Os Novos Nomades
A revista inglesa The Economist na sua edição de 12 – 18 de abri de 2008 trás uma matéria especial sobre a mobilidade nas comunicações. Na introdução dessa matéria intitulada Our Nomadic Future ela faz uma comparação entre os tradicionais nômades, aqueles que nos filmes aparecem cruzando o deserto com os seus camelos com os modernos “ nômades” que com seus aparelhos wireless a fazendo usos dos avanços nas comunicações podem se comunicar e trabalhar estando em qualquer lugar do mundo.
Segundo a The Economist, o advento do automóvel não significou apenas a substituição da velha carroça. O veiculo automotor alterou todo um estilo de vida. Sua existência redesenhou as cidades - agora era possível separar local de moradia de local de trabalho – criou novas estruturas comerciais como o Shopping Center e tornou decadentes aquelas áreas com restrições ao estacionamento e a circulação de veículos. Até mesmo algumas doenças decorrente de sedentarismo foram exacerbadas, pois se passou a caminhar cada vez menos.
Do mesmo modo que o carro redefiniu um estilo de vida, a mobilidade está provocando efeitos semelhantes. Nos países de economia mais desenvolvida se permite hoje trabalhar no subúrbio e morar no centro da cidade. O padrão de trafico vem mudando de forma expressiva. Ao invés do antigo movimento subúrbio – centro as 9h00 e centro – subúrbio as 17h00 tem-se hoje um padrão radial com as pessoas indo e vindo entre seus escritórios e residências.
A revista pergunta se isso significa uma vida melhor. E ela mesma responde que sim em muitos aspectos. Ela libera os trabalhadores do setor de serviços dos seus “cubilos”, pois podem agora trabalhar em qualquer local. Não é mais obrigatória a presença desse tipo de trabalhador num local especifico. Ele pode estar na Inglaterra e prestar serviços para uma empresa no Japão, e discutir e traçar estratégias on line tendo como restrição apenas os fusos horários. O trabalho em home Office já é uma realidade mesmo aqui no Brasil.
Mas como tudo na vida essa liberdade pode ter um lado negativo, pois pode ser acompanha da por uma nova tirania uma vez que o trabalhador estará sempre conectado não se distinguindo, dessa forma., os horários de trabalho daqueles de lazer e descanso.É sempre bom lembrar que quando uma empresa fornece um note book a algum empregado isso sempre significa mais trabalho pois ele sempre poderá fazer mais trabalho em casa nos seu horários que seriam dedicados ao repouso.A tirania do local pode ser substituída pela tirania do horário
A mobilidade irá tornar essas pessoas com as características de nômades. Elas estarão sempre próximas aos familiares e amigos enquanto deambulam pelo mundo mas ,também de forma igual aos tradicionais nômades , terão dificuldades em estabelecer ligações com aqueles que são de fora desse circulo.Há entre os sociólogos uma preocupação como a tendência - paradoxal – a um isolamento onde os e-mail substituem os contactos pessoais [recomendo sobre isso o filme “Denise está Chamando” - procurem nas boas locadoras].
Esse nomadismo, segundo a The Economist , baseado nas facilidades de fone e câmera ,pode tornar o mundo melhor. Ele pode tornar qualquer pessoa em ativista político pronto para “divulgar a brutalidade da ação policial”. Mas do mesmo modo pode também tornar qualquer um num paparazzo e isso representa o lado negro dessas novas possibilidades.A vida das pessoas pode ser completamente devassada e a privacidade está pode estar seriamente ameaçada.
Na cidade como no deserto, o “ nomadismo promete o céu das novas liberdades mas também ameaça com o inferno da fiscalização por parte das tribos.
Eduardo A Paiva de Almeida
24 de abril de 2008