Mercadoglobal UPE Caruaru

Junho 25, 2008

O que é empreendedorismo? Parte 1

Artigo de Emanoel Leite, Administrador e Doutor em Empreendedorismo. Professor, pesquisador, autor e consultor.

O número de indivíduos que deseja criar o seu próprio negócio cresce dia-a-dia. O fenômeno do empreendedorismo vem se alastrar pelos quatro cantos do mundo, em ritmo cada vez mais alucinante. O candidato a empreendedor tem que vencer uma verdadeira corrida de obstáculos para poder concretizar o sonho de ser dono de seu próprio negócio.

Podemos perceber claramente a presença dos “5Ps” do empreendedorismo – paixão, perseverança, paciência, prudência e prática no comportamento dos empreendedores de sucesso.

Esperamos que a leitura deste artigo, ao mesmo tempo em que discorre sobre empreendedorismo, desperte no leitor a força do espírito empreendedor como opção de vida. O empreendedorismo – que é igual a espírito empreendedor + liberdade de ação + oportunidade – será a alternativa profissional para muitos indivíduos no século XXI. Vivemos a Era do poder da informação, dos negócios on-line, da força das idéias audaciosas… e da sorte. As idéias são “a nova moeda” do mundo empresarial.

Quem tem uma idéia, um sonho, depara-se com duas opções: ou faz o que é necessário para colocá-lo em prática ou arranja muitas desculpas para não o fazer. A segunda opção é a única alternativa que pode fazer a pessoa se arrepender para o resto da vida. O empreendedor, criador de empresas, sabe que “tentar e falhar é, no mínimo, aprender. Não chegar a tentar é sofrer a perda incalculável do que poderia ter conseguido”.

Discorrer sobre o empreendedorismo no Brasil solicita uma visita por toda a história política, econômica e social do País. Fazer uma ponte com as revoluções econômicas e sociais do mundo também é necessário. Mas, principalmente, é preciso olhar atentamente para o homem e para a mulher, o empreendedor e a empreendedora. Para as mudanças, a emancipação, o desenvolvimento e as transformações porque eles (as) passam.

Falar de empreendedorismo é falar do ser humano e, por conseguinte, da capacidade nata que ele tem de se moldar, suplantar e transcender aos limites impostos a ele. É encontrar uma saída, e, diga-se de passagem, uma boa saída, para os momentos de crise. É falar de conhecimento, inovação, sabedoria, visão, ousadia, coragem. É falar de ética, de novas possibilidades e caminhos por desvendar. Criação e experiência de novos saberes, desejos. É, acima de tudo, falar de futuro. É falar de escolhas, da possibilidade de se escolher que futuro se quer e que começa a ser planejado no hoje, no agora.

Não me deixa pessimista, mas cansado, ver como os homens públicos abusam de nossa paciência em ver mediocridades, em ouvir mentiras, em ver repetições. Só num país em que o marketing chegou ao cúmulo do abuso se consegue entregar ambulâncias velhas – Primeiro Emprego – para empregar 250 mil pessoas e empregam-se 500. Vivemos num país em que os processos não valem mais, valem apenas os eventos, o que parece ser. Em vez de criar um Programa Primeiro Emprego, por que não valorizar o empreendedorismo que já está aí? É isso que peço as autoridades: por favor, não inventem nada de novo. Dêem força ao que está aí. Primeiro Emprego? Não. Primeira Empresa!

Este texto é uma reflexão acerca do empreendedor(a) do século XXI, seu surgimento, a relação emprego x trabalho e, finalmente, a materialização de uma visão, e por que não do sonho, em uma oportunidade de negócio.

Junho 24, 2008

clandestinos:indesejados ,mas necessários

Arquivado em: Economia — mercadoglobal @ 8:01 pm

O Parlamento da União Européia acabou de aprovar uma lei para tratar a questão da imigração ilegal para essa parte do globo. Trata-se de uma lei muito mais dura que as atuais e já virou alvos das organizações de direitos humanos que a acusa de violar esses direitos. Por essa nova legislação um migrante clandestino pode ser mantido preso por um período de até 18 meses e mesmo crianças pode vir a serem detidas. Além disso, o migrante expulso não poderá entrar de novo no país que o expulsou por um período de 5 anos.

 

Segundo informações divulgadas pele imprensa haveria na Europa algo como 8 milhões de migrantes ilegais dos quais 400 mil seriam de brasileiros e a cada ano 2 milhões de novos migrantes entram nos países da união européia. Trata-se de um numero bastante elevada e fundamentam a preocupação dos governos da união Européia sobra o assunto.

 

A medida ,no entanto, parece um contra senso posto que um das maiores ameaças que paira sobre o velho continente é justamente o encolhimento da sua população com todas as conseqüências negativas daí decorrentes. Os demógrafos calculam que uma população atinge um equilíbrio – estado estacionário onde a população apenas se repõe – quando se tem 2,1 filhos por mulher na idade ativa. Na larga maioria dos países componentes da União Européia esse número já está bem abaixo daquele que garante o equilíbrio. Na Espanha caiu abaixo de 1,8,o mesmo acontecendo com a Itália. A situação dos outros países europeus não é muito diferente disso, com populações mostrando tendências declinantes. O mesmo fenômeno vem sendo sentido nos países do leste europeu, sendo particularmente grave na Rússia.

O declínio da população de um país ou região tem como conseqüência sobremodo grave a redução do crescimento potencial do seu produto interno bruto. O crescimento potencia do produto interno bruto é uma medida usada pelos economistas para calcular o quanto uma economia pode crescer sem pressões inflacionárias e essa medida depende do estoque de capital e do tamanho sua força de trabalho – população economicamente ativa – e, evidentemente, da produtividade desses fatores.

 

Ora, se a força de trabalho é declinante seria necessária uma elevação muito grande na produtividade do fator trabalho para compensar esse encolhimento. Ao que parece,no entanto, a produtividade do trabalho não está sendo suficiente para compensar o declínio no estoque de trabalhadores e,desse modo, só restaria como saída importar mão-de-obra.

 

Essa é a solução que vem sendo adotada pelo Canadá e pela Austrália e também pelos Estados Unidos. A importação de mão-de-obra tem compensado o declino da população ao mesmo tempo em que supre força de trabalho para atender ao incremento da demanda provocada pelo crescimento da economia.

 

A Austrália, que cresce aceleradamente há 17 anos, está sofrendo carência de todos os tipos de profissionais, desde motoristas de caminhão, cujo salário anual é de US$ 97,000, até engenheiros.E assim vem adotando uma política explicita de atrair migrantes e 300.000 deles entram nesse país em 2007.O Canadá vem também incentivado a absorção de migrantes criando inclusive facilidades para que o migrante possa, depois de certo tempo, trazer sua família [pais].

 

A Europa,no entanto, parece ter dificuldades de adotar uma tal política ,ainda que dela precise desesperadamente. Isso parece ser um traço predominante do velho continente posto que se sempre se caracterizou por expulsão de população,inclusive a sua própria expelidas que foram para America e Austrália e até mesmo para a África.

 

Parece que o velho continente tem dificuldade em tratar com a diversidade cultural diferentemente das Américas que por ser terra de emigração desde cedo apreendeu a absorver, sem maiores tensões, povos e culturas os mais diversos. Não se podem esquecer as explosões de nacionalismo que vicejou nesse continente entre fins do século XIX e até meados do século XX e a sua mais recente manifestação nos anos 90 que despedaçou a ex- Iugoslávia

 

Assim eles [os europeus] precisam dos migrantes, mas não os aceita, daí a situação paradoxal. Considere-se ademais que os migrantes clandestinos, os 8 milhões que se informa existirem na Europa, estão, ainda que clandestinos, trabalhando, e, portanto produzindo riquezas nos países onde habitam. Se fossem, por hipótese, todos expulsos de uma só vez com certeza as economias européias sofreriam grandes impactos.

 

Os europeus parecem temer perder a sua identidade com o afluxo de populações forâneas.Americanos ,australianos e sul africano por não terem uma identidade própria [desde cedo foram constituídos de muitos povos] não teriam o que perder e assim seria muito mais receptivo a acolher a diversidade que naturalmente se segue dentro de um processo de influxo migratório.

 

O que vai acontecer na Europa e difícil de prever. Todavia as perspectivas não são das mais animadoras. Gilles Merrité no seu artigo “Pressão Demográfica Ameaça Descaracterizar a Europa” [Estado de São Paulo 15/06/2008] diz que hoje a preocupação dos países é “Hoje a visão política em muitos países da EU está concentrada no desemprego, considerado principal doença a ser curada, enquanto a real ameaça é a escassez cada vez maior de pessoas para preencher as vagas de trabalho”.

 

Nesse mesmo artigo e citando a Comissão Européia para Assuntos Financeiros e Econômicos, a população européia economicamente ativa vem encolhendo tanto que a partir de 2010, o crescimento econômico anual máximo da Europa Ocidental deve cair de 2.3%,registrados nos últimos anos para 1,8% ao ano e para somente 1,3% ao ano a partir de 2030.As conseqüências desses fatos são dramáticas pois isso significa redução de impostos, de contribuições previdências com impactos danosos sobre o bem estar geral das populações

 

Sem migração não será possível aos países dos EUA e da EU manter os seus padrões de vida. Todavia o problema na EU se afigura de maior gravidade na medida em que elas não conseguem lidar, como fazem os americanos, com assuntos delicados que se colocam na esteira da diversidade cultural e religiosa.

 

Eduardo A. Paiva de Almeida

20/junho/2008

 

 

 

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