Mercadoglobal UPE Caruaru

Outubro 28, 2008

Segundo o BID, mais de 70% dos jovens brasileiros não têm nível de educação para conseguir emprego.

Sabrina Craide
Da Agência Brasil

 

Mais da metade dos latino-americanos entre 15 e 19 anos não tem um nível adequado de educação para conseguir um trabalho bem remunerado. No Brasil, o percentual de jovens nesta situação é de 71,6%. Os dados foram divulgados nesta segunda (27) pelo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e foram obtidos com base em testes internacionais de desempenho realizados com os estudantes da região.

O estudo aponta, no entanto, que os níveis de satisfação dos jovens da América Latina com a educação pública são altos, comparáveis aos de nações desenvolvidas. Países como a Venezuela, o Uruguai, Paraguai, a Bolívia, Honduras e a República Dominicana indicaram níveis de satisfação maiores que os do Japão, apesar de os estudantes desses países terem obtido uma pontuação 35% menor que a média obtida pelos estudantes japoneses.


De acordo com o estudo, isso acontece porque as pessoas com níveis menores de educação tendem a expressar uma melhor opinião em relação à qualidade dos serviços educacionais do que aquelas com mais anos de escolaridade. À medida em que os países melhoram o nível da educação, as críticas aumentam.

No Brasil e no Chile, por exemplo, onde o rendimento dos estudantes está entre os maiores da região, os níveis de satisfação são menores. No Brasil, a satisfação dos estudantes com a educação ficou em 64%.

Outubro 18, 2008

Apesar da crise, Shopping Caruaru abre mais de 200 vagas para trabalho temporário.

De acordo com a Brava Comunicação e Marketing, a crise que abala o sistema financeiro internacional não mudou os planos do Shopping Caruaru para as festas de fim de ano, que prevê a abertura de 230 vagas para trabalho temporário, número 15% maior do que o registrado no mesmo período de 2007.

 

O motivo do aumento da demanda se deve, além das expectativas de vendas, ao crescimento no número de lojas em operação no centro de compras. Apesar da maioria das vagas estarem destinada a reforçar as equipes de venda das lojas, também serão oferecidas oportunidades nos serviços de limpeza, segurança e outros.

 

Para aqueles que pretender conseguir uma “graninha extra” no final do ano ou mesmo para os que lutam por uma oportunidade de emprego, a contratação temporária é uma opção interessante. É sempre bom lembrar que estudos indicam que aproximadamente 20% daqueles que são contratados por prazo determinado terminam sendo efetivados nas empresas contratantes.

Julho 16, 2008

Projeto de Santa Catarina mostra as vantagens da parceria entre empresas e instituições de ensino no setor confecções.

 

Post de Otto Benar Farias

 

Dudalina e Assevim. Hering e Furb. Marisol e Univali. Renaux View e Udesc. Tecnoblu, Oxford e Senai. A combinação entre grandes empresas catarinenses com as maiores instituições de ensino de design do Estado tem como resultado 14 coleções exclusivas que demonstram toda a capacidade do design em Santa Catarina. Malhas incendiadas e desfiadas, novas utilidades para camisetas, pratos que imitam conchas e sapatos que parecem grama são apenas exemplos do que a criatividade dos estudantes do Estado pode alcançar através de grandes parcerias. Empresários e entusiastas do evento falaram ao Noticenter sobre os resultados obtidos com os trabalhos em 2007 e as novidades programadas para 2008.

Os alunos de 11 instituições de ensino receberam mais uma vez o desafio de reinventar formas e utilidades para os produtos e matérias primas de 13 empresas catarinenses. “Nossa empresa trabalha basicamente com malha e foi preciso muita originalidade por parte dos alunos no desenvolvimento das peças. Incendiamos e desfiamos manualmente os tecidos, tudo para conseguir um resultado surpreendente”, explica o diretor da Maré Cheia, Jaison Bogo, estreante no evento.

“O objetivo não é o desenvolvimento de produtos comerciais, e sim, conceituais. Os acadêmicos trabalham com sua criatividade ao mesmo tempo em que descobrem na prática alguns limites naturais na hora da confecção das peças. Enquanto eles adquirem experiência, nós garimpamos talentos e descobrimos novas possibilidades de desenvolvimento”, afirma o empresário Alfonso Eggert Júnior, da Oceano.

O diretor administrativo da Hering, Carlos D´Amaral demonstrou ter ficado satisfeito com as coleções. “Demos as alunas liberdade para criar e elas deram conta do recado. No caso da Hering, as camisetas foram transformadas em outras peças de vestuário e acessórios, sem perder a identidade visual do produto”, comemora.

Para Carlos Ferreirinha, gestor do SCMC, e Rui de Souza (Dudalina), presidente, o resultado final foi um sucesso e este ano promete trazer ainda mais novidades. “Queremos dobrar o número de empresas e instituições de ensino participantes”, informa o presidente. “Representantes de novos segmentos estão ingressando no SCMC transformando o evento em um berço para o desenvolvimento do design como um todo. Nos próximos anos teremos mais grifes de calçados, além de fábricas de fios, aviamentos, embalagens, e também da linha branca. Estas empresas irão ingressar no SCMC e fortalecer ainda mais o projeto”, complementa Ferreirinha.

O vice-presidente do SCMC, Cristiano Buerger, da Tecnoblu, é um dos maiores entusiastas do projeto e comemora o crescimento do evento e o interesse de novas marcas. “Sempre percebi o potencial têxtil de Santa Catarina

, e perguntei por que o design não era desenvolvido nas empresas com tecnologia de ponta. Fico feliz ao ver que elas entenderam que a arte e o design são diferenciais”, celebra.

“Desde a primeira edição do evento, há três anos, os empresários passaram a perceber que o design e a criação de qualidade são mantenedores de emprego, e não frescura. Nossa intenção em nada tem a ver com o conceito fashion show das marcas, a preocupação é com o lado criativo de cada coleção”, argumenta o estilista Mário Queiroz, orientador do SCMC.

“O SCMC promove um intercambio entre nós empresários. Durante todo o ano participamos de eventos e reuniões para conversar sobre a nossa troca de experiências”, enfatiza Alfonso.

“Estou extremamente satisfeito com o resultado. Sem dúvida esse é o grande começo de um projeto que renderá muitos frutos. Fazer parte é muito prazeroso e enriquecedor”, conclui o diretor financeiro do SCMC, Giuliano Donini, da Marisol, que este ano participou com duas vertentes da marca.

Fonte:http://www.revistaportuaria.com.br/?home=noticias&n=zmUm&t=projeto-mostra-como-unio-estrategica-entre-universidades-grandes-empresas-pode-produzir-avancos-economia-sc

 

 

 

Junho 25, 2008

O que é empreendedorismo? Parte 1

Artigo de Emanoel Leite, Administrador e Doutor em Empreendedorismo. Professor, pesquisador, autor e consultor.

O número de indivíduos que deseja criar o seu próprio negócio cresce dia-a-dia. O fenômeno do empreendedorismo vem se alastrar pelos quatro cantos do mundo, em ritmo cada vez mais alucinante. O candidato a empreendedor tem que vencer uma verdadeira corrida de obstáculos para poder concretizar o sonho de ser dono de seu próprio negócio.

Podemos perceber claramente a presença dos “5Ps” do empreendedorismo – paixão, perseverança, paciência, prudência e prática no comportamento dos empreendedores de sucesso.

Esperamos que a leitura deste artigo, ao mesmo tempo em que discorre sobre empreendedorismo, desperte no leitor a força do espírito empreendedor como opção de vida. O empreendedorismo – que é igual a espírito empreendedor + liberdade de ação + oportunidade – será a alternativa profissional para muitos indivíduos no século XXI. Vivemos a Era do poder da informação, dos negócios on-line, da força das idéias audaciosas… e da sorte. As idéias são “a nova moeda” do mundo empresarial.

Quem tem uma idéia, um sonho, depara-se com duas opções: ou faz o que é necessário para colocá-lo em prática ou arranja muitas desculpas para não o fazer. A segunda opção é a única alternativa que pode fazer a pessoa se arrepender para o resto da vida. O empreendedor, criador de empresas, sabe que “tentar e falhar é, no mínimo, aprender. Não chegar a tentar é sofrer a perda incalculável do que poderia ter conseguido”.

Discorrer sobre o empreendedorismo no Brasil solicita uma visita por toda a história política, econômica e social do País. Fazer uma ponte com as revoluções econômicas e sociais do mundo também é necessário. Mas, principalmente, é preciso olhar atentamente para o homem e para a mulher, o empreendedor e a empreendedora. Para as mudanças, a emancipação, o desenvolvimento e as transformações porque eles (as) passam.

Falar de empreendedorismo é falar do ser humano e, por conseguinte, da capacidade nata que ele tem de se moldar, suplantar e transcender aos limites impostos a ele. É encontrar uma saída, e, diga-se de passagem, uma boa saída, para os momentos de crise. É falar de conhecimento, inovação, sabedoria, visão, ousadia, coragem. É falar de ética, de novas possibilidades e caminhos por desvendar. Criação e experiência de novos saberes, desejos. É, acima de tudo, falar de futuro. É falar de escolhas, da possibilidade de se escolher que futuro se quer e que começa a ser planejado no hoje, no agora.

Não me deixa pessimista, mas cansado, ver como os homens públicos abusam de nossa paciência em ver mediocridades, em ouvir mentiras, em ver repetições. Só num país em que o marketing chegou ao cúmulo do abuso se consegue entregar ambulâncias velhas – Primeiro Emprego – para empregar 250 mil pessoas e empregam-se 500. Vivemos num país em que os processos não valem mais, valem apenas os eventos, o que parece ser. Em vez de criar um Programa Primeiro Emprego, por que não valorizar o empreendedorismo que já está aí? É isso que peço as autoridades: por favor, não inventem nada de novo. Dêem força ao que está aí. Primeiro Emprego? Não. Primeira Empresa!

Este texto é uma reflexão acerca do empreendedor(a) do século XXI, seu surgimento, a relação emprego x trabalho e, finalmente, a materialização de uma visão, e por que não do sonho, em uma oportunidade de negócio.

Junho 24, 2008

clandestinos:indesejados ,mas necessários

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:01 pm

O Parlamento da União Européia acabou de aprovar uma lei para tratar a questão da imigração ilegal para essa parte do globo. Trata-se de uma lei muito mais dura que as atuais e já virou alvos das organizações de direitos humanos que a acusa de violar esses direitos. Por essa nova legislação um migrante clandestino pode ser mantido preso por um período de até 18 meses e mesmo crianças pode vir a serem detidas. Além disso, o migrante expulso não poderá entrar de novo no país que o expulsou por um período de 5 anos.

 

Segundo informações divulgadas pele imprensa haveria na Europa algo como 8 milhões de migrantes ilegais dos quais 400 mil seriam de brasileiros e a cada ano 2 milhões de novos migrantes entram nos países da união européia. Trata-se de um numero bastante elevada e fundamentam a preocupação dos governos da união Européia sobra o assunto.

 

A medida ,no entanto, parece um contra senso posto que um das maiores ameaças que paira sobre o velho continente é justamente o encolhimento da sua população com todas as conseqüências negativas daí decorrentes. Os demógrafos calculam que uma população atinge um equilíbrio – estado estacionário onde a população apenas se repõe – quando se tem 2,1 filhos por mulher na idade ativa. Na larga maioria dos países componentes da União Européia esse número já está bem abaixo daquele que garante o equilíbrio. Na Espanha caiu abaixo de 1,8,o mesmo acontecendo com a Itália. A situação dos outros países europeus não é muito diferente disso, com populações mostrando tendências declinantes. O mesmo fenômeno vem sendo sentido nos países do leste europeu, sendo particularmente grave na Rússia.

O declínio da população de um país ou região tem como conseqüência sobremodo grave a redução do crescimento potencial do seu produto interno bruto. O crescimento potencia do produto interno bruto é uma medida usada pelos economistas para calcular o quanto uma economia pode crescer sem pressões inflacionárias e essa medida depende do estoque de capital e do tamanho sua força de trabalho – população economicamente ativa – e, evidentemente, da produtividade desses fatores.

 

Ora, se a força de trabalho é declinante seria necessária uma elevação muito grande na produtividade do fator trabalho para compensar esse encolhimento. Ao que parece,no entanto, a produtividade do trabalho não está sendo suficiente para compensar o declínio no estoque de trabalhadores e,desse modo, só restaria como saída importar mão-de-obra.

 

Essa é a solução que vem sendo adotada pelo Canadá e pela Austrália e também pelos Estados Unidos. A importação de mão-de-obra tem compensado o declino da população ao mesmo tempo em que supre força de trabalho para atender ao incremento da demanda provocada pelo crescimento da economia.

 

A Austrália, que cresce aceleradamente há 17 anos, está sofrendo carência de todos os tipos de profissionais, desde motoristas de caminhão, cujo salário anual é de US$ 97,000, até engenheiros.E assim vem adotando uma política explicita de atrair migrantes e 300.000 deles entram nesse país em 2007.O Canadá vem também incentivado a absorção de migrantes criando inclusive facilidades para que o migrante possa, depois de certo tempo, trazer sua família [pais].

 

A Europa,no entanto, parece ter dificuldades de adotar uma tal política ,ainda que dela precise desesperadamente. Isso parece ser um traço predominante do velho continente posto que se sempre se caracterizou por expulsão de população,inclusive a sua própria expelidas que foram para America e Austrália e até mesmo para a África.

 

Parece que o velho continente tem dificuldade em tratar com a diversidade cultural diferentemente das Américas que por ser terra de emigração desde cedo apreendeu a absorver, sem maiores tensões, povos e culturas os mais diversos. Não se podem esquecer as explosões de nacionalismo que vicejou nesse continente entre fins do século XIX e até meados do século XX e a sua mais recente manifestação nos anos 90 que despedaçou a ex- Iugoslávia

 

Assim eles [os europeus] precisam dos migrantes, mas não os aceita, daí a situação paradoxal. Considere-se ademais que os migrantes clandestinos, os 8 milhões que se informa existirem na Europa, estão, ainda que clandestinos, trabalhando, e, portanto produzindo riquezas nos países onde habitam. Se fossem, por hipótese, todos expulsos de uma só vez com certeza as economias européias sofreriam grandes impactos.

 

Os europeus parecem temer perder a sua identidade com o afluxo de populações forâneas.Americanos ,australianos e sul africano por não terem uma identidade própria [desde cedo foram constituídos de muitos povos] não teriam o que perder e assim seria muito mais receptivo a acolher a diversidade que naturalmente se segue dentro de um processo de influxo migratório.

 

O que vai acontecer na Europa e difícil de prever. Todavia as perspectivas não são das mais animadoras. Gilles Merrité no seu artigo “Pressão Demográfica Ameaça Descaracterizar a Europa” [Estado de São Paulo 15/06/2008] diz que hoje a preocupação dos países é “Hoje a visão política em muitos países da EU está concentrada no desemprego, considerado principal doença a ser curada, enquanto a real ameaça é a escassez cada vez maior de pessoas para preencher as vagas de trabalho”.

 

Nesse mesmo artigo e citando a Comissão Européia para Assuntos Financeiros e Econômicos, a população européia economicamente ativa vem encolhendo tanto que a partir de 2010, o crescimento econômico anual máximo da Europa Ocidental deve cair de 2.3%,registrados nos últimos anos para 1,8% ao ano e para somente 1,3% ao ano a partir de 2030.As conseqüências desses fatos são dramáticas pois isso significa redução de impostos, de contribuições previdências com impactos danosos sobre o bem estar geral das populações

 

Sem migração não será possível aos países dos EUA e da EU manter os seus padrões de vida. Todavia o problema na EU se afigura de maior gravidade na medida em que elas não conseguem lidar, como fazem os americanos, com assuntos delicados que se colocam na esteira da diversidade cultural e religiosa.

 

Eduardo A. Paiva de Almeida

20/junho/2008

 

 

 

Maio 20, 2008

O MARKETING DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS:

Arquivado em: Administração, Arranjo Produtivo Confecção, Economia, Moda — mercadoglobal @ 3:04 am

O MARKETING DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS: UM ESTUDO COM DEZ EMPRESAS DA INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO DE CARUARU

 

Degles Henrique Gonçalves de Siqueira

UPE-FCAP

Caio Anderson de Arruda Siqueira

 

RESUMO

Este trabalho apresenta as práticas de marketing comumente adotadas por dez empreendimentos de Caruaru que fazem parte do Arranjo Produtivo Local Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano (PCA). Nele, objetivou-se explorar, de forma quantitativa e qualitativa, quais as práticas de marketing que as pequenas empresas dessa indústria utilizam na definição de suas estratégias de produto, suas políticas de preço e as atividades de comunicação e venda de seus produtos. Através da metodologia aplicada, questionários elaborados e observação do mercado e das atividades das empresas, constatou-se que há distanciamento entre o discurso assumido pelos gestores e a prática diária, fazendo-se necessário a estruturação de departamento ou a existência de recurso humano que possa tratar da administração de marketing nessas empresas.

 

Palavras-chave: Marketing dos vestuários; marketing da indústria de confecção; marketing de pequenas empresas; administração de marketing.

 

INTRODUÇÃO

O Pólo de Confecção do Agreste (PCA) é um dos pólos de desenvolvimento da economia do estado de Pernambuco estruturado como um Arranjo Produtivo Local (APL) devido às características específicas dos municípios que os compõem: Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Ambos, geograficamente, são muito próximos; seus produtos são semelhantes, a confecção de vestuários. Contudo, cada município possui uma especialização no segmento de vestuários. Toritama se apresenta como uma das maiores produtoras de jeans do Brasil, competindo, em segundo lugar, com o Brás em São Paulo.

Santa Cruz do Capibaribe, que no final da década de 50 tinha como base econômica a pecuária, a cultura do algodão, pequenas manufaturas de confecções e venda de calçados, atualmente, é marcadamente o município da malha para moda surfwear, streetwear, moda íntima e moda praia.

Caruaru tem como principal fonte de sua renda a indústria, com destaque para a indústria de confecção e do turismo. É um município muito diversificado na produção de confecção geral e arte figurativa.

Como metrópole do Agreste de Pernambuco atraiu nos últimos anos grandes investimentos para a formalização do APL-PCA, como: universidades públicas de iniciativa federal e estadual, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que mantém cinco cursos no município sendo um deles Design com ênfase em moda; a Universidade de Pernambuco (UPE), com dois cursos, um deles objetiva a formação e profissionalização da gestão das empresas no município, Administração com ênfase em Marketing e Moda. Além de outras entidades que atuam no ensino técnico profissionalizante, SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica.

A pesquisa objetivou explorar quais as práticas de marketing utilizadas por dez empresas para definir suas estratégias de produto, as suas políticas de preço e as atividades de comunicação e venda de seus produtos, dentro de uma observação da dinâmica dos conceitos apreendidos na academia e utilizados no dia-a-dia pelos gestores.

Para Kotler (1995) o marketing é característico das empresas vencedoras. As empresas bem-sucedidas definem seu mercado-alvo e trabalham para responder às necessidades desse mercado da forma possível, estão decididamente orientadas para os clientes. Drucker (1973) considera o marketing tão básico na constituição de uma empresa que não pode vê-lo como um departamento, uma unidade distante ou isolada, mas como o empreendimento como um todo do ponto de vista de seu resultado final. Esse resultado não é determinado pelo produto, mas sim pelo cliente, isto é, o direcionamento da empresa deve ser para o consumidor final. Marketing, portanto, é uma forma de se fazer a Administração.

As relações de consumo dos produtos de confecção e moda estão impregnadas de relações simbólicas que perpetuam a experiência com as empresas. Produto aqui são as peças para vestuários confeccionadas pelas dez empresas pesquisadas, não considerando os componentes acessórios da moda.

Quando se trata de pequenos negócios, é muito comum verificar que os gestores acabam protelando o plano o marketing ou interpretando o marketing um departamento à parte, ou menos ainda, como ações pontuais de comunicação usando-se da propaganda em outdoors, cartazes, spots, comerciais, dentre outros. Deixando de encarar o marketing como um fator decisivo para o êxito do pequeno empresário (…) porque tudo nasce do mercado e tudo se dirige para ele (GRACIOSO, 1995).

A grande quantidade de pequenos negócios em Caruaru no segmento de confecção, como também, as empresas de confecção que vem de outras regiões do Brasil, solicita aos empresários um marketing mais agressivo para a sobrevivência de suas empresas (SARQUIS apud CONRAD, 2003).

Rosa (1992) observa que as práticas mostram que realmente são poucas as empresas que utilizam o marketing de forma efetiva e a média dos proprietários das pequenas empresas de fabricação é fraca em organização de marketing (IKEDA, 1993).

Empresas voltadas para a produção ou somente para si mesmas sinalizam que o cliente não passa de um mal necessário. Adotam uma postura egocêntrica nos negócios o que poderia ser válida quando a empresa moderna era um fenômeno recente, no entanto, isso já é coisa do passado. Os clientes, hoje, não estão sempre disponíveis para comprar produtos. Procuram soluções. Procuram alimentar personalidade e expectativas (HAMMER, 2001).

 

METODOLOGIA

Algumas questões que figuram em um trabalho científico são em torno de sua metodologia e como foi conduzido pelos pesquisadores. A pesquisa fez uso do método indutivo não buscando generalizações, aprioristicamente, mas constatando-as a partir da observação de casos concretos (LUCENA apud GIL, 2004).

A metodologia da pesquisa constou de cinco etapas: revisão bibliográfica e caracterização econômica do Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano utilizando o relatório final da publicação de mesmo título apresentado ao SEBRAE-PE em 2003; definição de como iria ser alcançado o público-alvo da pesquisa; elaboração de um questionário para entrevistas; contato com os gestores para agendamento da entrevista, contando com a ajuda de uma empresária local; tabulação dos dados e análise final.

As empresas foram selecionadas a partir de critérios de conveniência, relativa proximidade geográfica e acesso aos gestores na disponibilização de seu tempo para resposta às questões de um questionário e condução dos pesquisadores pelo dia-a-dia da empresa, levando-os a visualizar como é feito na prática os pontos do questionário. Essas empresas foram escolhidas aleatoriamente de uma lista fornecida pela FIEPE – Caruaru. A amostragem, portanto, se deu não-probabilística já que intencionalmente escolheram-se as empresas que iriam participar do estudo.

O instrumento para coleta de dados foi um questionário adaptado da obra de SARQUIS (2003). Constou de 32 questionamentos alinhados em quatro pontos focais para o levantamento das práticas de marketing que as pequenas empresas utilizam. São os pontos: questionamentos relativos quanto às práticas de produto, com 9 questões; quanto às práticas de preço, contendo 7 questionamentos; quanto às práticas de comunicação e vendas, com 13 proposições e sobre a prática de planejamento de marketing, contendo 2 questionamentos. Finalizava-se o questionário com uma parte para considerações finais, onde se perguntava sobre a satisfação do desempenho mercadológico da empresa, 1 questão, e um espaço para comentários gerais. As questões foram fechadas e algumas com múltipla escolha. Após a entrevista o pesquisador era convidado a conhecer as instalações da empresa, o que prolongava a permanência por cerca de 2 horas. Anotações relevantes eram realizadas logo após essa apresentação da empresa na saída.

Não foi utilizado nenhum software específico para análise de dados, após a tabulação. Utilizou-se, exclusivamente, do software Microsoft Excel 2007 para a criação de tabelas dinâmicas e geração de gráficos.

 

APRESENTAÇÃO DOS DADOS

 

Quanto às práticas de produto

Em relação às práticas de produtos analisou-se a identificação da empresa e produto; sobre a estratégia de marca; a freqüência do controle da qualidade dos produtos; a utilização de embalagens como instrumento de marketing; os serviços de apoio ao produto; o desenvolvimento de produtos; a obtenção de idéias para produtos e como é feita a análise do desempenho dos produtos.

Em relação à identificação da empresa todas elas possuem marca registrada, 20% trabalham com marcas de terceiros, 100% possuem logotipo para suas marcas próprias ou para as de terceiros e 20% utilizam slogans. A estratégia de marca utilizada pelas empresas é a marca de produto, 70%, que, na prática, se confunde com a empresa, não havendo uma distinção entre marca institucional e de produto. 40% das pesquisadas utilizam marca da empresa como estratégia.

A qualidade dos produtos é um item de extrema importância para as empresas. A totalidade das empresas possui controle da qualidade em diferentes formas: controle da matéria prima, antes da fabricação do produto, 100%; controle da qualidade durante o processo de fabricação, 100%; testes de controle de qualidade (testes de gramatura, encolhimento da peça, fixação do tingimento, etc.), 90% e a realização de inspeção final da peça antes da distribuição, 100%.

A embalagem é pouco usada como instrumento de marketing. Os gestores entendem que a embalagem não é um item que pesa na hora da compra de seus produtos, uma vez que, as lojas expõem os produtos fora de suas embalagens originais. Basicamente, as embalagens são instrumentos de proteção e conservação do produto, 90%, para as empresas; facilitadoras do manuseio do produto, 70%; 40% das empresas levaram em consideração elementos de comunicação da embalagem, transmitir informação sobre o produto/empresa.

O apoio aos produtos é um fator controverso na pesquisa. 60% das empresas dizem manter atendimento ao consumidor final. Na prática não pode ser percebido esse canal. Falta estrutura na empresa. Ao contrário do atendimento aos consumidores intermediários, 50%, que é vigoroso, através dos representantes comerciais e relação entre os gestores e os seus clientes intermediários, por telefonemas, e-mails, visitas, entre outros.

Outros serviços de relevância: entrega de mercadorias, 50% das empresas cuidam da entrega; troca e devolução dos produtos com problemas, 40%; informação do mercado aos intermediários, 40%; e acompanhamento pós-venda pela empresa é um fator crítico, 20% das empresas fazem regularmente.

Ainda relativo à prática de produto, o item sobre desenvolvimento de produto revelou as atividades mais comuns adotadas pelas empresas, algumas até controversas. As empresas, 90%, consideram o desenvolvimento de peças para novas coleções como produtos realmente inéditos. No entanto, consideram-se produtos realmente inéditos aqueles que se desenvolvem dentro da estrutura de criação da empresa através de pesquisa e construção de conceitos próprios e não a livre adaptação de peças que já estejam em circulação no mercado, seja nacional ou internacional. Na verdade, os produtos considerados “realmente inéditos” são melhores compreendidos como novos produtos lançados pela empresa ou inéditos para os gestores e não para o mercado. Dessa forma entendido, o nível de empresas que lançam produtos inéditos é muito baixo. No entanto, as empresas são ousadas quando atuam no desenvolvimento de produtos que são novos para elas; 90% das empresas conseguem desenvolver produtos que são novos para seus métodos de produção, mostrando a capacidade de adaptação ao mercado. 80% estão efetuando modificação em produtos existentes na empresa. Com freqüência as peças mais básicas que sempre compõe as coleções. Ainda, existe a parceria de desenvolvimento de produtos com os clientes intermediários, 80%.

No quesito insucesso com os produtos, 30% das empresas afirmaram ter problemas com produtos em lançamentos de coleção. Alguma peça que não foi bem aceita como esperado. 90% das pesquisadas realizam teste em seus produtos. O que serve para justificar o índice de insucesso em uma coleção.

Os caminhos para a obtenção das idéias, sugestões para o desenvolvimento de suas coleções, por ordem de importância são: os clientes intermediários, uma totalidade das empresas considera suas recomendações; a equipe de venda, 90%; consumidores finais e fornecedores, 80%; os fornecedores possuem um canal muito estreito com essas empresas. São eventos semestrais para demonstração das tendências em modelagem, tecidos, cores, estampas em seus showrooms que acaba influenciando o planejamento da coleção. Os menores índices, contudo não desprezíveis, são: intuições próprias, amigos e familiares, funcionários, com uma participação no desenvolvimento de um projeto de coleção em 60%. Estudar os passos do concorrente não é relevante para as empresas pesquisadas: 30% das empresas fazem com freqüência a análise do desenvolvimento do concorrente, 40% às vezes, 30% nunca fazem.

A avaliação dos produtos é um hábito, no entanto, não sistematizado. Os itens mais relevantes para uma avaliação foram: a taxa de crescimento das vendas, 80% e a participação percentual no faturamento da empresa, 60%.

 

Quanto às práticas de preço

No geral a política de definição de preço é um trabalho sistêmico e prática comum entre as empresas focadas no mercado, que consideram o valor percebido de seus produtos na elaboração do preço. Os itens mais assinalados pelas empresas, quanto aos objetivos norteadores de uma política de preço foram: maximizar o lucro em longo prazo, 50%; manter lealdade e apoio aos intermediários, 30%; maximizar o lucro em curto prazo, 30%.

Os métodos utilizados para elaborar o cálculo do preço de venda são: margem de contribuição, 80%; valor da concorrência, 10% e fixação do retorno sobre o investimento (ROI), 10%. Nenhuma empresa define seu preço considerando o valor percebido pelo mercado.

Os fatores que influenciam com maior freqüência a definição do preço de venda nas empresas são os custos, 80%, a sensibilidade do produto ao preço, 40% e objetivos e imagem desejada pela empresa, 40%. 10% dizem considerar o preço do concorrente, mas todas as empresas mantêm-se na média de preço do mercado, quando vão estruturas suas estratégias de preço.

O fator custo como o que mais influencia a definição do preço de venda sinaliza a utilização de sistemas de controle de custo pelas empresas. 80% das empresas utilizam a apuração do custo por processo e a contabilização do custo fixo pelo custeio direto ou variável (80%).

No que se refere aos seus recebimentos e aos créditos cedidos pelas empresas aos clientes intermediários, todas adotam como medidas de proteção à manutenção constante de seu cadastro de clientes intermediários, analisam a situação creditícia deles antes da emissão da nota de fatura, a consulta permanente às entidades protetoras do crédito e a cobrança devida das pendências.

 

Quanto às práticas de comunicação e venda

Não é suficiente fazer um bom produto. Tem de fazê-lo conhecido pelo mercado. Em relação às práticas de comunicação e venda explorou-se os seguintes itens: a freqüência com que a empresas utiliza de propaganda para promover seus produtos e quais as mídias escolhidas; o método para determinar o montante de investimentos em propaganda; o método para avaliar o resultado da propaganda; a utilização da promoção para incrementar a venda; a existência da prática de merchandising no ponto-de-venda (PDV); quais as atividades de administração de venda adotada pelas empresas e os problemas mais comuns com essa administração; a sistemática para a remuneração da equipe de venda e o controle da equipe; a utilização do marketing direto e quais os destinatários freqüentes das ações de marketing.

A comunicação é entendida como o conjunto de sinais que são emitidos pelas empresas em direção aos seus clientes e a todos os alvos (LENDREVIE, e.o. 1996). Esses sinais, ou mensagens devem ser administrados pelos gestores, como também, os canais por onde as mensagens caminham. Desta forma, a empresa trabalha na construção de suas marcas no mercado, elaborando fichas simbólicas, ou legissignos.

Os legissignos ou fichas simbólicas (ECHEVERRIA, 2006), são compreendidos como a própria marca que a empresa constrói no mercado, capaz de representar sistemas peritos, sistemas de excelência técnica ou competência profissional que organizam grades áreas dos ambientes, material e social em que vivemos hoje (ECHEVERRIA apud GIDDENS, 2006). São os legissignos, as marcas, que facilitam a troca, sobretudo econômica, ao criar um denominador comum e reduzir as incertezas dos consumidores no ato da compra. Por isso, a gestão do marketing e comunicação faz-se importante. Com a existência ou não de um planejamento da comunicação, a comunicação dos produtos de uma empresa sempre vai acontecer, e mal. A empresa está sempre comunicando com suas ações no mercado e não pode ceder a outro o que é de sua responsabilidade.

As empresas utilizam com maior freqüência a divulgação boca-a-boca de seus produtos, 70%; outras mídias de destaque: adesivos, brindes e buttons, 40%. Optam por mídias mais simples de executar e com baixo custo envolvido.

TV rádio ou cinema, com maior destaque para Rádio e TV, foi usado por 20% das empresas. As embalagens ou sacolas plásticas são pouco utilizadas, 20%, os gestores não vêem que essa mídia agregue valor ao seu produto ou ajude comunica-los e não sabem como explorá-los no PDV. Em seguida, podem-se destacar também, panfletos ou prospectos, 30%; painéis, faixas e outdoors, 20%.

Determinam o montante de investimento em propaganda pela disponibilidade de recursos, 50%; utilizando o método objetivo-tarefa, 30% e o método da porcentagem sobre as vendas, 20%. Nenhuma das empresas considerou o método da paridade competitiva para determinar o investimento em propaganda.

Para avaliar o resultado da propaganda utilizam-se do cálculo do impacto sobre o volume de vendas, 60%. Outros métodos citados: taxa de conversão de novos clientes, 20%, e índice de procura por informações, 20%.

A promoção para incrementar a venda em curto prazo e apoiar os clientes intermediários foi outro item estudado na prática de marketing das empresas: 50% utilizam-se de feiras e exposições; 40%, prêmios de incentivo à compra em parceria com os clientes intermediários; 40% ainda utilizam de pacote de preços promocionais.

Utilizar displays ou outros elementos que dê destaque aos seus produtos no PDV foi uma alternativa pouco freqüente entre as empresas, 90% nunca fizeram uso desse recurso. A prática do merchandising de seus produtos no PDV é nula. E verificamos que muitas das marcas são comercializadas em lojas multimarcas. Somente 20% das pesquisadas afirmaram usar, às vezes, material de venda para destacar seus produtos. Outros itens da lista de análise foram selecionar o melhor local para o produto, 10% às vezes fazem; exposição promocional no PDV, 10% às vezes usa esse recurso. Uma das empresas revelou que em uma semana específica do mês visitavam as lojas revendedoras com modelo que visitam as peças, contudo, essa prática foi deixada de lado devido às responsabilidades com a produção, pesquisa, distribuição e muitas outras que a empresa demandava.

Em relação à administração de venda 40% motivam suas equipes ou revendedores; 40% definem os objetivos de venda e as metas de sua equipe; e, em 30% das empresas, o proprietário-gerente-empreendedor sente-se o vendedor nº. 1. Isso se dá, de certa forma, porque as empresas da pesquisa usam de representação comercial para a venda, objetivando a redução dos custos.

As pequenas empresas que apontaram problemas/dificuldades com a administração de venda os fizeram principalmente com relação aos seguintes aspectos: sistema de recrutamento e seleção, 10; funções e responsabilidades da equipe de vendas, 20% e problemas com técnicas de venda, 20. Não possuem problemas com o zoneamento territorial das vendas delimitando bem o espaço geográfico que pretendem atuar.

Esses números da administração de venda estão intimamente ligados com o método de venda adotado, a representação comercial da marca por terceiros especializados. As empresas não utilizam de outras empresas para fazer as vendas, nem de uma equipe própria de vendedores, mas de profissionais liberais que assumem a responsabilidade da venda de vários produtos representando as marcas e visitando os clientes intermediários. Uma representação concedida que nem sempre implica na exclusividade do representante, podendo, ele, comercializar até marcas concorrentes.

A remuneração adotada por 80%das empresas para a equipe de venda é uma participação comissionada, geralmente em 10%, sobre as vendas. 20% das pesquisadas adotam um sistema misto, salário fixo mais comissão. Nenhuma empresa assinalou o uso de salário como remuneração.

Os itens mais utilizados para o controle e desempenho de vendas são vendas globais da empresa (90% acompanham mensalmente). 30% das empresas acompanham mensalmente os métodos e técnicas de vendas utilizadas pelos vendedores.

Relativo à prática de marketing direto as empresas focam em uma única ferramenta o telefone que não se configura em um telemarketing profissional (50% sempre fazem); a mala-direta é outra ferramenta de destaque (40%). O uso dos catálogos não é uma constante entre as empresas, 60% às vezes optam por essa ferramenta.

Quando utilizado o marketing direto 90% das empresas tem como destinatário da ação o varejista e 80% o consumidor final. Para essa questão os empresários poderiam optar por mais de um dos itens. As ações são de marketing direto são planejadas a partir do bando de dados pessoal da empresa (100%), para varejistas. Em relação aos consumidores finais não se pode saber.

Questionadas sobre a existência do plano mercadológico, apenas 30% das pequenas empresas responderam que dispõem de um plano formalizado, com objetivos, ações, cronograma e orçamento definidos. As demais, 70% delas, responderam não. Basicamente possuem uma orientação “na cabeça” de certa idéia que pretendem realizar, mas nada documentado.

As que não possuem um plano foram questionadas sobre as razões: 50% alegam falta de tempo; 40% afirmam falta de habilidade ou conhecimento em planejamento; e 30% alegam falta de dados e informações.

Chama atenção na análise dessa questão que a metade das pequenas empresas alega falta de tempo para realizar o planejamento de marketing e um número muito grande alega a falta de conhecimento sobre planejamento. Sinalizam um conhecimento superficial do marketing para o planejamento. Com base nos contatos pessoais, a falta de prioridade para o marketing se justifica devido à deficiência no conhecimento efetivo do significado do marketing para pequenas empresas, a sua importância e o processo de planejamento.

Dessa forma, aponta-se que os resultados dessa pesquisa, no que tange à prática de planejamento de marketing, confirmam as pesquisas de IKEDA (apud SARQUIS, 2003) segunda a qual a maioria das pequenas empresas se revelou deficiente na prática de planejamento, especificamente no planejamento mercadológico/comercial. Eles estão agindo em desconformidade com as recomendações o que pode ser perigoso para os negócios da indústria de confecção em Caruaru.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise dos resultados apresentados, é possível tirar conclusões básicas a respeito da prática de marketing das empresas da indústria de confecção em Caruaru. Na conjuntura presente, as empresas não se preocupam com o marketing sistêmico. Estão voltadas para seus produtos e concretização das vendas. Tornam-se empresas voltadas para o mercado local com pouca expressão no mercado nacional.

Para identificar seus produtos usam marca própria que se vincula a empresa não existido distinção. A marca do produto confunde-se com a instituição e adotam logotipos; levam como estratégia de marca, a marca do produto.

O controle da qualidade de seus produtos é rigoroso por meio de inspeção ao longo do processo, desde a compra da matéria-prima, a produção, até a entrega do produto ao cliente intermediário. As embalagens são usadas para proteger e facilitar o manuseio do produto para os clientes intermediários e não vêem meios de as utilizarem como ferramenta de comunicação no ponto-de-venda.

Os serviços de apoio aos produtos oferecidos são mais especializados para os clientes intermediários como o atendimento, a entrega da mercadoria, a troca e devolução dos produtos e o acompanhamento pós-venda. Deixando o atendimento ao consumidor final muito a desejar.

Desenvolvem produtos novos para o mercado, mas não inéditos. Não desenvolvem produtos em parceria com clientes e adotam como fonte de idéia e sugestão: os clientes intermediários, consumidores, intuição própria, familiares, equipe de venda e fornecedores. Dispõem de certa diversificação de produtos, com uma de linha de produto com vários itens, geralmente, em média, composto por 46 itens.

Analisam o desempenho de seus produtos ou linhas dentro dos seguintes critérios: a taxa de crescimento das vendas, a participação percentual no faturamento da empresa e menos a perspectiva de competitividades.

A estratégia de preço amplamente utilizada é a paridade com o mercado. As pequenas empresas têm objetivos coerentes como orientadores da política de preços, tais como maximizar o lucro em curto e longo prazo, participação no mercado, manter lealdade e apoio dos intermediários e criar interesse e entusiasmo pelo produto. Utilizam como método para o cálculo do preço do produto a margem de contribuição e em segundo lugar, ROI e valor da concorrência e consideram os custos nessa fixação de preço, contudo, não levarem em consideração o valor percebido pelo mercado devido poucos investimentos em comunicação.

Divulgam e promovem os produtos via comunicação boca-a-boca, adesivos/brindes e panfletos ou prospectos. Determinam o investimento para propaganda através da disponibilidade de recursos e não se planejam para comunicar seus produtos. Quando comunicam por propaganda avaliam a comunicação pelo impacto sobre o volume de vendas.

As pequenas empresas usam para incrementarem as vendas as feiras e exposições, prêmios (brindes) de incentivo às compras, pacote de preços promocionais. Elas não praticam merchandising no ponto-de-venda de seus produtos.

As atividades de administração de vendas mais comuns são: motivação da equipe; definição de objetivos e metas; pacote de preços promocionais para os vendedores. Poucos proprietários agem como vendedores nº. 1 da empresa. O sistema de comissionamento para remunerar os vendedores é mais freqüente e o acompanhamento do desempenho de vendas é feito por meio da análise da venda global e de seus vendedores (representantes), mensalmente.

Como ferramenta de marketing direto, destaca-se: o telemarketing sem o envolvimento de intermediários especializados e a mala-direta que tem como suporte um banco de dados pessoal (de clientes intermediários) e tentam equilibrar-se entre varejistas e consumidores finais, no entanto, a ênfase é para ações com varejistas.

Falta planejamento mercadológico nas pequenas empresas, e questionado os motivos, os gestores alegaram: falta de tempo, dados e informações e conhecimento efetivo para planejarem o marketing das empresas.

Diante da deficiência em marketing, observadas em alguns pontos na pesquisa, convém recomendações importantes que posam melhorar a prática das empresas da indústria de confecção em Caruaru.

As empresas devem dispor de informações sobre seus clientes, consumidores, concorrentes e sobre dados internos com fidelidade e método. Para isso, necessita-se de uma sistematização na coleta e análise dos dados e informações de marketing; devem fazer uso de formas estruturadas de pesquisa, entrevista com grupo de clientes, abertura de canais e registros das percepções do produto que o cliente tem.

Na prática de produto devem-se utilizar melhor as embalagens e etiquetas como efetivos instrumentos de marketing adquirindo material diferenciado, com bom visual gráfico. Que o critério do desempenho do produto seja maior e melhor mensurável e bem formalizado: demonstrativo de vendas, curva ABC de produto, mapa de rentabilidade por produto e quadros de evolução das vendas. Que seja intensificada a identificação do produto e da empresa, logotipos e slogan para auxiliar no posicionamento.

Possam, em relação à política de preço, adotar métodos de determinação de preço mais compatíveis com o mercado como a margem de contribuição e o valor percebido pelo mercado. E que contem mais com os contabilistas na organização dos dados de custo e contabilidade em geral.

No que se refere à comunicação de marketing e vendas, sugere-se investir em propaganda via mídia alternativa e segmentada possibilitando a construção da marca; monitorar o boca-a-boca sobre a empresa e influenciar conscientemente esse processo; realizar ações de relações públicas como promoção de eventos, relação com a comunidade, contato com a imprensa regional através de envio de artigos para as áreas opinativas, apresentação em palestras, em faculdades ou órgãos de classe; adotarem publicação de informativos para os clientes intermediários e finais, que podem ser impressos ou utilizando os recursos da Web 2.0. Investir em merchandising para o ponto-de-venda via material para PDVs, exposição promocional, terceirização de serviços para consultorias.

Possibilitar que pelos representantes e vendedores o cliente final tenha acesso à empresa. Possibilitar o melhor recrutamento dos vendedores e tentar garantir exclusividade de serviço por parte dos representantes com muitas marcas que sejam concorrentes diretos das empresas. Aproximar-se dos vendedores das lojas que trabalham com multimarcas motivando-os a apresentarem seus produtos como principais.

A metodologia de planejamento, por fim, deve ser aprendida pelo proprietário-gerente seja por leitura de livros, participação de cursos rápidos, cursos pela internet, como através de graduação nas áreas da administração. Também procurem consultoria externa que colabore com o crescimento dos pequenos negócios formando parcerias. Monte anualmente o planejamento mercadológico com a equipe de administração e saiba delegar melhor as atividades dentro da empresa para que a gestão seja mais bem administrada no tempo. E não se esquecer de compartilhar as decisões do plano de marketing com os clientes internos e também comunicar-se bem dentro da empresa.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, Mário de. Tecnologia do Vestuário. Lisboa: Fundação Calouste Gulbernkian, 1996.

 

BLESSA, Regina. Merchandising no ponto-de-venda. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2003.

 

DE FELIPPE, Bernardo Jr. Pesquisa: o que é e para que serve? Brasília: SEBRAE, 1994.

 

DRUCKER, Peter. Management: Tasks, Responsibilities, Practices. New York: Harper & Row, 1973. Disponível em:

http://books.google.com.br/books?id=ewaGKuKklgMC&dq=management+tasks+responsibilities+practices&pg=PP1&ots=Ljwgx9I6PG&sig=tdRXfCHp40VfYVLgr91aeUYJYeE&prev=http://www.google.com.br/search%3Fhl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26oi%3Dspell%26resnum%3D0%26ct%3Dresult%26cd%3D1%26q%3DManagement%2BTasks,%2BResponsibilities,%2BPractices%2B%26spell%3D1&sa=X&oi=print&ct=title&cad=one-book-with-thumbnail#PPR6,M1>. Acessado em: 3 de novembro de 2007.

 

ECHEVERRIA, Deborah. Construção da marca: análise do modelo de sucesso da Ogilvy & Mather. São Paulo: Altana, 2006.

 

EL-CHECK,Roberto. Marketing básico para pequenos e médios empresários. Rio de Janeiro: Vozes, 1991.

 

GIDDENS, Anthony; PIERSON, Christopher. Conversas com Anthony Giddens: o sentido da modernidade. Rio de Janeiro: FGV, 2000.

 

GIDDENS, Anthony. Capitalismo e moderna teoria social. Lisboa: Presença, 1990.

 

________________. As conseqüências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991.

 

GRACIOSO, Francisco. Grandes sucessos da pequena empresa: histórias reais. Brasília: Sebrae, 1995.

 

HAMMER, Michael. A Agenda: O que as empresas devem fazer para dominar esta década. Rio de Janeiro: Campus, 2001.

 

IKEDA, Ana Akemi. O marketing em empresas de pequeno porte e o setor de serviço: um estudo em agências de viagem. Brasília: Ed. Sebrae, 1993.

 

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, Planejamento, Implementação e Controle. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.

 

_______________. Administração de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000.

 

LAMBIM, Jean-Jacques. Marketing Estratégico. 3ª ed. Madri: MC Graw Hill, 1997.

 

LENDREVIE, Jacques e.o. Novo Mercator: teoria e prática do marketing. 6ª ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996.

 

MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de Marketing: Uma Orientação Aplicada. 3ª ed. São Paulo: Bookman, 2001.

 

MATTAR, Fauze Najib. Pesquisa de Marketing. Vol.: 1. São Paulo: Atlas, 1996.

 

MEGIDO, José Luiz Tejon. Pequenas empresas grandes vendedores: você é o vendedor número 1 da sua empresa. Brasília: Sebrae, 1995.

 

NASCIMENTO, Lerisson Christiam. Profissionalismo: expertise e monopólio no mercado de trabalho. Revista eletrônica de Ciências Sociais Aplicadas, v.2, n.1, jan/jun de 2007. Disponível em:

<http://www.revista.grupointegrado.br/perspectivascontemporaneas/viewarticle.php?id=47>. Acesso em 11 de março de 2008.

 

PEREZ, Clotilde. Signos da marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

 

ROSA, José Antônio. Práticas de marketing para a pequena empresa. São Paulo: STS, 1992.

 

SARQUIS, Aléssio Bessa. Marketing para pequenas empresas: A indústria da confecção. São Paulo: Senac, 2003.

 

SIQUEIRA, C. A. A.; SIQUEIRA, D. H. G. e. o. Pólos de Desenvolvimento de Pernambuco: O Pólo de Confecção do Agreste. Relatório produzido como atividade avaliativa no Primeiro período do Curso de Administração para a disciplina, Introdução à Administração.

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Estudo de Caracterização Econômica do Pólo de Confecção do Agreste Pernambucano. Relatório final apresentado ao SEBRAE, maio de 2003.

 

 

 

Abril 30, 2008

O Preços da Gasolina

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:46 pm

O Preço da Gasolina e a Formação de Preços de Venda

 

O assunto da mídia parece se deslocar do caso da menina Isabella para o reajuste dos combustíveis. Essa é um assunto que realmente interessa, pois tem um impacto direto no nosso bolso.

 

Mais interessante do que o reajuste em si são os argumentos que se esgrimem para justificá-los. O principal deles é que os preços dos combustíveis  cobrado no Brasil estão defasados em relação aos preços prevalecentes no mercado internacional e assim se faria  necessário reajustá-los.

 

Confesso que, sinceramente, não entendi o argumento, pois se assim fosse o preço seria o mesmo em qualquer lugar do mundo, na Venezuela e na Arábia Saudita, que são grandes produtores de petróleo como na Suíça que não produz uma única gota sequer.

 

Num mercado onde prevalece a competição e que, portanto, não existe  nenhuma empresa dominante o preço será fixado pelas forças de oferta e demanda e,afora alguma particularidades quando as empresas procuram um diferencial para os seus produtos e assim cobrar um valor mais alto do que os seus concorrentes,nenhuma teria condições de fixar o seu preço.Usa-se dizer que nesse caso a empresa é uma price take e não um price make.

 

Essa condição, no entanto, não existe no mercado de petróleo do Brasil que é praticamente dominado pela PETROBRAS. Essa empresa é, de fato, monopolista e age como tal daí porque  tem o poder de fixar os seus preços. Essa ação e perfeitamente coerente como comportamento de uma empresa  que detém poder de mercado e busca maximizar os seus lucros.

 

Pode-se contra-argumentar que houve aumento de custos por conta da subida dos preços do óleo cru no mercado internacional. Esse fato é inegável, mas também não se pode negar que os preços pagos em dólar devem ter caídos por conta da apreciação do real nos dois últimos anos. Ao final das contas não se sabe com certeza se os preços, em dólar  que hoje se paga pela importação do óleo cru subiram e em quanto realmente subiram.

 

Há se se considerar ainda que uma parte do óleo cru que se usa no Brasil – pelo menos é isso que a PETROBRAS informa – é extraído internamente e, portanto se faria necessário saber  o quanto essa extração aumentou os seus custos – se aumentou –  em termos da moeda local. Aqui mais uma vez pode-se argumentar que sendo a PETROBRAS uma empresa internacional teria que cotar os seus preços em termos também internacionais. Afora explorações em países estrangeiros e em alguns países do quarto mundo como a Bolívia – do qual ela foi recentemente escorraçada – não me consta que a PETROBRAS venda seus produtos fora do Brasil. Não conheço refinaria da PETROBRAS na Inglaterra nem postos de gasolina dessa empresa nos Estados Unidos ou na Alemanha.

 

Podemos nos perguntar por que então devemos ter uma empresa brasileira de petróleo?. Se vamos pagar preços internacionais então deveríamos poder compra os produtos de quaisquer empresas e, logicamente iríamos comprar daqueles que nos oferecesse melhores preços. “Como dizia Alfred Marshall,célebre economista britânico do inicio do século XX,” não se pode ser patriota e popular ao mesmo tempo” .

 

Eduardo A. Paiva de Almeida

30/04/2008

Abril 24, 2008

Os Novos Nômades

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:21 pm

 

Os Novos Nomades

 

 

A revista inglesa The Economist na sua edição  de 12 – 18 de abri de 2008  trás uma matéria especial sobre a mobilidade nas comunicações. Na introdução dessa matéria intitulada Our Nomadic Future ela faz uma comparação entre os tradicionais nômades, aqueles que nos filmes aparecem cruzando o deserto com os seus camelos com os modernos “ nômades” que  com seus aparelhos wireless a fazendo usos dos avanços nas comunicações podem se comunicar e trabalhar estando em qualquer lugar do mundo.

 

Segundo a The Economist, o advento do automóvel não significou apenas a substituição da velha carroça. O veiculo automotor alterou todo um estilo de vida. Sua existência redesenhou as cidades  - agora era possível separar local de moradia de local de trabalho – criou novas estruturas comerciais como o Shopping Center e tornou decadentes aquelas áreas com restrições ao estacionamento e a circulação de veículos. Até mesmo algumas doenças decorrente de sedentarismo foram exacerbadas, pois se passou a caminhar cada vez menos.

 

Do mesmo modo que o carro redefiniu um estilo de vida, a mobilidade está provocando efeitos semelhantes. Nos países de economia mais desenvolvida se permite hoje trabalhar no subúrbio e morar no centro da cidade. O padrão de trafico vem mudando de forma expressiva. Ao invés do antigo movimento subúrbio – centro as 9h00 e centro – subúrbio  as 17h00 tem-se hoje um padrão radial com as pessoas indo e vindo entre  seus escritórios e residências.

 

A revista pergunta se isso significa uma vida melhor. E ela mesma responde que  sim em muitos aspectos. Ela libera os trabalhadores do setor de serviços dos seus “cubilos”, pois podem agora trabalhar em qualquer local. Não é mais obrigatória  a presença desse tipo de trabalhador num local especifico. Ele pode estar na Inglaterra e prestar serviços para uma empresa no Japão, e discutir e traçar estratégias on line tendo como restrição apenas os fusos horários. O trabalho em home Office já é uma realidade mesmo aqui no Brasil.

 

Mas como tudo na vida essa liberdade  pode ter um lado negativo, pois pode ser acompanha da por uma nova tirania uma vez que  o trabalhador estará sempre conectado não se distinguindo, dessa forma., os horários de trabalho daqueles de lazer e descanso.É sempre bom lembrar que quando uma empresa fornece um note book a algum empregado isso sempre significa mais trabalho pois ele sempre poderá fazer mais trabalho em casa nos seu horários  que seriam dedicados ao  repouso.A tirania do local pode ser substituída pela  tirania do horário

 

A mobilidade irá tornar essas pessoas com as características de nômades. Elas estarão sempre próximas aos familiares e amigos enquanto deambulam pelo mundo mas ,também de forma igual aos tradicionais nômades , terão dificuldades em estabelecer ligações com aqueles que são de fora desse circulo.Há entre os sociólogos uma preocupação como a tendência  - paradoxal – a um isolamento onde os e-mail substituem os contactos pessoais [recomendo sobre isso o filme “Denise está Chamando”  - procurem nas boas locadoras].

 

Esse nomadismo, segundo a The Economist , baseado nas facilidades de fone e câmera ,pode tornar o mundo melhor. Ele pode tornar qualquer pessoa em ativista político pronto para “divulgar a brutalidade da ação policial”. Mas do mesmo modo pode também tornar qualquer um num paparazzo e isso representa o lado negro dessas novas possibilidades.A vida das pessoas pode ser completamente devassada e a privacidade está pode estar seriamente ameaçada.

 

Na cidade como no deserto, o “ nomadismo promete o céu das novas liberdades mas também ameaça com o inferno da  fiscalização por parte das tribos.

 

Eduardo A Paiva de Almeida

24 de abril de 2008

 

 

Março 24, 2008

Para onde vai o câmbio

Arquivado em: Administração, Economia — mercadoglobal @ 1:39 pm

Para onde vai o cambio?

 

Segundo informações veiculadas pela imprensa em 2007 o Brasil recebeu US$ 85 bilhões. Nesse montante estariam englobadas todas as modalidades de investimentos incluindo o chamado Investimento Estrangeiro Direto – IED e as aplicações de portfólio. O Investimento estrangeiro direto são os investimentos que chegam ao país para financiar operações de prazo longo englobando implantação, aquisição e fusão de empresas enquanto que aplicações de portfólio é o dinheiro estrangeiro, de curto prazo, que aqui aporta para se beneficiar de condições especificas favoráveis como bolsas de valores, títulos do governo e outras aplicações de curto prazo.

 

O primeiro grupo de dinheiro estrangeiro trás inquestionáveis benefícios para o país na  medida em que eleva o nível de investimento da economia  e em 2007 o investimento global da economia brasileira apresentou uma elevação. O investimento estrangeiro direto, freqüentemente, também trás consigo novas tecnologias, sejam de produção sejam gerenciais o que significa um benefício adicional para a economia.

 

As exportações brasileiras atingiram US$ 160 bilhões em 2007 e o saldo da balança comercial chegou a US$ 40 bilhões. Sem dúvida sob esses aspectos a economia brasileira foi particularmente brilhante em 2007.

 

Mas o que isso tem a ver com o cambio? Tudo. Claramente esse sucesso da economia significa uma grande quantidade de dólares sendo trocados por reais e, como qualquer mercadoria, quando sua produção é abundante o seu preço cai. É isso que vem acontecendo com o real.

 

O impacto da apreciação do real [depreciação do dólar americano] tem conseqüências sobre o nosso comércio internacional que já mostra reduções dos saldos da balança comercial em 2007.O saldo da balanço comercial da indústria de transformação em 2006 foi de US$15,7 bilhões enquanto que nos primeiros nove messes de 2007 esse mesmo saldo encolheu para apenas US$ 9,3 bilhões numa clara tendência de encolhimento.

 

  A indústria nacional vem sofrendo uma feroz concorrência com os produtos exportados. Apenas alguns setores, dentro os quais figura o têxtil, tem conseguido manter e ampliar os seu níveis de exportação sustentando assim  maior redução ocorreu precisamente  no setor têxtil o que pode ser interpretado como uma perda de competitividade das nossas exportações nesse setor ou uma maior competitividade das importações ou uma combinação desses dois fenômenos.

 

Sabe-se que o câmbio é um dos componentes de custo no processo de exportação/ importação. Ou seja, o preço da moeda estrangeira em termos da moeda nacional [o dólar em termos de real] é um dos determinantes da rentabilidade nas operações de exportação/importação. Grosso modo quando a moeda estrangeira fica barata a importação pode se tornar uma operação rentável, acontecendo o contrário com as exportações.

 

É mais ou menos essa situação que estamos vivendo hoje. Todavia se pode perguntar por que então as nossas exportações não despencam? Duas explicações, não excludentes, podem ser aventadas para isso. A primeira delas seria o enorme crescimento na produtividade de certos setores da economia o que daria competitividade a esses setores mesmo numa relação de cambio desfavorável. A outra seria o particular momento vivido pela economia mundial  com uma notável expansão do comercio internacional  e preços excepcionais para as commodities agrícolas e minerais.

 

Tentar desvendar os caminhos da taxa de cambio é uma tarefa que se impõe a todos os  empresários, mesmo para aqueles que não têm no mercado externo o seu alvo de negócios, pois uma taxa de câmbio depreciado poderia trazer mais importações para competir com a produção local. Uma edição do Jornal do Commercio noticiou que o pólo têxtil de Pernambuco, concentrado no triangulo formado pelas cidades de  Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, ampliou suas vendas em 12% em 2007, mas que a produção se expandira apenas 5%.

 

É evidente que nenhum país, nem mesmo os EUA que possuem a mais densa malha industrial do mundo, pode dispensar importações na mediada em que a produção local não cobre todas as necessidades. O Brasil não seria diferente. Todavia trata-se de uma notícia preocupante, pois pode estar sinalizando uma penetração expressiva de produtos importados facilitada, sobretudo, pela depreciação da moeda nacional que, eventualmente, poderia deslocar produção local com as suas conhecidas conseqüências.

 

Em assim sendo que socorro poderia os produtores locais esperar da taxa de cambio? Eu arriscaria dizer, pouco ou mesmo nenhum. No sistema de taxa de cambio flutuante o preço da moeda – a taxa de cambio – se forma na interação da oferta e da procura. Desse modo não deve haver atuação explicita do governo para sustentar uma particular taxa de cambio que pudesse trazer algum benéfico para os exportadores nacionais.

 

Isso nos remete a perscrutar  como devem se comportar as forças que comandam a demanda e a oferta de dólares no mercado brasileiro. A grande chave para esse entendimento  está no comportamento da economia americana que continua sendo o principal motor da economia mundial.

 

A economia americana dá sinais que não são inequívocos. Os especialistas divergem, portanto, se os EUA entrarão ou não numa recessão. A divergência,no entanto, parece residir apenas no grau uma vez que há um entendimento que a economia americana irá experimentar algum esfriamento.

 

Como resposta a isso o banco central americana pode patrocinar uma rodada de redução na taxa de juro [prime rate]. A redução nessa taxa tornaria as aplicações nos EUA menos rentáveis o que indicaria que o influxo de entrada no Brasil de aplicações de portfólio seria mantido ou até mesmo ampliado. E isso exerceria uma tendência de baixa da moeda brasileira.

 

Do lado dos investimentos estrangeiros diretos é de se esperar que o influxo seja mais ou menos mantido posto que  não é muito sensível  - a menos de uma grave crise global-a conjunturas de curto prazo. Esse influxo de moeda estrangeira também daria sua contribuição para manter a  taxa de cambio depreciada.

 

Por último, mas não menos importante, está a projeção para o saldo da balança comercial. As projeções indicam um nível de exportações ao longo de 2008 aproximadamente igual ao de 2007, ainda que se tenha alguma retração na economia americana. As importações, no entanto deverão manter seu ímpeto de crescimento reduzindo, por conseqüência, o saldo da balança comercial. O resultado disso seria uma maior demanda por dólares por parte dos importadores, mas não suficiente para reverter às pressões das forças que depreciam a taxa de  câmbio.

 

Em resumo podemos afirmar que nenhum socorro significativo virá para aqueles que de alguma forma precisariam de uma “proteção cambial”. Certamente os produtos estrangeiros e chineses, em particular, deverão continuar a sua invasão nos mercados nacionais. e a penetração nos mercados internacionais continuará sendo difícil E esse fato deixa apenas uma saída, que os empresários já conhecem; o aumento na produtividade.

 

 

                                          Eduardo A.Paiva de Almeida

                                                    [em18/01/08] 

Arranjo Produtivo do Agreste – Resultados da 5ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana

Arquivado em: Arranjo Produtivo Confecção, Economia, Moda — mercadoglobal @ 1:39 pm

Rodada de Negócios termina com número recorde de negociações
Diego Gondim/Brava Comunicação
Foram meses de trabalho, esforço, expectativa e a 5ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana surpreendeu. O evento, orientado por um comitê gestor e liderado pela Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, ACIC, reuniu centenas de empresários vindos de todo o Brasil. Se o movimento de pessoas foi grande, maior ainda foram os números gerados na economia local. A Rodada, que aconteceu no Pólo Comercial de Caruaru, entre os dias 5 e 7 de março, superou as expectativas de todos. Em apenas três dias, as vendas dessa edição chegam a somar R$ 3,9 milhões. Faturamento que superou a previsão dos R$ 3 milhões, inicialmente estimados para o período. Um acréscimo de 44% nas negociações, em relação à 4ª Rodada, que movimentou R$ 2,7 milhões. Comparado com a 3ª, o resultado positivo é ainda mais evidente: crescimento de quase de 200% nas transações comerciais.
O segmento que mais vendeu foi o de Jeans, seguido pelos de Moda Feminina Jovem e Surf Street Wear. Mais de 330 mil peças e 1,3 mil pedidos foram contabilizados na 5ª Rodada. Ainda falando em vendas, Santa Cruz do Capibaribe liderou o ranking entre as cidades e deixou R$ 1,7 milhão nessa edição da Rodada de Negócios. Já entre as três regiões do país que mais compraram, a Norte acumulou um total de R$ 1,790 milhões, acompanhada das regiões Sudeste (R$ 762 mil) e Centro-Oeste (R$ 473 mil). “Não é surpresa para nós a liderança da região Norte em número de negociações na Rodada de Negócios, porém a grata surpresa é o aumento de transações feitas pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Isso é muito importante, pois mostra a nossa capacidade competitiva na abertura de novos mercados. Além disso, todos os vendedores estão de parabéns pelo profissionalismo muito elogiado pelos compradores. Que venha a 6ª Rodada”, afirmou animado Waldyr Rocha, coordenador da Câmara Setorial da Moda, da ACIC, e um dos organizadores da Rodada. O SEBRAE, que acompanha o evento desde o início, também fez uma avaliação positiva. “O período para a realização da 5ª Rodada foi bem propício. A boa qualidade dos produtos, aliada à determinação de todos, contribuiu ainda mais para o enorme volume de vendas. Tudo isso realmente superou as minhas expectativas”, declaro Mário César Freitas, coordenador do Projeto de Confecções, do SEBRAE.
Tamanho sucesso também foi viabilizado pela coordenação do evento. Cerca de 106 pessoas participaram da organização da 5ª Rodada de Negócios. Juntos, eles trabalharam em um espaço de 2 mil m², que reuniu 80 salas de negociações e 80 empreendimentos participantes. O espaço foi aproveitado para proporcionar mais conforto aos mais de 362 visitantes que circularam pela Rodada do 1º semestre de 2008. Para amenizar o calor, típico da época na região, umidificadores de ar foram instalados em toda a área destinada ao evento. Além disso, todos os presentes eram eletronicamente cadastrados, o que garantiu a segurança. Investimento que fideliza a credibilidade da Rodada junto aos empreendedores. “Projetamos uma infra-estrutura confortável e segura para que todos se sentissem a vontade durante a realização da 5ª Rodada. Outro ponto importante é a qualidade dos produtos expostos. Isso chama a atenção de muitos empresários não só da região, mas de todo o país”, informou Bento Albuquerque, da J&B Consultores, empresa organizadora da Rodada.

Quem aproveitou a oportunidade para divulgar os produtos não se arrependeu. O momento foi inteiramente dedicado às práticas mercantis e a conquista de clientes. Como fez o representante comercial, de Minas Gerais, Felipe Ferreira. E não é a primeira vez. Responsável pela divulgação de 31 marcas em Pernambuco, o mineiro participa da Rodada de Negócios desde a 1ª edição e é enfático ao falar da importância do evento para os empresários inseridos no segmento têxtil. “É inegável a importância que a Rodada de Negócios representa para nós. É uma oportunidade ímpar de divulgarmos nossas marcas e produtos e também de compartilharmos idéias. O ramo de confecções é vital para a economia da região e estou certo de que, quanto mais investirmos nele, mais seremos visto e valorizados. Já me programei para estar aqui na 6ª Rodada”, informou.

A Rodada tem como objetivo principal estreitar as relações comerciais entre os participantes, através da divulgação dos mais variados produtos e serviços do mercado de confecção nacional. Fabricantes de moda de diversos segmentos, além de compradores atacadistas e varejistas vêem a Rodada como um dos mais importantes eventos têxteis nacionais.
E este ano a continuidade do evento está garantida. A 6ª Edição da Rodada de Negócios já tem data marcada. Será no mês de agosto. O evento é realizado pela ACIC (Associação Comercial e Empresarial de Caruaru), FACEP (Federação dos Associados Comerciais do Estado de Pernambuco), Prefeitura Municipal de Caruaru e é promovido pelo SEBRAE, FIEPE e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper). O apoio vem de entidades como SINDVEST, ASCAP, ACIT, ACIASUR, ACIPA, Pólo Comercial de Caruaru e também da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Pernambuco (FCDL).

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.