O Preço da Gasolina e a Formação de Preços de Venda
O assunto da mídia parece se deslocar do caso da menina Isabella para o reajuste dos combustíveis. Essa é um assunto que realmente interessa, pois tem um impacto direto no nosso bolso.
Mais interessante do que o reajuste em si são os argumentos que se esgrimem para justificá-los. O principal deles é que os preços dos combustíveis cobrado no Brasil estão defasados em relação aos preços prevalecentes no mercado internacional e assim se faria necessário reajustá-los.
Confesso que, sinceramente, não entendi o argumento, pois se assim fosse o preço seria o mesmo em qualquer lugar do mundo, na Venezuela e na Arábia Saudita, que são grandes produtores de petróleo como na Suíça que não produz uma única gota sequer.
Num mercado onde prevalece a competição e que, portanto, não existe nenhuma empresa dominante o preço será fixado pelas forças de oferta e demanda e,afora alguma particularidades quando as empresas procuram um diferencial para os seus produtos e assim cobrar um valor mais alto do que os seus concorrentes,nenhuma teria condições de fixar o seu preço.Usa-se dizer que nesse caso a empresa é uma price take e não um price make.
Essa condição, no entanto, não existe no mercado de petróleo do Brasil que é praticamente dominado pela PETROBRAS. Essa empresa é, de fato, monopolista e age como tal daí porque tem o poder de fixar os seus preços. Essa ação e perfeitamente coerente como comportamento de uma empresa que detém poder de mercado e busca maximizar os seus lucros.
Pode-se contra-argumentar que houve aumento de custos por conta da subida dos preços do óleo cru no mercado internacional. Esse fato é inegável, mas também não se pode negar que os preços pagos em dólar devem ter caídos por conta da apreciação do real nos dois últimos anos. Ao final das contas não se sabe com certeza se os preços, em dólar que hoje se paga pela importação do óleo cru subiram e em quanto realmente subiram.
Há se se considerar ainda que uma parte do óleo cru que se usa no Brasil – pelo menos é isso que a PETROBRAS informa – é extraído internamente e, portanto se faria necessário saber o quanto essa extração aumentou os seus custos – se aumentou – em termos da moeda local. Aqui mais uma vez pode-se argumentar que sendo a PETROBRAS uma empresa internacional teria que cotar os seus preços em termos também internacionais. Afora explorações em países estrangeiros e em alguns países do quarto mundo como a Bolívia – do qual ela foi recentemente escorraçada – não me consta que a PETROBRAS venda seus produtos fora do Brasil. Não conheço refinaria da PETROBRAS na Inglaterra nem postos de gasolina dessa empresa nos Estados Unidos ou na Alemanha.
Podemos nos perguntar por que então devemos ter uma empresa brasileira de petróleo?. Se vamos pagar preços internacionais então deveríamos poder compra os produtos de quaisquer empresas e, logicamente iríamos comprar daqueles que nos oferecesse melhores preços. “Como dizia Alfred Marshall,célebre economista britânico do inicio do século XX,” não se pode ser patriota e popular ao mesmo tempo” .
Eduardo A. Paiva de Almeida
30/04/2008