Mercadoglobal UPE Caruaru

Março 24, 2008

Para onde vai o câmbio

Arquivado em: Administração, Economia — mercadoglobal @ 1:39 pm

Para onde vai o cambio?

 

Segundo informações veiculadas pela imprensa em 2007 o Brasil recebeu US$ 85 bilhões. Nesse montante estariam englobadas todas as modalidades de investimentos incluindo o chamado Investimento Estrangeiro Direto – IED e as aplicações de portfólio. O Investimento estrangeiro direto são os investimentos que chegam ao país para financiar operações de prazo longo englobando implantação, aquisição e fusão de empresas enquanto que aplicações de portfólio é o dinheiro estrangeiro, de curto prazo, que aqui aporta para se beneficiar de condições especificas favoráveis como bolsas de valores, títulos do governo e outras aplicações de curto prazo.

 

O primeiro grupo de dinheiro estrangeiro trás inquestionáveis benefícios para o país na  medida em que eleva o nível de investimento da economia  e em 2007 o investimento global da economia brasileira apresentou uma elevação. O investimento estrangeiro direto, freqüentemente, também trás consigo novas tecnologias, sejam de produção sejam gerenciais o que significa um benefício adicional para a economia.

 

As exportações brasileiras atingiram US$ 160 bilhões em 2007 e o saldo da balança comercial chegou a US$ 40 bilhões. Sem dúvida sob esses aspectos a economia brasileira foi particularmente brilhante em 2007.

 

Mas o que isso tem a ver com o cambio? Tudo. Claramente esse sucesso da economia significa uma grande quantidade de dólares sendo trocados por reais e, como qualquer mercadoria, quando sua produção é abundante o seu preço cai. É isso que vem acontecendo com o real.

 

O impacto da apreciação do real [depreciação do dólar americano] tem conseqüências sobre o nosso comércio internacional que já mostra reduções dos saldos da balança comercial em 2007.O saldo da balanço comercial da indústria de transformação em 2006 foi de US$15,7 bilhões enquanto que nos primeiros nove messes de 2007 esse mesmo saldo encolheu para apenas US$ 9,3 bilhões numa clara tendência de encolhimento.

 

  A indústria nacional vem sofrendo uma feroz concorrência com os produtos exportados. Apenas alguns setores, dentro os quais figura o têxtil, tem conseguido manter e ampliar os seu níveis de exportação sustentando assim  maior redução ocorreu precisamente  no setor têxtil o que pode ser interpretado como uma perda de competitividade das nossas exportações nesse setor ou uma maior competitividade das importações ou uma combinação desses dois fenômenos.

 

Sabe-se que o câmbio é um dos componentes de custo no processo de exportação/ importação. Ou seja, o preço da moeda estrangeira em termos da moeda nacional [o dólar em termos de real] é um dos determinantes da rentabilidade nas operações de exportação/importação. Grosso modo quando a moeda estrangeira fica barata a importação pode se tornar uma operação rentável, acontecendo o contrário com as exportações.

 

É mais ou menos essa situação que estamos vivendo hoje. Todavia se pode perguntar por que então as nossas exportações não despencam? Duas explicações, não excludentes, podem ser aventadas para isso. A primeira delas seria o enorme crescimento na produtividade de certos setores da economia o que daria competitividade a esses setores mesmo numa relação de cambio desfavorável. A outra seria o particular momento vivido pela economia mundial  com uma notável expansão do comercio internacional  e preços excepcionais para as commodities agrícolas e minerais.

 

Tentar desvendar os caminhos da taxa de cambio é uma tarefa que se impõe a todos os  empresários, mesmo para aqueles que não têm no mercado externo o seu alvo de negócios, pois uma taxa de câmbio depreciado poderia trazer mais importações para competir com a produção local. Uma edição do Jornal do Commercio noticiou que o pólo têxtil de Pernambuco, concentrado no triangulo formado pelas cidades de  Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, ampliou suas vendas em 12% em 2007, mas que a produção se expandira apenas 5%.

 

É evidente que nenhum país, nem mesmo os EUA que possuem a mais densa malha industrial do mundo, pode dispensar importações na mediada em que a produção local não cobre todas as necessidades. O Brasil não seria diferente. Todavia trata-se de uma notícia preocupante, pois pode estar sinalizando uma penetração expressiva de produtos importados facilitada, sobretudo, pela depreciação da moeda nacional que, eventualmente, poderia deslocar produção local com as suas conhecidas conseqüências.

 

Em assim sendo que socorro poderia os produtores locais esperar da taxa de cambio? Eu arriscaria dizer, pouco ou mesmo nenhum. No sistema de taxa de cambio flutuante o preço da moeda – a taxa de cambio – se forma na interação da oferta e da procura. Desse modo não deve haver atuação explicita do governo para sustentar uma particular taxa de cambio que pudesse trazer algum benéfico para os exportadores nacionais.

 

Isso nos remete a perscrutar  como devem se comportar as forças que comandam a demanda e a oferta de dólares no mercado brasileiro. A grande chave para esse entendimento  está no comportamento da economia americana que continua sendo o principal motor da economia mundial.

 

A economia americana dá sinais que não são inequívocos. Os especialistas divergem, portanto, se os EUA entrarão ou não numa recessão. A divergência,no entanto, parece residir apenas no grau uma vez que há um entendimento que a economia americana irá experimentar algum esfriamento.

 

Como resposta a isso o banco central americana pode patrocinar uma rodada de redução na taxa de juro [prime rate]. A redução nessa taxa tornaria as aplicações nos EUA menos rentáveis o que indicaria que o influxo de entrada no Brasil de aplicações de portfólio seria mantido ou até mesmo ampliado. E isso exerceria uma tendência de baixa da moeda brasileira.

 

Do lado dos investimentos estrangeiros diretos é de se esperar que o influxo seja mais ou menos mantido posto que  não é muito sensível  - a menos de uma grave crise global-a conjunturas de curto prazo. Esse influxo de moeda estrangeira também daria sua contribuição para manter a  taxa de cambio depreciada.

 

Por último, mas não menos importante, está a projeção para o saldo da balança comercial. As projeções indicam um nível de exportações ao longo de 2008 aproximadamente igual ao de 2007, ainda que se tenha alguma retração na economia americana. As importações, no entanto deverão manter seu ímpeto de crescimento reduzindo, por conseqüência, o saldo da balança comercial. O resultado disso seria uma maior demanda por dólares por parte dos importadores, mas não suficiente para reverter às pressões das forças que depreciam a taxa de  câmbio.

 

Em resumo podemos afirmar que nenhum socorro significativo virá para aqueles que de alguma forma precisariam de uma “proteção cambial”. Certamente os produtos estrangeiros e chineses, em particular, deverão continuar a sua invasão nos mercados nacionais. e a penetração nos mercados internacionais continuará sendo difícil E esse fato deixa apenas uma saída, que os empresários já conhecem; o aumento na produtividade.

 

 

                                          Eduardo A.Paiva de Almeida

                                                    [em18/01/08] 

Arranjo Produtivo do Agreste – Resultados da 5ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana

Arquivado em: Arranjo Produtivo Confecção, Economia, Moda — mercadoglobal @ 1:39 pm

Rodada de Negócios termina com número recorde de negociações
Diego Gondim/Brava Comunicação
Foram meses de trabalho, esforço, expectativa e a 5ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana surpreendeu. O evento, orientado por um comitê gestor e liderado pela Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, ACIC, reuniu centenas de empresários vindos de todo o Brasil. Se o movimento de pessoas foi grande, maior ainda foram os números gerados na economia local. A Rodada, que aconteceu no Pólo Comercial de Caruaru, entre os dias 5 e 7 de março, superou as expectativas de todos. Em apenas três dias, as vendas dessa edição chegam a somar R$ 3,9 milhões. Faturamento que superou a previsão dos R$ 3 milhões, inicialmente estimados para o período. Um acréscimo de 44% nas negociações, em relação à 4ª Rodada, que movimentou R$ 2,7 milhões. Comparado com a 3ª, o resultado positivo é ainda mais evidente: crescimento de quase de 200% nas transações comerciais.
O segmento que mais vendeu foi o de Jeans, seguido pelos de Moda Feminina Jovem e Surf Street Wear. Mais de 330 mil peças e 1,3 mil pedidos foram contabilizados na 5ª Rodada. Ainda falando em vendas, Santa Cruz do Capibaribe liderou o ranking entre as cidades e deixou R$ 1,7 milhão nessa edição da Rodada de Negócios. Já entre as três regiões do país que mais compraram, a Norte acumulou um total de R$ 1,790 milhões, acompanhada das regiões Sudeste (R$ 762 mil) e Centro-Oeste (R$ 473 mil). “Não é surpresa para nós a liderança da região Norte em número de negociações na Rodada de Negócios, porém a grata surpresa é o aumento de transações feitas pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Isso é muito importante, pois mostra a nossa capacidade competitiva na abertura de novos mercados. Além disso, todos os vendedores estão de parabéns pelo profissionalismo muito elogiado pelos compradores. Que venha a 6ª Rodada”, afirmou animado Waldyr Rocha, coordenador da Câmara Setorial da Moda, da ACIC, e um dos organizadores da Rodada. O SEBRAE, que acompanha o evento desde o início, também fez uma avaliação positiva. “O período para a realização da 5ª Rodada foi bem propício. A boa qualidade dos produtos, aliada à determinação de todos, contribuiu ainda mais para o enorme volume de vendas. Tudo isso realmente superou as minhas expectativas”, declaro Mário César Freitas, coordenador do Projeto de Confecções, do SEBRAE.
Tamanho sucesso também foi viabilizado pela coordenação do evento. Cerca de 106 pessoas participaram da organização da 5ª Rodada de Negócios. Juntos, eles trabalharam em um espaço de 2 mil m², que reuniu 80 salas de negociações e 80 empreendimentos participantes. O espaço foi aproveitado para proporcionar mais conforto aos mais de 362 visitantes que circularam pela Rodada do 1º semestre de 2008. Para amenizar o calor, típico da época na região, umidificadores de ar foram instalados em toda a área destinada ao evento. Além disso, todos os presentes eram eletronicamente cadastrados, o que garantiu a segurança. Investimento que fideliza a credibilidade da Rodada junto aos empreendedores. “Projetamos uma infra-estrutura confortável e segura para que todos se sentissem a vontade durante a realização da 5ª Rodada. Outro ponto importante é a qualidade dos produtos expostos. Isso chama a atenção de muitos empresários não só da região, mas de todo o país”, informou Bento Albuquerque, da J&B Consultores, empresa organizadora da Rodada.

Quem aproveitou a oportunidade para divulgar os produtos não se arrependeu. O momento foi inteiramente dedicado às práticas mercantis e a conquista de clientes. Como fez o representante comercial, de Minas Gerais, Felipe Ferreira. E não é a primeira vez. Responsável pela divulgação de 31 marcas em Pernambuco, o mineiro participa da Rodada de Negócios desde a 1ª edição e é enfático ao falar da importância do evento para os empresários inseridos no segmento têxtil. “É inegável a importância que a Rodada de Negócios representa para nós. É uma oportunidade ímpar de divulgarmos nossas marcas e produtos e também de compartilharmos idéias. O ramo de confecções é vital para a economia da região e estou certo de que, quanto mais investirmos nele, mais seremos visto e valorizados. Já me programei para estar aqui na 6ª Rodada”, informou.

A Rodada tem como objetivo principal estreitar as relações comerciais entre os participantes, através da divulgação dos mais variados produtos e serviços do mercado de confecção nacional. Fabricantes de moda de diversos segmentos, além de compradores atacadistas e varejistas vêem a Rodada como um dos mais importantes eventos têxteis nacionais.
E este ano a continuidade do evento está garantida. A 6ª Edição da Rodada de Negócios já tem data marcada. Será no mês de agosto. O evento é realizado pela ACIC (Associação Comercial e Empresarial de Caruaru), FACEP (Federação dos Associados Comerciais do Estado de Pernambuco), Prefeitura Municipal de Caruaru e é promovido pelo SEBRAE, FIEPE e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper). O apoio vem de entidades como SINDVEST, ASCAP, ACIT, ACIASUR, ACIPA, Pólo Comercial de Caruaru e também da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Pernambuco (FCDL).

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