamento da comunicação, a comunicação dos produtos de uma empresa sempre vai acontecer, e mal. A empresa está sempre comunicando com suas ações no mercado e não pode ceder a outro o que é de sua responsabilidade.

As empresas utilizam com maior freqüência a divulgação boca-a-boca de seus produtos, 70%; outras mídias de destaque: adesivos, brindes e buttons, 40%. Optam por mídias mais simples de executar e com baixo custo envolvido.

TV rádio ou cinema, com maior destaque para Rádio e TV, foi usado por 20% das empresas. As embalagens ou sacolas plásticas são pouco utilizadas, 20%, os gestores não vêem que essa mídia agregue valor ao seu produto ou ajude comunica-los e não sabem como explorá-los no PDV. Em seguida, podem-se destacar também, panfletos ou prospectos, 30%; painéis, faixas e outdoors, 20%.

Determinam o montante de investimento em propaganda pela disponibilidade de recursos, 50%; utilizando o método objetivo-tarefa, 30% e o método da porcentagem sobre as vendas, 20%. Nenhuma das empresas considerou o método da paridade competitiva para determinar o investimento em propaganda.

Para avaliar o resultado da propaganda utilizam-se do cálculo do impacto sobre o volume de vendas, 60%. Outros métodos citados: taxa de conversão de novos clientes, 20%, e índice de procura por informações, 20%.

A promoção para incrementar a venda em curto prazo e apoiar os clientes intermediários foi outro item estudado na prática de marketing das empresas: 50% utilizam-se de feiras e exposições; 40%, prêmios de incentivo à compra em parceria com os clientes intermediários; 40% ainda utilizam de pacote de preços promocionais.

Utilizar displays ou outros elementos que dê destaque aos seus produtos no PDV foi uma alternativa pouco freqüente entre as empresas, 90% nunca fizeram uso desse recurso. A prática do merchandising de seus produtos no PDV é nula. E verificamos que muitas das marcas são comercializadas em lojas multimarcas. Somente 20% das pesquisadas afirmaram usar, às vezes, material de venda para destacar seus produtos. Outros itens da lista de análise foram selecionar o melhor local para o produto, 10% às vezes fazem; exposição promocional no PDV, 10% às vezes usa esse recurso. Uma das empresas revelou que em uma semana específica do mês visitavam as lojas revendedoras com modelo que visitam as peças, contudo, essa prática foi deixada de lado devido às responsabilidades com a produção, pesquisa, distribuição e muitas outras que a empresa demandava.

Em relação à administração de venda 40% motivam suas equipes ou revendedores; 40% definem os objetivos de venda e as metas de sua equipe; e, em 30% das empresas, o proprietário-gerente-empreendedor sente-se o vendedor nº. 1. Isso se dá, de certa forma, porque as empresas da pesquisa usam de representação comercial para a venda, objetivando a redução dos custos.

As pequenas empresas que apontaram problemas/dificuldades com a administração de venda os fizeram principalmente com relação aos seguintes aspectos: sistema de recrutamento e seleção, 10; funções e responsabilidades da equipe de vendas, 20% e problemas com técnicas de venda, 20. Não possuem problemas com o zoneamento territorial das vendas delimitando bem o espaço geográfico que pretendem atuar.

Esses números da administração de venda estão intimamente ligados com o método de venda adotado, a representação comercial da marca por terceiros especializados. As empresas não utilizam de outras empresas para fazer as vendas, nem de uma equipe própria de vendedores, mas de profissionais liberais que assumem a responsabilidade da venda de vários produtos representando as marcas e visitando os clientes intermediários. Uma representação concedida que nem sempre implica na exclusividade do representante, podendo, ele, comercializar até marcas concorrentes.

A remuneração adotada por 80%das empresas para a equipe de venda é uma participação comissionada, geralmente em 10%, sobre as vendas. 20% das pesquisadas adotam um sistema misto, salário fixo mais comissão. Nenhuma empresa assinalou o uso de salário como remuneração.

Os itens mais utilizados para o controle e desempenho de vendas são vendas globais da empresa (90% acompanham mensalmente). 30% das empresas acompanham mensalmente os métodos e técnicas de vendas utilizadas pelos vendedores.

Relativo à prática de marketing direto as empresas focam em uma única ferramenta o telefone que não se configura em um telemarketing profissional (50% sempre fazem); a mala-direta é outra ferramenta de destaque (40%). O uso dos catálogos não é uma constante entre as empresas, 60% às vezes optam por essa ferramenta.

Quando utilizado o marketing direto 90% das empresas tem como destinatário da ação o varejista e 80% o consumidor final. Para essa questão os empresários poderiam optar por mais de um dos itens. As ações são de marketing direto são planejadas a partir do bando de dados pessoal da empresa (100%), para varejistas. Em relação aos consumidores finais não se pode saber.

Questionadas sobre a existência do plano mercadológico, apenas 30% das pequenas empresas responderam que dispõem de um plano formalizado, com objetivos, ações, cronograma e orçamento definidos. As demais, 70% delas, responderam não. Basicamente possuem uma orientação “na cabeça” de certa idéia que pretendem realizar, mas nada documentado.

As que não possuem um plano foram questionadas sobre as razões: 50% alegam falta de tempo; 40% afirmam falta de habilidade ou conhecimento em planejamento; e 30% alegam falta de dados e informações.

Chama atenção na análise dessa questão que a metade das pequenas empresas alega falta de tempo para realizar o planejamento de marketing e um número muito grande alega a falta de conhecimento sobre planejamento. Sinalizam um conhecimento superficial do marketing para o planejamento. Com base nos contatos pessoais, a falta de prioridade para o marketing se justifica devido à deficiência no conhecimento efetivo do significado do marketing para pequenas empresas, a sua importância e o processo de planejamento.

Dessa forma, aponta-se que os resultados dessa pesquisa, no que tange à prática de planejamento de marketing, confirmam as pesquisas de IKEDA (apud SARQUIS, 2003) segunda a qual a maioria das pequenas empresas se revelou deficiente na prática de planejamento, especificamente no planejamento mercadológico/comercial. Eles estão agindo em desconformidade com as recomendações o que pode ser perigoso para os negócios da indústria de confecção em Caruaru.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise dos resultados apresentados, é possível tirar conclusões básicas a respeito da prática de marketing das empresas da indústria de confecção em Caruaru. Na conjuntura presente, as empresas não se preocupam com o marketing sistêmico. Estão voltadas para seus produtos e concretização das vendas. Tornam-se empresas voltadas para o mercado local com pouca expressão no mercado nacional.

Para identificar seus produtos usam marca própria que se vincula a empresa não existido distinção. A marca do produto confunde-se com a instituição e adotam logotipos; levam como estratégia de marca, a marca do produto.

O controle da qualidade de seus produtos é rigoroso por meio de inspeção ao longo do processo, desde a compra da matéria-prima, a produção, até a entrega do produto ao cliente intermediário. As embalagens são usadas para proteger e facilitar o manuseio do produto para os clientes intermediários e não vêem meios de as utilizarem como ferramenta de comunicação no ponto-de-venda.

Os serviços de apoio aos produtos oferecidos são mais especializados para os clientes intermediários como o atendimento, a entrega da mercadoria, a troca e devolução dos produtos e o acompanhamento pós-venda. Deixando o atendimento ao consumidor final muito a desejar.

Desenvolvem produtos novos para o mercado, mas não inéditos. Não desenvolvem produtos em parceria com clientes e adotam como fonte de idéia e sugestão: os clientes intermediários, consumidores, intuição própria, familiares, equipe de venda e fornecedores. Dispõem de certa diversificação de produtos, com uma de linha de produto com vários itens, geralmente, em média, composto por 46 itens.

Analisam o desempenho de seus produtos ou linhas dentro dos seguintes critérios: a taxa de crescimento das vendas, a participação percentual no faturamento da empresa e menos a perspectiva de competitividades.

A estratégia de preço amplamente utilizada é a paridade com o mercado. As pequenas empresas têm objetivos coerentes como orientadores da política de preços, tais como maximizar o lucro em curto e longo prazo, participação no mercado, manter lealdade e apoio dos intermediários e criar interesse e entusiasmo pelo produto. Utilizam como método para o cálculo do preço do produto a margem de contribuição e em segundo lugar, ROI e valor da concorrência e consideram os custos nessa fixação de preço, contudo, não levarem em consideração o valor percebido pelo mercado devido poucos investimentos em comunicação.

Divulgam e promovem os produtos via comunicação boca-a-boca, adesivos/brindes e panfletos ou prospectos. Determinam o investimento para propaganda através da disponibilidade de recursos e não se planejam para comunicar seus produtos. Quando comunicam por propaganda avaliam a comunicação pelo impacto sobre o volume de vendas.

As pequenas empresas usam para incrementarem as vendas as feiras e exposições, prêmios (brindes) de incentivo às compras, pacote de preços promocionais. Elas não praticam merchandising no ponto-de-venda de seus produtos.

As atividades de administração de vendas mais comuns são: motivação da equipe; definição de objetivos e metas; pacote de preços promocionais para os vendedores. Poucos proprietários agem como vendedores nº. 1 da empresa. O sistema de comissionamento para remunerar os vendedores é mais freqüente e o acompanhamento do desempenho de vendas é feito por meio da análise da venda global e de seus vendedores (representantes), mensalmente.

Como ferramenta de marketing direto, destaca-se: o telemarketing sem o envolvimento de intermediários especializados e a mala-direta que tem como suporte um banco de dados pessoal (de clientes intermediários) e tentam equilibrar-se entre varejistas e consumidores finais, no entanto, a ênfase é para ações com varejistas.

Falta planejamento mercadológico nas pequenas empresas, e questionado os motivos, os gestores alegaram: falta de tempo, dados e informações e conhecimento efetivo para planejarem o marketing das empresas.

Diante da deficiência em marketing, observadas em alguns pontos na pesquisa, convém recomendações importantes que posam melhorar a prática das empresas da indústria de confecção em Caruaru.

As empresas devem dispor de informações sobre seus clientes, consumidores, concorrentes e sobre dados internos com fidelidade e método. Para isso, necessita-se de uma sistematização na coleta e análise dos dados e informações de marketing; devem fazer uso de formas estruturadas de pesquisa, entrevista com grupo de clientes, abertura de canais e registros das percepções do produto que o cliente tem.

Na prática de produto devem-se utilizar melhor as embalagens e etiquetas como efetivos instrumentos de marketing adquirindo material diferenciado, com bom visual gráfico. Que o critério do desempenho do produto seja maior e melhor mensurável e bem formalizado: demonstrativo de vendas, curva ABC de produto, mapa de rentabilidade por produto e quadros de evolução das vendas. Que seja intensificada a identificação do produto e da empresa, logotipos e slogan para auxiliar no posicionamento.

Possam, em relação à política de preço, adotar métodos de determinação de preço mais compatíveis com o mercado como a margem de contribuição e o valor percebido pelo mercado. E que contem mais com os contabilistas na organização dos dados de custo e contabilidade em geral.

No que se refere à comunicação de marketing e vendas, sugere-se investir em propaganda via mídia alternativa e segmentada possibilitando a construção da marca; monitorar o boca-a-boca sobre a empresa e influenciar conscientemente esse processo; realizar ações de relações públicas como promoção de eventos, relação com a comunidade, contato com a imprensa regional através de envio de artigos para as áreas opinativas, apresentação em palestras, em faculdades ou órgãos de classe; adotarem publicação de informativos para os clientes intermediários e finais, que podem ser impressos ou utilizando os recursos da Web 2.0. Investir em merchandising para o ponto-de-venda via material para PDVs, exposição promocional, terceirização de serviços para consultorias.

Possibilitar que pelos representantes e vendedores o cliente final tenha acesso à empresa. Possibilitar o melhor recrutamento dos vendedores e tentar garantir exclusividade de serviço por parte dos representantes com muitas marcas que sejam concorrentes diretos das empresas. Aproximar-se dos vendedores das lojas que trabalham com multimarcas motivando-os a apresentarem seus produtos como principais.

A metodologia de planejamento, por fim, deve ser aprendida pelo proprietário-gerente seja por leitura de livros, participação de cursos rápidos, cursos pela internet, como através de graduação nas áreas da administração. Também procurem consultoria externa que colabore com o crescimento dos pequenos negócios formando parcerias. Monte anualmente o planejamento mercadológico com a equipe de administração e saiba delegar melhor as atividades dentro da empresa para que a gestão seja mais bem administrada no tempo. E não se esquecer de compartilhar as decisões do plano de marketing com os clientes internos e também comunicar-se bem dentro da empresa.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Abril 22, 2008

Empresários da moda vão às faculdades atrás de talentos

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Moda — mercadoglobal @ 1:57 am

Fonte: O Diário do Norte do Paraná

A dedicação nos estudos pode render um ótimo futuro profissional e fazer com que o emprego possa, sim, bater na sua porta. É o que está acontecendo com alunos dos cursos de Moda, ofertados em Maringá e Cianorte (a 85 quilômetros de Maringá). Empresários do setor do vestuário têm ido às universidades buscar referências de acadêmicos que ainda nem terminaram a faculdade.

Para ter uma oportunidade dessas, no entanto, é necessário estudar muito. É o que acredita o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindvest) de Maringá, Carlos Roberto Pechek. “Os empresários procuram os coordenadores dos cursos para saber quem se destacou. E quem realmente está fazendo o curso para trabalhar na área – e não somente para ter um diploma na mão ou conhecimento sobre o mundo da moda – tem mais chances de conseguir emprego.”

A excelente fase que o setor atravessa é responsável pela ida do empresário, que necessita de mão-de-obra, às faculdades de Moda, que despejam anualmente cerca de 90 recém-formados no mercado. O presidente do Sindvest apóia a iniciativa. “Inclusive, eu até faço disso uma sugestão: que os empresários façam o contato com os coordenadores dos cursos e procurem essa mão-de-obra jovem nas faculdades.”

O coordenador do curso de Moda do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), José Mário Martinez Ruiz, conta que já recebeu empresários na universidade, em busca de pessoal recém-formado na área. César Eduardo Mendonça foi um deles. A conversa com Ruiz resultou em dois recém-formados interessados na vaga de estilista.

Há cerca de 20 dias, Mendonça fez o anúncio da vaga de trabalho no site da faculdade. “Fiz as entrevistas de emprego com duas candidatas e, nesta semana, uma delas começou o período de três meses de experiência na fábrica.” A indústria de Mendonça situa-se em Mandaguaçu (a 32 quilômetros de Maringá), produz três mil peças por mês de moda feminina e fitness e conta com 32 funcionários.

Nos cinco anos de existência da fábrica, somente este ano o empresário decidiu investir pesado na criação das roupas. “Procuramos estilistas porque queremos lançar as nossas coleções em sintonia com o lançamento das grandes marcas.”

Situação semelhante acontece no curso de Moda da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no câmpus de Cianorte. O coordenador do curso, Ronaldo Salvador Vasques, diz que recebe cerca de 60 empresários do setor de vestuário, por ano, à procura de mão-de-obra. “É algo excelente. Ontem (quinta-feira), inclusive, recebi ligações de dois empresários”, cita.

O aquecimento do mercado é tão visível, segundo Vasques, que as cerca de 500 confecções existentes em Cianorte absorvem todos os alunos formados no curso de Moda da instituição. Todos os 22 alunos que se formaram recentemente na universidade já estão trabalhando na área.

Negócio de família

A exigência dos consumidores, frente ao produto final, colocam na corda bamba as empresas familiares que não investem em mão-de-obra capacitada. Segundo o presidente do Sindvest de Maringá, até pouco tempo, a pessoa montava uma fábrica e era o próprio empresário ou alguém da família que cuidava da criação das coleções.

No entanto, com a exigência dos consumidores, é necessário que as indústrias apresentem um produto mais diferenciado. “Quem quiser se dar bem no mercado precisa da técnica de quem realmente estudou Moda”, afirma Carlos Pechek.

Ronaldo Vasques conta que as empresas familiares precisam partir para a mão-de-obra proveniente dos cursos de Moda. “Mesmo que a pessoa já tenha conhecimento do ramo, é importante buscar informações fora”, diz o coordenador de Moda da UEM. Informações essas trazidas por quem esteve quatro anos no banco de uma universidade.

Segundo Vasques, a moda está muito informatizada. Se não fizer curso, a marca não deslancha e nem se mantém no mercado.

Abril 3, 2008

Por Um Sentido na Vida: Marcas de Moda e a Relação Pessoa-Objeto

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Moda — mercadoglobal @ 2:18 am
 
 
 
Por Um Sentido na Vida: Marcas de Moda e a Relação Pessoa-Objeto[1]


 

Resumo do Trabalho

 A marca de moda é o campo do estudo e o objetivo contribuir com o entendimento da relação pessoa-objeto mediante o consumo. Foram feitas entrevistas em profundidade, após análise de conteúdo de 24 entrevistas identificaram-se 38 atributos, estes foram analisados e agrupados em três aspectos: sociais, comunicacionais e motivacionais. Na seqüência, foi aplicado questionário construído a partir destes resultados para 324 consumidoras. Para os aspectos sociais foram encontrados cinco fatores: Jogo de Poder, de Personalidade, de boneca, da adequação e de (re)conhecimento; para os aspectos comunicacionais: Samantha – a poderosa, Carrie – a “antenada”, Charlotte – a autêntica, Miranda – a formal; para os aspectos motivacionais: Avaliação do produto em si; Avaliação do julgamento social; Avaliação do aspecto psicológico; Avaliação do aspecto econômico.  Palavras-chave: Marca, moda, consumo. A capacidade de comunicação simbólica é passível de ser encontrada em todos os tipos de produtos, mas o vestuário é um dos mais eloqüentes e poderosos produtos que as pessoas usam para se comunicar; é uma mídia expressiva, o objeto e seu signo de maneira altamente visual, conectado intimamente com a pessoa (usuário), é conduzido por ela em toda dimensão social de sua rotina diária. O vestir e adornar-se, nas diversas sociedades e em todas as épocas da evolução humana, denota maior complexidade do que a resposta inicial ao requisito puramente prático de abrigo confortável. O presente estudo visa contribuir com esta área de estudo emergente nas ciências sociais e que se dedica com crescente clareza e profundidade ao estudo das relações pessoa-objeto. Nesta abordagem visualiza-se o estudo do comportamento de consumo simbólico pois o consumidor não é orientado apenas pelo aspecto funcional. O seu comportamento é significativamente afetado pelos símbolos encontrados na identificação dos produtos. As pessoas compram produtos pelos significados pessoais e sociais adicionados aos funcionais. Consumo simbólico O significado de um objeto é derivado daqueles atributos e características de desempenho que os indivíduos acreditam que o objeto possua não sendo, porém, totalmente inerente ao objeto por si mesmo, mas sim formado através da interação entre o indivíduo, o objeto e o contexto (KLEINE at. al. , 1991).Quando os produtos são utilizados como símbolos eles servem às pessoas através de sua transformação em ferramentas úteis para que estas provoquem reações desejadas nas outras pessoas ao seu redor, pois sempre que uma pessoa utiliza produtos ela está tentando comunicar a seus grupos de referência certas coisas sobre si mesma (GRUBB e GRATHWOHL, 1967).O consumo de simbolismo compensatório ocorre quando os indivíduos não conhecem muito bem o papel que “devem” representar e assim o simbolismo do produto acaba exercendo uma primeira influência sobre o comportamento. Isso ocorre quando produtos são usados para representar uma classe social ou um estilo de vida, por exemplo. Desta forma as pessoas empregam produtos para influenciar a aparência (representação do papel) que transmitem para outros indivíduos em dada situação (SOLOMON, 1983).Segundo Schouten (1991) uma das características que distingue os seres humanos das outras criaturas vivas é a sua habilidade de identificar suas carências para procurar suprir as suas necessidades de auto-aperfeiçoamento e as pessoas consomem produtos e serviços neste processo.Festinger (1957) em sua teoria da comparação social afirma que a comparação social acontece geralmente a partir da realidade física, mas, quando esta opção não é disponível, esta é feita em cima de uma comparação de suas próprias opiniões em relação às opiniões de outros para fornecer a informação de estar em conformidade ou não.  Consumo de Moda Em relação ao consumo de moda, uma das mais frutíferas teorias para entender este fenômeno é o interacionismo simbólico. Mead (1934) trata da reação do outro e do reflexo do indivíduo e seus sentimentos em relação a essas reações. Esta teoria fala basicamente que as pessoas vivem em ambiente simbólico e que seu comportamento é estimulado por símbolos, estes são apreendidos mediante interação com outras pessoas. Portanto, a moda ao possuir, entre outras, duas facetas singulares: a busca pela individualidade e a necessidade de integração social; amolda-se perfeitamente ao estudo do consumo como forma de comunicação e interação entre as tribos da sociedade moderna. Estilo de vestir é assinatura, reação contra a sociedade de massa, onde a individualidade é expressa amplamente pela forma como se veste (DICHTER, 1985). Bollon (1993) define estilo como “modo específico de funcionamento da aparência, repousando sobre a elaboração de imagens e de símbolos – vindos do registro geral da representação – sempre aparece como um modo de expressão infinitamente mais sensível e sutil, maleável porque permanentemente contraditório e para sempre inacabado, por isso poético e profético, do que a linguagem habitual, dominada pela lógica e seu sacrossanto princípio de não-contradição” (pág. 164).As pressões sociais para a conformidade podem influenciar dramaticamente a escolha de estilos. Esta pressão ocorre principalmente pela aprovação social do grupo no qual o indivíduo quer ser aceito. Neste momento entra o conceito de conformidade que se refere à mudança nas crenças ou ações como reação à pressão real ou imaginária do grupo (SOLOMON, 1996; 2004). São essas normas que regem o uso apropriado de roupas entre outros itens pessoais. Atualmente, o vestuário de moda é considerado como a expressão de valores individuais e sociais predominantes em período de tempo determinado. É visto como forma de expressão da personalidade, extensão visível e tangível da identidade e dos sentimentos individuais. É forma de comunicação não verbalizada, estabelecida por meio das impressões causadas pela aparência pessoal de cada um.Como símbolos não-verbais, os objetos de moda freqüentemente significam mais do que apenas a capacidade de estar na moda ou sua fashionability, ou seja, a capacidade de apreender as mudanças e, consequentemente, a habilidade de estar na moda. (SPROLES, 1994). A moda é a imitação de modelo estabelecido que satisfaça a demanda por adaptação social, diferenciação e desejo de mudar, sendo baseada pela adoção por grupo social. (SIMMEL, 1904).A moda se impõe, “[...] é a pressão, sobre esses gostos pessoais, de um consenso coletivo” (FREYRE, 1987, p. 18). Existe a possibilidade de consenso entre o gosto individual e a pressão do coletivo, mas as divergências existem e funcionam como propulsor da mudança na moda. Esta imposição do geral sobre o particular fica como base para que a moda se estabeleça. A pressão se realiza pelo indivíduo acreditar que “estar fora de moda é condenação social à sua posição na sociedade ou na cultura de que participe.” (IBID., p. 19). Em MIRANDA et al (2001a; 2001b; 1999), vemos que o consumo de moda sobrevive da busca de referências e citações, ou seja, da transferência de significados do mundo para a moda. Esses cenários simbólicos, que SEMPRINI (1995) denomina “mundos possíveis”, são construções fundamentadas em marcas sobre as quais são investidos valores por parte do consumidor. O consumidor projeta-se nesses valores e descobre-se diferente daquele eu no qual sua rotina o havia convertido, promovendo troca de significações e acelerando o processo comunicativo.  Gerenciamento de aparências mediante o consumo de marcas de moda Encontramos na cultura de consumo, um novo conceito do eu, onde o desenvolvimento do eu tem lugar na ênfase na aparência, exposição e gerência de impressões (ELLIOT, 2004).Segundo Kaiser (1998), a psicologia social do vestuário se concentra em entender as várias maneiras que as pessoas usam para modificar a aparência de seus corpos, como também as forças sociais e psicológicas que interferem no processo de gerenciamento da aparência pessoal. Este gerenciamento inclui todo o processo de pensamento sobre e as atividades exercidas para este fim. Gerenciamento da aparência é o que nós fazemos visualmente com nossos corpos, como nós planejamos e organizamos estes atos, como tomamos decisões sobre o que comprar e usar e quais são as implicações sociais destas decisões. Este é um conceito universal. Todos os indivíduos são engajados, de certa forma, no gerenciamento de sua aparência diária. Esta preocupação com o gerenciamento da aparência acontece porque existe a percepção da aparência que é o processo de observar e fazer avaliações baseado em como a pessoa se apresenta.   Freud (apud Marcuse, 1978) descreveu a mudança do homem animal para o ser humano quando este transforma o princípio de prazer em princípio de realidade. Esta teoria é baseada na interpretação do “aparelho mental” de acordo com esses dois princípios. O inconsciente governado pelo princípio de prazer luta unicamente por obter prazer, mas o princípio de prazer irrestrito entra em conflito com o meio natural e humano, o indivíduo compreende que uma plena e indolor gratificação de suas necessidades é impossível. Após este desapontamento, o princípio de realidade supera o princípio de prazer: o homem aprende a renunciar ao prazer momentâneo, incerto e destrutivo, substituindo-o pelo prazer adiado, restringido, mas “garantido”. Sob o principio da realidade o ser humano desenvolve a função da razão: aprende a “examinar” a realidade, a distinguir entre bom e mau, verdadeiro e falso, útil e prejudicial. O homem adquire as faculdades de atenção, memória e discernimento. Apenas um modo de atividade mental é “separado” da nova organização do aparelho mental e conserva-se livre do domínio do princípio de realidade: é a fantasia, que está “protegida das alterações culturais” e mantém-se vinculada ao princípio de prazer. Concluindo que a individualidade só ocorre na conquista do “não eu”. Segundo Sartre (1997), o desejo é falta de ser e é diretamente sustentado no ser do qual é falta, sendo assim o homem é o que não é e não é o que é. Sendo a realidade humana o empenho em ser e o desejo exprime este empenho. O desejo leva a busca do objeto que mediante a sua posse, ou seja, se desejo me arrumar, ter um objeto de adorno, fazer compras, significa que desejo ser de boa aparência, definindo assim a relação: fazer, ter, ser.    A teoria da autocongruência de Sirgy (1982) contribui afirmando que consumidores preferem produtos e marcas com significado que são consistentes com seus autoconceitos, assim sendo, motivados por autoconsistência consumidores comparam seus autoconceitos com a imagem dos produtos e preferem produtos cujas imagens são congruentes com suas auto-imagens.  Método de pesquisa A pesquisa trabalhou com as classes sociais A1, A2, B1, B2 e C conforme o Critério de Classificação Econômica Brasil. A população foi composta por consumidoras de moda, mulheres com idades entre 16 e 55 anos residentes em São Paulo. Foi realizada amostra intencional e foram entrevistadas tantas consumidoras quantas necessárias para obter homogeneidade de discurso, ou concluir que existem estratos de percepção quanto ao fenômeno. Não foram identificados estratos de percepção no discurso das consumidoras após 24 entrevistas.As consumidoras deram seus depoimentos; estes foram gravados, transcritos e analisados. O tratamento dos dados desta fase foi feito mediante análise de conteúdo das entrevistas semidiretivas.Em relação à distribuição da amostra entre as classes sociais e os grupos de idade foram definidas quotas de 27 questionários aplicados por segmento de classe social e de grupo de idade conforme o que está apresentado, totalizando 324 questionários.      Resultados identificados Após análise de conteúdo das entrevistas, identificou-se três categorias de análise. O paradigma pós-moderno da perseguição simbólica está comprovado e está presente em três dimensões:Quadro 1 – Aspectos sociais do consumo 

 ITEM   CATEGORIA
1.        Qualidade Funcionalidade
2.        Status Distinção social
3.        Reconhecimento do meu poder aquisitivo Distinção social
4.        Aceitação Aceitação
5.        Conforto Funcionalidade
6.        Tendência Imitação
7.        Beleza Vaidade
8.        Exclusividade Distinção social
9.        O novo Modernidade
10.     O diferente Modernidade
11.     Design Diferenciação
12.     Criatividade Modernidade
13.     Estilo Personalidade
14.     Elegância Vaidade
15.     Sucesso Competitividade
16.     Algo que reflita meu eu Auto-afirmação
17.     Preço compatível com a qualidade Conformidade
18.     Chamar atenção Vaidade
19.     A identidade da marca Integração
20.     Estar na moda Imitação

 Durante muito tempo a questão da moda viu-se atrelada à idéia de distinção de classes sociais. Verificamos nestes resultados da fase qualitativa desta pesquisa que o consumo de marcas de moda tanto pode assumir essa função distintiva como também para distinguir os comportamentos de grupo, independente de seu status econômico. Verifica-se aqui a idéia de “fetichismo de mercadorias” de Adorno (1991) onde as mercadorias ganham “vida própria” quando o trabalhador perde o controle sobre a natureza e o produto de seu trabalho. Esta é a dimensão do social-simbolismo.        Quadro 2 – Aspectos comunicacionais do consumo 

 ITEM   CATEGORIA
1. Sei o que está acontecendo no mundo. Atualidade
2. Sou interessada em moda Atualidade
3. Tenho estilo próprio Disassociação
4. Não me preocupo com o que os outros pensam Auto-afirmação
5. Estou de bem com a vida, sou feliz. Realização afetiva
6. Tenho bom gosto. Vaidade
7. Sou uma pessoa alternativa. Disassociação
8. Sou moderna Modernidade
9. Tenho poder aquisitivo Distinção social
10. Sou sexy Sedução
11. Sou formal Auto-afirmação
12. Tenho determinadas características de personalidade Comunicação

 O consumo é visto aqui como permeado do conjunto de crenças e desejo existentes na sociedade de consumo que se refere aos aspectos comunicacionais, da importância das práticas de consumo nas relações comunicacionais, na busca por parte das consumidoras de mediante o uso do campo simbólico unificado das marcas pelo discurso publicitário, usar das mesmas para dar referências sobre sua personalidade e sua forma de se ver e de como quer ser vista no ambiente social. Verifica-se aqui a idéia de Canclini (1999) de que o consumo não deve ser visto como a posse de objetos isolados, mas como processo de “apropriação coletiva” servindo para enviar e receber mensagens. Esta é a dimensão do auto-simbolismo. Quadro 3 – Aspectos motivacionais do consumo 

 ITEM   CATEGORIA
1. Bem estar Auto-afirmação
2. Conforto Funcionalidade
3. Durabilidade Funcionalidade
4. Não sair de moda Clássico
5. Qualidade Funcionalidade
6. Ficar bonita. Vaidade
7. Que seja exclusiva. Distinção social
8. Espantar tristezas Realização afetiva
   9. Originalidade Atualidade
   10. Melhorar minha auto-estima Realização afetiva
   11. Vista bem, tenha um bom caimento Vaidade
   12. Não gastar muito Conformidade
   13. Ficar atraente Feminilidade
   14. Ficar diferente sem exageros. Segurança

 O consumo de moda é conhecido como descartável e efêmero, sendo assim altamente relacionado com consumo de supérfluos e consequentemente pertencente ao universo da futilidade. Verificam-se aqui a idéia de Marx (1867) que as relações estabelecidas entre os bens e os sujeitos são os verdadeiros indicadores de valor onde “o caráter místico da mercadoria não provinha, portanto de seu valor de uso mas de sua importância simbólica” (p. 70). Esta e a dimensão das necessidades simbólicas e funcionais.A segunda fase desta pesquisa foi quantitativa, onde foram aplicados questionários elaborados a partir da fase qualitativa e da revisão de literatura. Para a identificação das estruturas de fatores subjacentes aos atributos para o consumo de marcas de moda utilizou-se o procedimento estatístico denominado análise fatorial. Aspectos sociais do consumo de marcas de moda Na compra de marcas de moda, os aspectos sociais das consumidoras são equacionados por 5 fatores:Tabela  1 – Aspectos sociais do consumo 

  Jogo de poder Jogo de personalidade Jogo de boneca Jogo de adequação Jogo de (re)conhecimento
4.1.3.reconhecimento do meu poder aquisitivo 0,735 0,163   -0,285  
4.1.2.status 0,680   0,147 -0,371 0,142
4.1.4.aceitação 0,677       0,210
4.1.15.sucesso 0,637 0,215 0,239 0,197  
4.1.18.uma forma de chamar atenção 0,629 0,194      
4.1.19.a identidade da marca 0,455 0,449   0,104 0,147
4.1.10.o diferente 0,141 0,787 0,189 0,109  
4.1.8.exclusividade 0,197 0,720 0,127   0,292
4.1.9.o novo 0,203 0,710 0,130 0,145 0,346
4.1.14.elegância 0,192   0,756 0,172 0,165
4.1.13.estilo 0,112 0,267 0,695 0,139  
4.1.12.criatividade   0,478 0,643    
4.1.11.design   0,581 0,585    
4.1.7.beleza 0,194   0,552 0,203 0,380
4.1.1.qualidade -0,325 0,143 0,397   0,196
4.1.17.preço compatível com a qualidade -0,128     0,739  
4.1.5.conforto       0,687 0,150
4.1.16.algo que reflita meu eu   0,270 0,384 0,518 -0,162
4.1.20.estar na moda 0,214 0,237     0,779
4.1.6.tendência 0,176 0,191 0,284   0,712

 Jogo de PoderOs atributos classificados como reconhecimento do meu poder aquisitivo, status, aceitação, sucesso e uma forma de chamar atenção são utilizados no jogo de mostrar que pode quem tem, quem chegou lá e não tem nenhuma timidez de mostrar isso, a aceitação faz parte do jogo, cada tribo vai ter seu próprio esquema de poder, de mostrar poder, para uns é dinheiro, para outros é conhecimento, mas a essência que não muda, que está sempre presente, é o poder.   Jogo de PersonalidadeOs atributos classificados como identidade da marca, o diferente, exclusividade e o novo são utilizados no jogo do “quem sou eu?”. Neste jogo a consumidora diz quem é, quem gostaria de ser, tem uma fantasia por uma noite, atende as expectativas da futura sogra no primeiro jantar com os pais do namorado, ou seja, é um jogo de construção e desconstrução do eu, por isso o que é diferente, exclusivo e novo é importante aqui, pois a diferenciação da marca vai contribuir com a diferenciação do indivíduo.    Jogo de bonecaOs atributos classificados como elegância, estilo, criatividade, design, beleza e qualidade são aspectos puramente estéticos e servem para o jogo de “brincar de boneca” mas no caso a boneca é a própria consumidora que agora aplica em si o que na infância fazia com seus brinquedos, escolher um estilo, usar de criatividade na composição de looks, saber reconhecer  design e qualidade em prol de um resultado de beleza e elegância. Pois não se passa a vida inteira brincando de Barbie em vão…  . Jogo da adequaçãoOs atributos classificados como preço compatível com a qualidade, conforto e algo que reflita meu eu mostra a vontade do individuo de expressar seu eu, mas de forma adequada ao seu estilo de vida e sua classe sócio-cultural. Não há nada mais postiço do que um hippie vestindo um terno Hugo Boss, certo? Jogo de (re) conhecimentoOs atributos classificados como estar na moda e tendência traduz a questão de estar up to date, ou seja, estar sintonizado com o que está acontecendo, este é um valor importante da nossa sociedade atual que explica muito da valorização do aspecto moda não só atribuído ao vestuário, mas também a outros produtos como carros e instituições financeiras, o que está na moda é ágil, rápido, veloz, acompanha as mudanças. O valor de que está se falando aqui é informação, estar informado, estar por dentro do que está acontecendo, em tempo real como se ininterruptamente conectado à Internet, pois a relação tempo e espaço mudou.  Aspectos comunicacionais do consumo de marcas de moda Na compra de marcas de moda, os aspectos comunicacionais das consumidoras são equacionados por 4 fatores. Tabela 2 – Aspectos comunicacionais do consumo 

  Samantha Jones Carrie Bradshaw Charlotte York Miranda Hobbes
4.2.8. sou moderna  0,762 0,290   -0,151
4.2.10. sou sexy  0,683     0,188
4.2.7. sou uma pessoa alternativa  0,609   0,346  
4.2.9. tenho poder aquisitivo  0,574 0,221 -0,191 0,468
4.2.6. tenho bom gosto  0,446 0,335 0,210  
4.2.2. sou interessado em moda  0,291 0,782    
4.2.1. sei o que está acontecendo no mundo   0,778   0,162
4.2.3. tenho estilo próprio  0,282 0,432 0,426 -0,369
4.2.4. não me preocupo com o que os outros pensam 0,144 -0,184 0,708  
4.2.5. estou de bem com a vida, sou feliz 0,124   0,680  
4.2.12. tenho determinadas características de personalidade   0,472 0,528  
4.2.11. sou formal    0,129  0,132  0,865 

 Obs: O livro “Sex and the City” (Ed. Record, 2003) foi lançado nos EUA em 1996 a partir da coluna (de mesmo nome) que Candace Bushnell escrevia no jornal The New Yorker Observer e depois adaptado para a televisão.   Figura 1 – Personagens de sex and the city FONTE: SITE HBO Samantha    Os atributos classificados como sou moderna, sou sexy, sou uma pessoal alternativa, tenho poder aquisitivo e tenho bom gosto são a combinação da mulher que quer parecer ser  poderosa, ela é moderna, é autoconfiante ao ponto de ser alternativa porque ela confia no seu bom gosto. A escolha de Samantha da Série Sex and the City para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem todos esses atributos.  CarrieOs atributos classificados como sou interessada em moda e sei o que está acontecendo no mundo são a combinação da mulher que quer parecer ser  antenada, ela é informada, é envolvida com moda pois gostar de moda reflete sua personalidade dinâmica. A escolha de Carrie da Série Sex and the City para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem todos esses atributos.      Charlotte Os atributos classificados como tenho estilo próprio, não me preocupo com que os outros pensam, estou de bem com a vida, sou feliz e tenho determinadas características de personalidade são a combinação da mulher que quer parecer ser autêntica, ao ser feliz em ser  ela mesma assumindo seus sonhos e desejos, valores e ideais de vida esta mulher não vive conforme os valores dos outros, mesmo que seja julgada como errada pelas melhores amigas. A escolha de Charlotte da Série Sex and the City para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem todos esses atributos. MirandaO atributo classificado como Sou formal indica a mulher sóbria, este atributo tão necessário para as mulheres de carreira, pois estas precisam assumir a formalidade para o ambiente de trabalho, sendo também um recurso de se sentir segura pois o formal remete ao clássico evitando uma tentativa de inovação que leva a possibilidade da escolha errada e, por conseguinte, a estar fora de moda. A escolha de Miranda para nomear este fator se deu por encontrar neste personagem esse atributo de forma particularmente característico.  Aspectos motivacionais do consumo de marcas de modaNa compra de marcas de moda, os aspectos motivacionais das consumidoras são equacionados por 4 fatores:             Tabela 3 – Aspectos motivacionais do consumo 

  Avaliação do Produto Avaliação do julgamento social Avaliação do aspecto psicológico Avaliação do aspecto econômico
4.3.3. durabilidade 0,711   -0,123  
4.3.2. conforto 0,701 0,112 0,158 -0,263
4.3.1. bem estar 0,664   0,324  
4.3.5. qualidade 0,560 0,163 -0,173 0,391
4.3.11. vista bem, tenha um bom caimento 0,328 0,294   0,151
4.3.6. ficar bonita.   0,762    
4.3.13. ficar atraente   0,757 0,173  
4.3.14. ficar diferente sem exageros 0,193 0,573 0,269  
4.3.10. melhorar minha auto-estima   0,117 0,776 0,173
4.3.8. espantar tristezas   0,111 0,752  
4.3.9. originalidade 0,322 0,388 0,458 0,392
4.3.7. que seja exclusiva.   0,167 0,286 0,718
4.3.12. não gastar muito 0,201 0,219   -0,605
4.3.4. não sair de moda   0,211 0,168 0,604

 Avaliação do produto (Qualidade / Conforto)Os atributos classificados como durabilidade, conforto e qualidade indicam que a consumidora leva em consideração a funcionalidade do produto e que este está associado ao seu bem estar. Ela vai se sentir bem se o produto cumprir com suas “promessas de campanha”.  Avaliação do julgamento social (Beleza / Elegância)Os atributos classificados como vista bem, tenha um bom caimento, ficar bonita, ficar atraente, ficar diferente sem exageros, refletem o desejo da consumidora de ser avaliada de uma forma positiva pelo olhar do outro (quer seja este outro, um individuo ou um grupo social como seu ambiente de trabalho ou familiar) tanto que a ausência de exageros significa que deseja ficar diferente ao ponto de chamar a atenção mas não ao ponto de ficar estranha.  Avaliação do aspecto psicológico (Levantar o astral)Os atributos classificados como melhorar minha auto-estima e espantar tristeza refletem a ilusão de bem estar deste tipo de consumo, onde o estar feliz e se sentir bem são conseqüências de ato de consumo, a busca pela compensação na posse da marca de moda, a terapia de consumo. Avaliação do aspecto econômico (preço da originalidade)Os atributos classificados como originalidade, que seja exclusiva, não gastar muito e não sair de moda faz uma relação interessante entre o que é original e exclusivo com o que é clássico, ou seja, vale a pena gastar muito dinheiro se for algo que não sofre os reveses do ciclo de vida da moda, que é um estilo, ou seja, não segue tendências, não é massificado, sobrevivendo aos lançamentos das novas coleções sem perdas de valor social para a sua possuidora. Importante aqui ressaltar que o atributo não gastar muito foi o único a apresentar carga negativa em todas as análises fatoriais. Esse fato deriva da seguinte relação entre os atributos: quanto maior é o grau de concordância com aspectos motivacionais associados à busca de originalidade, exclusividade e não sair da moda, menor é o grau de concordância com não gastar muito (e vice-versa); ou seja, se estes três atributos são importantes para a consumidora; dinheiro não é problema, se a consumidora não se importa com estes aspectos, economizar dinheiro é mais importante. É a “conformidade social” (consumidores se tornam menos sensíveis a preço quando a pressão de conformidade está presente) de que nos fala Sproles (1985). Considerações finais A marca de moda é um espelho às avessas, reflete para o outro o jeito de ser, sentir e pensar dos indivíduos. O conflito entre o eu individual e o eu social busca o equilíbrio através desta forma de comunicação.O sentimento de pertencer ou estar com e para alguém numa sociedade de consumo implica no uso de símbolos e sinais de aparência. A marca de moda é carteira de identidade, não só desta era pós-moderna, como em todo decorrer da história da humanidade. O indivíduo expressa sua essência através de aspectos simbólicos presentes na aparência adornada.A busca pela aquisição de identidade é à busca do “quem nós somos” e requere um grande investimento de eu, ou seja, na sociedade de consumo as pessoas têm uma ação dupla, a de desconstruir (ou no caso da moda de descosturar) o velho eu e reconstruir a partir destes pedaços um novo eu reestruturado. Foi identificado o convívio social como um jogo, portanto em relação aos aspectos sociais para o consumo de marcas de moda identificamos o uso da marca como mecanismos do jogo social. A perspectiva da personalidade está presente nos resultados referente aos aspectos comunicacionais, as estratégias de “personalização” das marcas devem acontecer para responder a esses “personagens” que é o que realmente as mulheres querem consumir nas marcas. É o canibalismo dos tempos modernos, não se devora o inimigo derrotado para assumir suas características de guerreiro, se paga pela ostentação de marcas que causam o mesmo efeito ritualístico para as tribos modernas como era para as primitivas. É a antropofagia do consumo.Em relação aos aspectos motivacionais fica claro que as questões simbólicas são importantes e os aspectos relativos a modernidade, exclusividade e originalidade têm um preço que a consumidora está disposta a pagar, mas se faz necessário garantir a qualidade e conforto, sendo este condição básica para que os aspectos simbólicos possam se estabelecer.As roupas fazem barulho e quem lhes dá voz mais afinada são as marcas. Ao usar uma “roupa de marca” as consumidoras esperam que a marca grite para todos quem ela é por onde quer que ela for. A vida é o palco e a marca de moda oferece os figurinos, sendo assim possível participar de outros mundos e voltar para os anteriores sem ameaça de punição. Assim volta-se para a premissa de onde se partiu para o desenvolvimento deste estudo: a moda é essencialmente simbólica.É certo que o indivíduo não esquece os aspectos funcionais da roupa, muito pelo contrário, ele os exige mas são essas características intangíveis, repletas de significado, esta possibilidade de transformar naquela pessoa que não se é (ou se pensa que não se é?)Sem o significado social a peça de roupa perde o valor sendo o argumento publicitário da personalização fundamental pois ao personalizar os objetos, a sociedade se comunica e, assim, se integra. A relação da consumidora não é com o objeto, mas com o mundo mediante o uso do objeto, de forma que a marca é apenas instrumento desta relação.Como seres humanos nós somos “máquinas de significação”, pois as pessoas atribuem significado a tudo. Nós vivemos para significar, para fazer sentido. Quando a vida não tem mais sentido, queremos morrer.

REFERÊNCIA

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[1] Este artigo foi publico nos anais do Encontro Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração – ENANPAD em 2007 realizado no Rio de Janeiro

Março 24, 2008

Arranjo Produtivo do Agreste – Resultados da 5ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana

Arquivado em: Arranjo Produtivo Confecção, Economia, Moda — mercadoglobal @ 1:39 pm

Rodada de Negócios termina com número recorde de negociações
Diego Gondim/Brava Comunicação
Foram meses de trabalho, esforço, expectativa e a 5ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana surpreendeu. O evento, orientado por um comitê gestor e liderado pela Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, ACIC, reuniu centenas de empresários vindos de todo o Brasil. Se o movimento de pessoas foi grande, maior ainda foram os números gerados na economia local. A Rodada, que aconteceu no Pólo Comercial de Caruaru, entre os dias 5 e 7 de março, superou as expectativas de todos. Em apenas três dias, as vendas dessa edição chegam a somar R$ 3,9 milhões. Faturamento que superou a previsão dos R$ 3 milhões, inicialmente estimados para o período. Um acréscimo de 44% nas negociações, em relação à 4ª Rodada, que movimentou R$ 2,7 milhões. Comparado com a 3ª, o resultado positivo é ainda mais evidente: crescimento de quase de 200% nas transações comerciais.
O segmento que mais vendeu foi o de Jeans, seguido pelos de Moda Feminina Jovem e Surf Street Wear. Mais de 330 mil peças e 1,3 mil pedidos foram contabilizados na 5ª Rodada. Ainda falando em vendas, Santa Cruz do Capibaribe liderou o ranking entre as cidades e deixou R$ 1,7 milhão nessa edição da Rodada de Negócios. Já entre as três regiões do país que mais compraram, a Norte acumulou um total de R$ 1,790 milhões, acompanhada das regiões Sudeste (R$ 762 mil) e Centro-Oeste (R$ 473 mil). “Não é surpresa para nós a liderança da região Norte em número de negociações na Rodada de Negócios, porém a grata surpresa é o aumento de transações feitas pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Isso é muito importante, pois mostra a nossa capacidade competitiva na abertura de novos mercados. Além disso, todos os vendedores estão de parabéns pelo profissionalismo muito elogiado pelos compradores. Que venha a 6ª Rodada”, afirmou animado Waldyr Rocha, coordenador da Câmara Setorial da Moda, da ACIC, e um dos organizadores da Rodada. O SEBRAE, que acompanha o evento desde o início, também fez uma avaliação positiva. “O período para a realização da 5ª Rodada foi bem propício. A boa qualidade dos produtos, aliada à determinação de todos, contribuiu ainda mais para o enorme volume de vendas. Tudo isso realmente superou as minhas expectativas”, declaro Mário César Freitas, coordenador do Projeto de Confecções, do SEBRAE.
Tamanho sucesso também foi viabilizado pela coordenação do evento. Cerca de 106 pessoas participaram da organização da 5ª Rodada de Negócios. Juntos, eles trabalharam em um espaço de 2 mil m², que reuniu 80 salas de negociações e 80 empreendimentos participantes. O espaço foi aproveitado para proporcionar mais conforto aos mais de 362 visitantes que circularam pela Rodada do 1º semestre de 2008. Para amenizar o calor, típico da época na região, umidificadores de ar foram instalados em toda a área destinada ao evento. Além disso, todos os presentes eram eletronicamente cadastrados, o que garantiu a segurança. Investimento que fideliza a credibilidade da Rodada junto aos empreendedores. “Projetamos uma infra-estrutura confortável e segura para que todos se sentissem a vontade durante a realização da 5ª Rodada. Outro ponto importante é a qualidade dos produtos expostos. Isso chama a atenção de muitos empresários não só da região, mas de todo o país”, informou Bento Albuquerque, da J&B Consultores, empresa organizadora da Rodada.

Quem aproveitou a oportunidade para divulgar os produtos não se arrependeu. O momento foi inteiramente dedicado às práticas mercantis e a conquista de clientes. Como fez o representante comercial, de Minas Gerais, Felipe Ferreira. E não é a primeira vez. Responsável pela divulgação de 31 marcas em Pernambuco, o mineiro participa da Rodada de Negócios desde a 1ª edição e é enfático ao falar da importância do evento para os empresários inseridos no segmento têxtil. “É inegável a importância que a Rodada de Negócios representa para nós. É uma oportunidade ímpar de divulgarmos nossas marcas e produtos e também de compartilharmos idéias. O ramo de confecções é vital para a economia da região e estou certo de que, quanto mais investirmos nele, mais seremos visto e valorizados. Já me programei para estar aqui na 6ª Rodada”, informou.

A Rodada tem como objetivo principal estreitar as relações comerciais entre os participantes, através da divulgação dos mais variados produtos e serviços do mercado de confecção nacional. Fabricantes de moda de diversos segmentos, além de compradores atacadistas e varejistas vêem a Rodada como um dos mais importantes eventos têxteis nacionais.
E este ano a continuidade do evento está garantida. A 6ª Edição da Rodada de Negócios já tem data marcada. Será no mês de agosto. O evento é realizado pela ACIC (Associação Comercial e Empresarial de Caruaru), FACEP (Federação dos Associados Comerciais do Estado de Pernambuco), Prefeitura Municipal de Caruaru e é promovido pelo SEBRAE, FIEPE e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper). O apoio vem de entidades como SINDVEST, ASCAP, ACIT, ACIASUR, ACIPA, Pólo Comercial de Caruaru e também da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Pernambuco (FCDL).

Janeiro 31, 2008

Quanto Vale Uma Marca?

Arquivado em: Administração, Economia, Moda — mercadoglobal @ 7:19 pm

A imprensa vem noticiando uma grande movimentação no mercado da moda. Não se trata, no entanto, de novos lançamentos e  de feiras de moda que acontece sob as luzes da imprensa especializada que tanto chama atenção, mas das aquisições de marcas [grifes] realizadas por empresas de participação e fundos de investimentos. Na revista Veja Edição n° 2045 Ano 41 nº 4 de 30 de janeiro de 2008 há uma matéria intitulada  Invasão dos Homens da Bolsa. Nela se informa que mais do que os lançamentos ocorridos na última edição da São Paulo Fashion Week encerrada  em 21 de janeiro desse ano  o que deu o que falar foi a aquisição das grifes Alexandre Herchovitich, Fause Haten e Cúmplice e das redes de lojas Clube Chocolate pelo Grupo HLDC que batizou sua holding de I’M,[Identidade Moda].Informa ainda a matéria da Veja que os controladores desse grupo já haviam adquirido em 2006  as marcas Zoomp e Zapping.  Essa movimentação no mercado da moda parece ser uma tendência, pois o Pactual Capital Partners, conforme informa a Veja acabou de formar a holding Interbrands que controla a Ellus [hoje faturando R$ 200 milhões anuais] e está associada a grife carioca Isabela Capeto com grande presença no exterior. A Artesiana Gestão de Recursos adquiriu participação majoritária na  Le Lis Blanc, rede de 31 lojas com presença nos maiores shoppings do país. O que vem ocorrendo parece ser uma tendência para uma maior profissionalização da gestão das marcadas no mercado de roupas. A gestão saí, pois das mãos dos criadores e passa para as mãos dos investidores e financistas que assim as transformariam em empresas altamente competitivas aumentando suas escalas de operação, elevando suas presenças exterior, e as preparando para captação de recursos através da abertura do seu capital. Informa a Veja que essa tendência de se montar conglomerados de marcas vem ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos desde  os fins da  década de 80. Hoje por exemplo o conglomerado francês LVMH detém mais de sessenta marcas dentre elas as tradicionais Chistian Dior e Louis Vuiton..  A atração dos investidores pela moda vem na esteira do seu crescimento. Segundo a matéria da Veja o mercado de vestuário no Brasil  em 2007 realizou vendas de R$ 28 bilhões e teve assim um crescimento de 16,5% em relação a 2006. As perspectivas desse segmento industrial seguem sendo  promissoras o que significa dizer que o apetite dos investidores devem continuar. Os valores envolvidos nas  transações são, evidentemente, sigilosos, mas como qualquer negócio requer uma avaliação e isso remete a questão de como avaliar o valor de uma marca. A marca, ou a grife como chama no mercado da moda, é, para a empresa proprietária,  um ativo como outro qualquer só que intangível. Ou seja, ela não tem uma expressão material à diferença das máquinas, equipamentos e instalações que podem ser vistos, tocados e carregados. Assim, como qualquer outro ativo ela, a marca [grife], é avaliado pela sua capacidade em gerar caixa e, afinal, é nessa capacidade que se concentra o interesse dos fundos de investimentos e das empresas de participações. O seu valor [da marca] é, portanto obtido como o  futuro fluxo liquido de caixa já deduzidos das despesas a serem incorridas para a  manutenção da sua capacidade de geração desse caixa. Quando se negocia uma empresa o que está a venda é o poder daquela empresa em gerar dinheiro para os seus donos.  Os ativos da uma empresa só são importantes para fins de avaliação de seu valor na medida em que formam a base para que a empresa gere caixa. Qualquer outro fator só será considerado para o cálculo do valor se tiver reflexos no caixa da empresa. Tenha-se em conta também que o Patrimônio Líquido, que alguns chegam a apontar como sendo um indicador do valor de uma empresa, é tão somente uma referência contábil usada para cálculo de rentabilidade do negócio. É costume ,quando se avalia pequenos negócios como, por exemplo, uma padaria que o potencial comprador junto com o vendedor se poste, por um determinado tempo, atrás da caixa registradora para avaliar o quanto de dinheiro entra   e assim determinar o valor a ser pago na transação. Na avaliação de uma marca o procedimento é rigorosamente o mesmo que se aplica a qualquer ativo. Projeta-se a capacidade que a marca, objeto da transação, tem em gerar caixa. A dificuldade para isso é a  mesma que afeta a avaliação de qualquer outro ativo, ou seja, quão segura são essas projeções. É nesse ponto que entra o concurso dos experts nos negócios específicos [de moda no caso de grifes]que deverão determinar o comportamento futuro das vendas sob aquela marca levando em conta fatores como, reputação, criatividade, capacidade de inovação, capacidade de sustentação de preços, barreiras para a entrada no mercado dentre outros. Uma vez que se tenha projetado as futuras entradas de caixa também se projeta as despesas e os investimentos que serão necessários para a geração daquele caixa projetado deduzindo-se todos os impostos incorridos. A diferença entre eles será o fluxo de caixa líquido. Como esse fluxo de caixa líquido ocorre num tempo futuro é necessário que os mesmos sejam colocados num único ponto do tempo permitindo assim a sua mensuração. A esse processo de trazer o fluxo futuro para um único ponto no tempo, se chama operação de desconto. Em geral se escolhe o tempo presente e nesse os fluxos anuais futuros, devidamente descontados, são então somados. Essa soma revela o valor do negócio ou da grife. Os livros textos sobre o assunto apontam outras formas de avaliação de negócios através de múltiplos do faturamento anual ou de comparativo com empresas semelhantes. Tais critérios são úteis apenas como uma primeira aproximação do valor de um negócio mais, dificilmente, um comprador adquire um negócio com base exclusivamente neles. Após se ter o fluxo líquido de caixa a etapa seguinte consiste na  determinação da taxa de desconto a ser aplicada para trazer o fluxo de caixa a valor presente. Essa é uma escolha delicada e difícil, pois não há uma regra para isso. O valor da taxa de desconto opõe comprador e vendedor. Interessa ao vendedor uma taxa de desconto baixa posto que isso eleva o valor da marca e o comprador tem interesse oposto, pois uma taxa menor irá produzir valor presente menor e, portanto um valor mais baixo para a marca. Compradores e vendedores concordam, todavia, que a taxa de desconto a ser utilizada deverá refletir o custo de oportunidade do capital a ser aplicado e também o risco envolvido na realização daquele fluxo de caixa projetado. Ou seja, uma maior segurança de que o fluxo de caixa se realize conforme o projetado irá requerer uma taxa menor de desconto, o oposto ocorre  quando se tem menos segurança em relação ao fluxo de caixa projetado. A dificuldade de se chegar a uma taxa de desconto que tenha a concordância de compradores e vendedores não invalida o uso do método do fluxo de caixa descontado. E o negócio só se realizaria quando houvesse consenso sobre número a usar no processo de desconto, pois aí  se teria atingido de fato o valor do negócio.  Até esse ponto se tem apenas avaliações. O verdadeiro valor de um  negócio ou de uma grife de moda de roupas é aquele pelo qual algum negócio se realiza, ou seja, quando se compra ou vende. Esse método de avaliação  - pelo fluxo de caixa  descontado – é absolutamente universal, pois se aplica tanto a uma empresa muito grande como, por exemplo, uma multinacional com operações em todo o mundo até a uma padaria de bairro. A diferença entre um e outro caso se restringe apenas à complexidade da projeção dos seus fluxos de caixa.

                   Eduardo A Paiva de Almeida

                           em 31 de janeiro de 2008

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